Rock in Rio faz artistas avançarem no Spotify e ganharem seguidores em Instagram e TikTok
Na esteira das pesquisas que mostram o quanto shows e festivais geram engajamento mesmo após o fim do evento, o Rock in Rio destaca o impacto do festival no consumo musical via streaming. Segundo monitoramento realizado pela organização no Spotify Charts Brasil, alguns artistas subiram mais de 50 posições na plataforma após a apresentação na Cidade do Rock.
Entre os maiores movimentos identificados estão Alee e Calvin Harris, que avançaram 57 e 56 posições, respectivamente. Marina Sena subiu 35 posições; Stray Kids, 32; Luísa Sonza e Xamã, 30 cada. A análise considerou a posição de cada artista na véspera do show e sua melhor colocação nos três dias posteriores.
O movimento sugere que a experiência ao vivo funciona também como uma espécie de porta de entrada para o consumo posterior no streaming.
"O show ao vivo cria conexões e desperta sentimentos e emoções inesquecíveis, mas o impacto do festival na vida dos artistas e fãs extrapola em muito esse grande momento. Já começa bem antes, quando os fãs mergulham em playlists para se preparar para o show, e continua depois, quando os fãs seguem ouvindo, relembrando e revivendo os momentos mágicos daquele espetáculo", comenta Ana Deccache, diretora de marketing da Rock World.
Ainda mais alcance
O levantamento também identificou que os artistas que já apareciam no ranking do Spotify antes do festival conseguiram ampliar sua presença depois da apresentação. Delacruz, por exemplo, avançou 24 posições, João Gomes 23, Pedro Sampaio 16, Alok 14 e Maroon 5 12.
O efeito também apareceu entre nomes que alcançaram suas melhores posições individuais de 2026 no Brasil, depois de passar pelo festival. É o caso de Elton John, Twenty One Pilots, Demi Lovato e Zara Larsson, que chegaram ao Top 200 brasileiro depois do Rock in Rio.
Do palco para o feed
A mesma lógica do streaming aparece nas redes sociais. Nas 48 horas seguintes aos shows, artistas tiveram crescimento expressivo em suas comunidades globais no Instagram e no TikTok.
No Instagram, Hwasa ganhou 84 mil seguidores, seguida por Zara Larsson, com 68 mil; Stray Kids, 64 mil; Laufey, 55 mil; e Elton John, 52 mil. Também houve crescimento para Maroon 5, Demi Lovato, Calvin Harris e Twenty One Pilots.
Segundo o levantamento, para esses artistas, as variações registradas depois dos shows foram as maiores dos últimos três meses.
No TikTok, o movimento foi ainda mais acentuado em alguns casos. Stray Kids ganhou 128 mil seguidores nas 48 horas posteriores à apresentação, enquanto Zara Larsson somou 52 mil e Laufey, 30 mil.
Festival como acelerador de descobertas
Os números do Rock in Rio não permitem afirmar, isoladamente, que os shows foram a única causa dos movimentos no ranking ou nas redes sociais. Ainda assim, a proximidade temporal dos movimentos chama atenção.
O fenômeno também conversa com uma característica do próprio modelo de consumo atual: a descoberta musical não está mais separada da experiência cultural. Um fã pode conhecer uma música em um vídeo, assistir ao artista em um festival, procurá-lo no streaming horas depois e, em seguida, começar a acompanhá-lo nas redes.
Para o mercado, isso amplia o valor de uma apresentação ao vivo. O impacto de um festival deixa de ser medido apenas por ingressos vendidos, público presente ou exposição das marcas e passa a incluir o que acontece depois que o público vai embora.
"É muito especial perceber como o que acontece nos palcos continua fazendo parte da relação do público com a música mesmo depois do fim dos shows", reforça Deccache.
Neste ano, o Rock in Rio recebeu mais de 700 mil pessoas ao longo de sete dias, segundo o balanço oficial do evento.
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