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Wednesday, October 21, 2026

Os 5 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Tom Morello

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Ex-integrante do Rage Against the Machine, ícone do rock e guitarrista eclético já elegeu projetos que o influenciaram

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

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Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine, em 2023
Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine, em 2023 (Foto: Roberto Serra - Iguana Press/Getty Images)

O guitarrista Tom Morello, conhecido por integrar bandas como Rage Against the Machine (desde os anos 1990) e Audioslave (entre 2001 e 2007), também é famoso por sua experimentação musical. Sempre explorando os gêneros mais distintos possíveis, o artista conseguiu emplacar um EP de dubstep entre os cinco discos favoritos de todos os tempos, ao mesmo tempo que compôs clássicos do art rock e do heavy metal.

Morello cresceu ouvindo o hard rock de Led Zeppelin, Black Sabbath, Iron Maiden, Kiss e Alice Cooper. No início dos anos 1980, formou sua primeira banda que adentrou a indústria. A Electric Sheep tinha no baixo Adam Jones, futuro guitarrista do Tool, e o nestilo de riffs metálicos dessa época serviria depois de moldura para a temática política que marcou o Rage Against the Machine.

O instrumentista também se consagrou por colocar o mundo em ordem em tempos difíceis. O engajamento político do ícone do rap-rock resiste à prova do tempo, e se aproximou do Brasil a poucos dias do segundo turno das eleições do país. Em um novo vídeo nas redes, o músico declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em vídeo publicado no dia 13, no qual definiu a disputa como “uma batalha de linha de frente contra o fascismo e a oligarquia”. Em 2022, ele já havia feito o mesmo antes do segundo turno contra Jair Bolsonaro.

A repulsa e críticas à extrema direita se extende à líderes de diversas nações. Em diferentes apresentações pelos EUA, Morello tem criticado abertamente as ações militares de Israel em Gaza e a administração de Benjamin Netanyahu, e já afirmou, em entrevista à Rolling Stone, crer estar na “lista negra” de Donald Trump. Tanto o papel de ativista ferrenho quanto de navegador musical do ícone fazem sentido quando levadas em considerações suas principais referências. Morello explorou os nomes responsáveis por sua formação musical e social em uma lista de seus cinco álbuns favoritos, enviada à Spin em 2021 e retomada pela Far Out Magazine em fevereiro.

Cada um dos discos escolhidos pelo artista reflete a poderosa mistura de sons e filosofias que ele busca incorporar em seu próprio trabalho. Confira a eclética seleção abaixo:

Os cinco álbuns favoritos de Tom Morello

5. 3, 1980 – Peter Gabriel

“O álbum 3 de Peter Gabriel é um disco espetacular de tédio e desespero”, disse Morello sobre o clássico do art-rock. “‘Games Without Frontiers’ é a faixa que te cativa com sua poesia brilhante e fragmentada, e com as guitarras igualmente fragmentadas e brilhantes de Robert Fripp. ‘Family Snapshot’ é uma novela silenciosa e aterrorizante sobre um assassino, e ‘Intruder’ é ainda mais assustadora. Phil Collins toca bateria neste disco, e Gabriel o proibiu de usar qualquer prato ou hi-hat em toda a gravação, o que contribui para o tom sufocante. E então temos ‘Biko’, um dos maiores hinos de direitos humanos de todos os tempos, sobre o dissidente sul-africano mártir Stephen Biko. É uma canção que galvanizou o movimento global contra o apartheid e despertou em mim a percepção de que a música realmente pode mudar o mundo.”

4. Blizzard of Ozz, 1980 – Ozzy Osbourne

“Este é o álbum que catapultou o virtuoso da guitarra Randy Rhoads ao estrelato”, disse Morello, radiante. “Eu tinha um pôster do Randy Rhoads na parede quando praticava oito horas por dia, e ele continua sendo meu guitarrista favorito de todos os tempos. Seu gênio está presente em toda esta obra-prima do metal, e este álbum revitalizou a carreira de Ozzy Osbourne. Cada música, cada riff e cada solo exala a essência de um gênio da guitarra pronto para arrasar.”

3. Nothing’s Shocking, 1988 – Jane’s Addiction

“Com esta obra-prima, o Jane’s Addiction salvou e redimiu o hard rock”, disse Morello. “A banda abraçou sem pudor riffs de metal ousados, fundindo-os com uma arte underground e uma poesia de rua brilhante, criando uma liga inédita de grandeza do rock and roll. A magia da Santeria, a belíssima versão acústica de ‘Jane Says’, as reflexões à la Jim Morrison na impactante ‘Pigs in Zen’ e a devastadora ‘Mountain Song’ lançaram a Lollapalooza Nation. Este álbum tem romance, misticismo, profunda perspicácia e, na minha humilde opinião, continua sendo o melhor álbum de ‘rock alternativo’ até hoje.”

2. Ruminations, 2016 – Conor Oberst

“Conor Oberst, dentro e fora do Bright Eyes, é um letrista singularmente brilhante e emocionalmente evocativo”, disse Morello. “Ruminations é uma tapeçaria dilacerada de uma alma em ruínas, e é absolutamente magnífico. Cada frase afiada como uma navalha é impressionante e faz Dylan parecer amador. Além disso, tenho quase certeza de que ‘Till St. Dymphna Kicks Us Out’ é sobre uma noite no East Village com Conor, eu e Michael Moore.”

1. Rage Valley, 2012 – Knife Party

“Eu odiava música eletrônica. Odiava mesmo”, recordou Morello. “Minha impressão do gênero era aquela porcaria que tocava em táxis italianos. Insuportável. Aí um amigo me apresentou ao Knife Party, e eles me deixaram de boca aberta. Rage Valley tem toda a potência, tensão, explosividade e atitude do meu heavy metal favorito. Foi esse álbum que inspirou meu projeto ‘The Atlas Underground’ e o desejo de criar uma mistura de loucura com amplificadores Marshall e graves impactantes ao estilo Rage Valley.”

+++ LEIA MAIS: Tom Morello: ‘Se mata como o fascismo, irmãos e irmãs, é fascismo’

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. Atuou como editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.

TAGS: Conor Oberst, janes addicion, Knife Party, Ozzy Osbourne, peter gabriel, tom morello
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