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Thursday, October 22, 2026

Cientistas recrutam 'caçadores' de buracos negros na Via Láctea; veja como participar

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A Via Láctea pode abrigar milhões de buracos negros ainda desconhecidos, e cientistas estão recorrendo à ajuda de voluntários para tentar encontrá-los. A iniciativa permite que qualquer pessoa participe da análise de dados astronômicos, mesmo sem experiência na área.

O projeto, chamado Black Hole Hunters (Caçadores de Buracos Negros), reúne pesquisadores de universidades do Reino Unido e utiliza observações de estrelas para procurar sinais da presença desses objetos.

A busca ocorre pela plataforma Zooniverse, dedicada à ciência cidadã. O objetivo é identificar possíveis buracos negros que não podem ser observados diretamente, mas que podem produzir alterações na luz de estrelas próximas.

Como participar da busca por buracos negros?

A participação é gratuita e pode ser feita pela internet, sem necessidade de telescópios ou equipamentos especializados.

Na página do Black Hole Hunters, basta selecionar a opção de início para acessar as orientações e começar a examinar os dados disponíveis.

Os participantes recebem gráficos que mostram como o brilho de determinadas estrelas varia ao longo do tempo. A tarefa consiste em identificar aumentos temporários de luminosidade que correspondam aos padrões procurados pelos cientistas.

Cada conjunto de dados pode ser examinado por diferentes voluntários. As classificações são posteriormente reunidas para selecionar os casos que merecem investigação adicional.

O projeto foi lançado em 2021 e já mobilizou milhares de participantes. A página oficial informa que a etapa ativa de classificação está 77% concluída, embora os números exibidos pela plataforma possam mudar.

Como encontrar buraco negro invisível

Os buracos negros possuem uma atração gravitacional tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar de seu interior. Por isso, a identificação desses objetos depende, em muitos casos, dos efeitos gravitacionais produzidos sobre estrelas e outros corpos celestes.

O Black Hole Hunters procura um fenômeno conhecido como microlente gravitacional, que ocorre quando a gravidade de um objeto massivo modifica o caminho da luz de uma estrela. Em determinadas condições de alinhamento, essa alteração pode provocar um aumento temporário do brilho observado da Terra.

A pesquisa concentra parte da investigação em sistemas binários, formados por dois objetos que orbitam um centro de massa comum. Um desses componentes pode ser uma estrela visível, enquanto o outro pode ser um buraco negro.

Se o alinhamento for favorável, a gravidade do objeto invisível pode ampliar brevemente a luz da estrela companheira. Entretanto, uma mudança de luminosidade não confirma, por si só, a presença de um buraco negro. Os candidatos precisam passar por novas análises e observações.

Por que a Nasa participa da investigação?

A pesquisa utiliza informações coletadas pelo TESS, satélite da Nasa lançado em 2018 para procurar planetas fora do Sistema Solar.

O equipamento monitora o brilho de estrelas, produzindo registros que também podem ser aproveitados na investigação de outros fenômenos astronômicos.

Antes dessa etapa, o projeto analisou dados do SuperWASP, levantamento realizado entre 2004 e 2016 para identificar possíveis exoplanetas.

Segundo a equipe responsável pela pesquisa, a combinação entre ferramentas computacionais e análise humana pode facilitar a identificação de sinais difíceis de reconhecer automaticamente.

Os computadores ajudam a processar grandes volumes de informações, enquanto os voluntários procuram padrões que podem passar despercebidos pelos sistemas automatizados.

Quantos buracos negros existem na Via Láctea?

Os astrônomos estimam que a galáxia possa conter milhões de buracos negros formados pelo colapso de estrelas massivas. Apesar dessa quantidade estimada, apenas uma pequena parcela foi identificada por observações astronômicas.

A diferença ocorre porque muitos desses objetos não estão consumindo matéria de maneira suficientemente intensa para produzir sinais facilmente detectáveis.

A busca por alterações gravitacionais na luz das estrelas oferece uma alternativa para localizar buracos negros que permanecem ocultos. Os pesquisadores pretendem usar os resultados das classificações para selecionar candidatos e direcionar futuras observações.

A equipe também considera a utilização de informações de missões como o Euclid, da Agência Espacial Europeia, e o telescópio espacial Nancy Grace Roman, da Nasa. A expectativa é ampliar a capacidade de investigar a população de buracos negros da Via Láctea, embora a identificação de novos objetos dependa da confirmação científica dos sinais encontrados.

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