Flávio Bolsonaro diz ter 'muita tranquilidade' após revelação de investigação no caso Dark Horse
O senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta sexta-feira, 11, que recebeu com "muita tranquilidade" a quebra de sigilo do inquérito do Banco Master no Supremo, que revelou novas informações sobre o financiamento do filme Dark Horse, e a abertura de investigação sobre sua atuação no caso.
Mas para mim é muito positivo, tirar sigilo de tudo, eu quero transparência em tudo, porque vou só confirmar o que eu sempre falei, que não tem justamente nada de errado com relação ao filme, diferente de relações de muita gente do atual governo que tentaram de alguma forma beneficiar o Banco Master", disse durante entrevista coletiva no Distrito Industrial de Manaus.
Segundo as peças, Flávio é investigado por possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no contexto do financiamento do filme Dark Horse.
A instauração do inquérito foi determinada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, de maneira sigilosa, e veio a público na noite desta quinta-feira, 10, após o ministro atender a um pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin, para retirar o sigilo do processo.
O senador disse que as revelações são "mais do mesmo" e "estão requentando" uma decisão de julho em um momento em que ele se aproxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas.
“Estão requentando uma decisão desde julho, no momento quando ultrapassamos em todas as pesquisas o ‘Império do Mal’. Estamos numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem”, afirmou.
Flávio voltou a afirmar que a relação com o filme foi de financiamento privado. Na quinta-feira, 11, uma nova frente de investigação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Flávio Dino, mostrou um suposto direcionamento de emendas parlamentares para a produtora ligada à produção.
“Sempre disse que a relação com o filme foi privada, um patrocínio privado em relação ao filme do presidente Bolsonaro. É muito positivo para confirmar o que sempre falei", disse.
O senador voltou a acusar aliados de Lula de estarem envolvidos no caso Master.
“Tem muita gente do atual governo que tentou beneficiar o Banco Master, que vendeu tráfico de influência e que enriqueceu em cima deles. Não tem um real para Flávio Bolsonaro. Tem somente patrocínio para um filme privado, então quanto mais transparência tiver, vou achar melhor”, afirmou.
Flávio defendeu também a transparência em todas as investigações, especialmente no desvio do INSS e das conexões de petistas baianos, como Rui Costa, ministro de Lula, e o senador Jaques Wagner, então líder do governo petista, com Augusto Lima, banqueiro baiano e sócio no Banco Máster. “Quero transparência para tudo!”.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) elogiou a atuação do ministro André Mendonça, relator do caso.
Eu queria muito que todos do Supremo fossem iguais ao Mendonça, não pesasse para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência; mostra pra imprensa, mostra pro povo. Vamos ver quem é que está certo”, disse Flávio.
Caso Dark Horse
O inquérito teve pedido favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou "repasse de montante expressivo (de Daniel Vorcaro), sem contrapartida financeira conhecida, mediante sofisticada blindagem patrimonial e atuação de interpostas pessoas" para o suposto financiamento do filme.
A PGR destaca que Vorcaro classificou o financiamento da produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro como "o mais importante disparado" e obteve, às vésperas da deflagração da fase ostensiva da Operação Compliance Zero, a "promessa de apoio ou interferências do próprio
senador (Flávio Bolsonaro)".
A peça cita mensagem, já conhecida desde maio, em que Flávio diz a Vorcaro, em 16 de novembro de 2025: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz". O banqueiro foi preso no dia seguinte enquanto tentava embarcar em um avião para sair do país. As mensagens e áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foram revelados em maio deste ano pelo portal The Intercept Brasil.
No pedido de instauração do inquérito, a Polícia Federal menciona que o fundo Havengate, receptor dos recursos depositados por Vorcaro supostamente para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, foi criado em 2020 pelo advogado Paulo Calixto e seu sócio Altieris Santana, mas permaneceu inerte até fevereiro de 2025, quando começou a receber dinheiro do controlador do Master. A primeira remessa foi de US$ 2 milhões.
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