Antes das bets: quem patrocinava os grandes clubes do futebol brasileiro
RESUMO +
O governo federal anunciou na sexta-feira, 25, a MP 1.394/2026, que proíbe casas de apostas no Brasil e exige a retirada de publicidade e patrocínios em até dez dias. Antes do domínio das bets no futebol brasileiro, instituições financeiras ocupavam o espaço máster; em 2026, o setor patrocina 14 dos 20 clubes da Série A, segundo levantamento da empresa Sports Value.
Houve um tempo, não tão distante, em que o futebol brasileiro contava com o patrocínio de empresas de diferentes segmentos, menos bets. O primeiro patrocínio de uma casa de apostas no futebol do país aconteceu em janeiro de 2019, quando o Fortaleza estampou a NetBet no uniforme. O movimento veio pouco depois da promulgação da Lei 13.756, em dezembro de 2018, que permitiu a regulamentação inicial de apostas esportivas no Brasil.
Pouco depois, no início de 2020, as bets já patrocinavam 13 dos 20 clubes da Série A, mas ainda como propriedades secundárias. Até então, Fortaleza e Goiás eram as únicas equipes que tinham uma marca do setor no espaço mais nobre da camisa.
De lá para cá, o cenário mudou radicalmente. As bets avançaram sobre as principais propriedades comerciais dos clubes, incluindo o patrocínio máster, e passaram a movimentar valores que não encontram paralelo em outros segmentos. Em 2025, os clubes da Série A receberam cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios do setor, segundo levantamento da Sports Value.
Em 2026, 14 dos 20 clubes da primeira divisão têm uma casa de apostas como patrocinadora máster, de acordo com o mesmo levantamento.
Agora, com a medida provisória anunciada pelo Governo Federal na sexta-feira, 25, que proíbe a operação de casas de apostas no Brasil, a discussão resgata uma pergunta: quem ocupava esse espaço antes de as bets chegarem?
Bancos dominavam
Na segunda metade da década de 2010, instituições financeiras estavam entre as marcas mais presentes nos uniformes dos grandes clubes.
A Caixa Econômica Federal, por exemplo, patrocinou equipes como Flamengo, Corinthians, Santos e Vasco. Com o Flamengo, a posição de patrocinadora máster durou de 2013 a 2018. No auge do acordo, o contrato rendia R$ 25 milhões anuais ao clube.
Com o Corinthians, a parceria da Caixa durou de 2012 a 2016. O contrato de patrocínio máster tinha valor de R$ 30 milhões anuais. No Santos, a Caixa assumiu o principal espaço da camisa em 2017 em um contrato de R$ 16 milhões até o fim da temporada. No mesmo ano, a negociação com o Vasco ficou em R$ 7,5 milhões.
O Banco BMG se tornou um dos nomes mais presentes nos uniformes dos grandes clubes no fim da década. Em 2019, o banco assumiu o espaço máster do Atlético-MG. Os valores exatos foram mantidos sob sigilo, mas estimou-se na época que superavam a casa dos R$ 13 milhões por ano.
Entre 2017 e 2021, o Inter ocupava o principal espaço da camisa do São Paulo. O contrato previa R$ 12 milhões anuais.
Entre os times do Sul, o Banrisul tinha uma característica particular: patrocinava simultaneamente Grêmio e Internacional. Em 2019, os dois rivais gaúchos exibiam o banco estatal como patrocinador máster, em contratos que giravam em torno de R$ 13 milhões anuais para cada clube.
Crefisa, um caso à parte
Desde 2015, a Crefisa ocupava o espaço máster do uniforme do Palmeiras, em uma parceria que se tornou uma das mais duradouras do futebol brasileiro recente. Foram 10 anos de uma relação cujo último contrato rendia R$ 81 milhões por ano ao clube.
A parceria ganhou características próprias porque os aportes da empresa não ficaram restritos à exposição da marca. Parte dos valores relacionados à contratação de jogadores foi tratada dentro da estrutura comercial entre as partes.
O modelo ajudou a estabelecer outro padrão de relação entre clubes e patrocinadores: a empresa não era apenas uma anunciante no uniforme, mas uma parceira comercial diretamente envolvida na estratégia financeira do futebol.
De cartões a supermercados
Antes do domínio das bets, outros segmentos também ocupavam os espaços principais dos uniformes de clubes brasileiros. Em 2020, o Cruzeiro tinha como patrocínio máster do clube o Supermercados BH.
No futebol carioca, o Fluminense manteve uma parceria de 15 anos com a Unimed, de 1999 a 2014. Além do patrocínio, a empresa participou do financiamento de contratações e salários de jogadores ao longo do período. Em 2018, o time teve uma experiência com a empresa de cartões Valle Express como patrocinadora máster do clube.
No Santos, depois da saída da Caixa, o clube passou um período sem patrocinador máster fixo até anunciar a SumUp em 2021, empresa de soluções de crédito.
E agora?
A MP 1.394/2026 já está em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Câmara dos Deputados e Senado terão até 120 dias para votar o texto; caso não seja aprovado nesse período, a medida perde a validade.
Enquanto isso, as regras previstas na MP seguem valendo, incluindo a determinação para que publicidade, marketing e sinais de patrocínio relacionados às bets sejam retirados em até dez dias da publicação da medida.
'Perguntas frequentes'
Quando as casas de apostas começaram a patrocinar o futebol brasileiro? +
O primeiro patrocínio de uma casa de apostas no futebol brasileiro ocorreu em janeiro de 2019, quando o Fortaleza estampou a NetBet no uniforme. O acordo surgiu pouco depois da promulgação da Lei 13.756, em dezembro de 2018.
Quantos clubes da Série A têm uma bet como patrocinadora máster em 2026? +
Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A têm uma casa de apostas como patrocinadora máster, segundo levantamento da Sports Value. Em 2025, os times da primeira divisão receberam cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios do setor, de acordo com a mesma fonte.
Quem patrocinava os clubes brasileiros antes das bets? +
Instituições financeiras como Caixa Econômica Federal, Banco BMG, Inter e Banrisul estavam entre as principais patrocinadoras dos clubes. Outros segmentos também ocupavam o espaço máster, com marcas como Crefisa, Supermercados BH, Unimed, Valle Express e SumUp.
Quanto a Caixa pagava aos clubes pelo patrocínio máster? +
A Caixa Econômica Federal pagava R$ 25 milhões anuais ao Flamengo e R$ 30 milhões ao Corinthians. O banco também fechou contratos de R$ 16 milhões com o Santos e de R$ 7,5 milhões com o Vasco em 2017.
Quanto durou o patrocínio da Crefisa ao Palmeiras? +
A Crefisa ocupou o espaço máster do uniforme do Palmeiras por dez anos, a partir de 2015. O último contrato rendia R$ 81 milhões anuais ao clube, e a parceria também envolveu valores relacionados à contratação de jogadores.
O que muda com a MP 1.394/2026? +
A MP 1.394/2026 proíbe a operação de casas de apostas no Brasil e determina a retirada de publicidade, marketing e sinais de patrocínio do setor em até dez dias da publicação. A medida já está em vigor, mas perderá a validade se Câmara e Senado não aprovarem o texto em até 120 dias.
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