O governo acha que os nossos atletas precisam de babysitters

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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia. Bom dia. Bom dia. O teu bom ainda são os peritos que fizeram o estudo sobre as pensões. Sim, já se falou muito sobre as propostas do grupo de trabalho, mas agora que já temos o relatório completo, vamos conhecendo mais detalhes de outras coisas que lá estão. E entre as muitas páginas do estudo, encontra-se um aviso muito sensato. Os peritos alertam que uma eventual reforma do sistema de pensões tem de ser feita através de um consenso alargado. Ou seja, não pode depender de uma maioria de um ciclo eleitoral. Não pode ser um partido que, por acaso, tem maioria naquela altura, que decide fazer tudo sozinho. Como qualquer mudança que se prolongará por décadas, tem de haver um debate que envolva toda a gente, a sociedade civil, os parceiros sociais, o Parlamento. E os peritos dizem que ainda temos algum tempo, porque há uma janela demográfica que se fecha algures em meados da década de 2040. E tudo isto mostra realismo. A má notícia é que, como temos visto nestes dias, ninguém tem vontade de começar a construir esse consenso, a começar por este governo. Nós estamos em 2026. Paulo, ajuda-me. 2026. 2040. 2040. Daqui a uns 14 aninhos, não é? Ainda há um tempo. Pode ser que as coisas mudem. Eu duvido, mas pode ser que as coisas mudem. Duvido também. Eu acho que os partidos políticos e os políticos fazem questão em discordar neste assunto. Paulo, então estamos tramados? Claro. Pronto. Está certo. Quando cada um receber a sua primeira reforma, vai vendo. Exato. Vamos ter que cortar naquelas coisas que não interessam a ninguém: comida, água. Vai se cortando por aí, depois logo se vê. E quem é o teu mau, Miguel? O mau é o SNS. Como se sabe, o governo tomou a boa decisão de juntar várias urgências para garantir que há sempre uma urgência aberta em determinada região e para acabar com aquela situação em que as grávidas precisavam de ir à internet ver que hospital é que estava aberto no dia em que necessitavam de ajuda. É uma boa medida, é uma medida que existe, por exemplo, no norte do país e que funciona lá. Mas apesar de ser uma boa medida, em teoria, nós temos que perceber se ela efetivamente está a funcionar na prática, porque não vale a pena irmos contra a realidade. E a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde parece que foi tentar fazer isso, foi tentar perceber como é que as coisas estão a ocorrer e concluiu que não estão a correr bem, porque houve uma inspeção à urgência de Ginecologia e Obstetrícia da ULS Arrábida, que integra o Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Essa inspeção aconteceu entre 13 de abril e 4 de maio de 2025, e a conclusão foi a de que o serviço apenas funcionou plenamente, portanto, 13 de abril, 4 de maio, só funcionou plenamente a 29 de abril e a 30 de abril. Portanto, num período, Paulo, ajuda-me outra vez, de 22 dias. Eu fui à inteligência artificial. Para não fazer as contas pelos dedos. Então, num período de 22 dias, aquilo só funcionou bem em dois dias. E nem sequer estávamos em agosto ou no Natal. Estávamos em março, em abril e em maio. Portanto, dois dias em 22, eu diria que isto precisa de uma revolução. Já não precisamos de uma reforma estrutural, precisamos de uma revolução, porque senão vamos estar nisto. Isto não dá. Se a grande solução não funciona. Pois. E por causa das pensões, supostamente, precisamos que as pessoas tenham mais filhos. Imagina que agora os portugueses, patrioticamente, começavam todos a ter mais filhos. Para resolver o problema da Segurança Social. Sim, pronto, embrulhados na bandeira nacional. Desatavam a ter mais filhos. Bom, então isto era uma desgraça. Miguel, o teu vilão andou de avião? Andou. Esta história é maravilhosa. O vilão é a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto. E muita atenção a esta parte final, a do desporto, porque Margarida Balseiro Lopes é o novo Super Marcelo. Quando era presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa andava sempre atrás da Seleção Nacional de Futebol, como se sabe, a assistir a jogos, a ir ao balneário, a fazer conferências de imprensa na zona mista, enfim, em todo lado. E agora a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto também anda atrás da Seleção Nacional de Futebol, como nós vimos no Mundial, mas não só. Ontem, a governante voou para Itália na primeira fila do charter que levou os atletas portugueses que vão participar nos Jogos do Mediterrâneo Eu nunca tinha ouvido falar da competição, mas também não percebo nada de desporto e não quero de maneira nenhuma. Mas enfim, digamos apenas que não são os Jogos Olímpicos. Sim, não é a primeira competição que nos vem à cabeça. Pronto, vamos ficar nisto. E então a ministra diz que a sua presença física é muito importante para valorizar os atletas. E aliás, é tão importante que a ministra não vai conseguir estar até o fim da prova. A prova vai até 3 de setembro, mas quando tiver de voltar, para que os atletas não sintam que não estão a ser valorizados, quando a ministra voltar, ela será imediatamente substituída. Segundo disse à Agência Lusa, e vou citá-la: "Depois irá o Pedro." E o Pedro é, aparentemente, o secretário de Estado Pedro Dias. A ministra quer que os atletas saibam que estamos de coração convosco. Eu não percebo bem de onde é que vem esta infantilização dos atletas portugueses, que são tratados como umas criancinhas que precisam permanentemente da supervisão de babysitters do poder político. Em vez deste sentimentalismo, a ministra sequer podia preocupar-se, não sei, talvez, sei lá, em resolver problemas reais, porque olha, nem de propósito ontem o selecionador nacional de basquete, que está a disputar a qualificação para o Campeonato do Mundo 2027, disse aos jornalistas que um treino que estava planeado para durar duas horas teve de ser encurtado para uma hora, acho que foi 1h10, porque Portugal, diz ele, é o único país da Europa onde não há pavilhões públicos com ar-condicionado. Não há ar-condicionado e, portanto, o calor é tão insuportável que eles nem sequer podem treinar decentemente. E eu vou citá-lo, ele disse: "Isto é uma tristeza, uma vergonha." E eu imagino que a esta hora a ministra estivesse no avião e, portanto, não o tenha ouvido. Pode ser que o Pedro tenha ouvido. Olha, por acaso, não tinha lembrado disso, mas é verdade. A ministra está a viajar, mas o Pedro está no seu posto a ouvir o selecionador de basquetebol. Tomou nota e de certeza que daqui a um mês tem o problema resolvido. Ar-condicionado nos pavilhões. Isto tem que ir trabalhar a equipa. Claro.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira são os peritos que fizeram o estudo sobre as pensões, o mau é o SNS e o vilão de hoje é a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balça Lopes. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro das manhãs "360 Sempre" em podcast.
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