Anok Yai fala de retomada da carreira após doença quase fatal: 'Não tirava tempo para descansar'

Anok Yai renasceu e está com força total. Considerada uma das 20 supermodelos mais importantes da indústria no momento, a egípcia naturalizada norte-americana atingiu um novo ápice na carreira, após parar tudo para cuidar da saúde. Se tornou mais seletiva e, mais que apenas fechar contratos, quer usar a própria voz para beneficiar meninas negras ao redor do mundo.
"Agora não sinto a pressão constante de fazer cada trabalho, cada ensaio, cada desfile", diz ela em entrevista exclusiva à Quem. A top model, de 28 anos, retomou a carreira em maio deste ano, após quase morrer no hospital. Exatamente depois ganhar o prêmio de Modelo do Ano do British Fashion Council, em dezembro de 2025, descobriu uma anomalia congênita no coração e nos pulmões que fazia uma artéria bombear sangue em excesso para os órgãos.
Anok conversou com a reportagem durante passagem pelo Brasil para participar do Iguatemi Talks Fashion, que aconteceu na última quarta-feira (21). Ela conta que estava desmaiando no meio de trabalhos e com dificuldade para respirar, até que teve que parar tudo para cuidar de si. Passou por cirurgias para remover uma parte do coração e do pulmão e durante a internação teve uma sepse severa, precisando ser reanimada duas vezes.
Perdeu 13 quilos e precisou reaprender a andar após os dias no hospital. "Depois disso, me tornei realmente metódica sobre como escolho os ensaios e desfiles que farei e cuido muito mais de mim, mentalmente, fisicamente e espiritualmente. Antes, não tirava tempo para realmente descansar e respirar. Estava apenas indo, indo, indo...", diz.
A top chegou ao País logo após cruzar a passarela do Victoria's Secret Fashion Show, desfile que exigiu dela uma preparação física intensa -- incluindo de duas a três horas de treino por dia + dieta rica em proteínas. "Fiz aulas de bicicleta, pilates e boot camp. Comecei com uma hora de exercícios por dia e fui aumentando. Na semana antes do desfile, treinei três horas por dias. Agora, estou pensando se continuarei com essa rotina, se meu treinador ainda me fará treinar tudo isso. Vamos ver!", conta aos risos.
Nascida no Egito, filha de pais sudaneses, Yai é refugiada de guerra e se estabeleceu com a família em New Hampshire, nos Estados Unidos, onde cresceu. Foi faxineira, atendente de supermercado e estudou biotecnologia em preparação para a faculdade de medicina -- seu sonho antes de se tornar modelo.
Tudo isso deu a ela uma imensa consciência do mundo, mas também fortaleceu sua autoestima e autoconfiança, características pelas quais ficou conhecida. "Minha confiança cresceu à medida em que eu cresci, viajei o mundo e me cerquei de pessoas fortes e inspiradoras", reflete.
"Lembro de ser jovem e ter muita dificuldade em me aceitar e acho que isso é algo que vem naturalmente a medida em que você cresce e realmente acha sua própria essência. Aí você realmente aprende a se aceitar. Vem com o tempo", acrescenta.
No começo de 2026, Anok foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, feito que a inspirou a usar ainda mais a própria voz para lutar pelas causas que acredita. Entre os planos, está começar um trabalho filantrópico para ajudar artistas pretos.
"Fiquei chocada quando descobri [que estava na lista]! Pensei que era fake, não acreditava que fosse real! Lembro também de estar naquela sala com todo mundo que foi nomeado, tinha tanto poder naquele lugar. Realmente me inspirou a usar minha plataforma para militar por todas as meninas pretas e por todos os artistas pretos".
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