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Tuesday, October 27, 2026

O Centro Interpretativo da Mulher Duriense em Armamar

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Olá, seja muito bem-vindo. Esta é a história das histórias. Estava à espera de ouvir, sobretudo, o Jorge Adolfo Meneses Marques, este historiador de serviço nesta emissão da Rádio Observador, que nos vai falar sobre estes segredos e estas coisas que ele vai descobrindo e fazer-nos viajar pela região Centro. Eu sou o João Paulo Secador e também estou tão curioso como está, de certeza, para ouvir o Jorge. Jorge, bem-vindo. Hoje começamos pelo Centro Interpretativo da Mulher Duriense, em Ermamar, não é? Vamos a isso.

É verdade. Hoje fomos para norte, fomos para a região duriense, belíssima região duriense, do famoso vinho do Porto. Todos conhecem, mas é uma região que, para além do vinho do Porto, tem muito mais coisas. E um desses sítios que eu hoje trago aqui para conversar contigo e para convidar todos aqueles que nos ouvem a visitar, é precisamente o Centro Interpretativo da Mulher Duriense. É um espaço que eu não conhecia e que visitei há relativamente pouco tempo e que me surpreendeu. Primeiro, chamou-me a atenção o título. O nome do espaço. Mas o que me surpreendeu foi efetivamente a qualidade da exposição que se encontra nesta antiga adega cooperativa de Ermamar, que depois fundiu-se com as caves Vale do Rodo, fechou e o espaço, um edifício de grandes dimensões, em julho de 2023, depois de requalificarem esse espaço, foi convertido neste espaço de homenagem às mulheres que contribuíram para a construção da memória do Douro. Não quer dizer que os homens também não o tenham feito, evidentemente, mas as mulheres que estiveram um bocadinho na sombra durante tanto tempo, têm aqui um espaço que lhes é dedicado. Mas atenção, não é só à mulher duriense. Nós encontramos nesta exposição que percorre todas as atividades que a mulher duriense faz, praticava tradicionalmente, sobretudo ligada à agricultura, como é óbvio. É uma região de produção vinícola de excelência, como já referimos, mas também a todas as mulheres e movimentos de emancipação feminina. É um espaço que tem um discurso museográfico muito apelativo, com muita imagem, muita fotografia, também objetos, mas com muita fotografia, com documentários, com a exposição também de imagens que não são de lá, mas que caracterizam também o que era o trabalho agrícola das mulheres e também de fora, isto é, de mulheres que, por várias razões, se inscrevem nesse caminho de emancipação feminina. Por exemplo, no caso português, encontramos lá imagens. Porque é um espaço que tem um discurso museográfico muito apelativo, com muita imagem, muita fotografia, também objetos, mas com muita fotografia, com documentários, com a exposição também de imagens que não são de lá, mas que caracterizam também o que era o trabalho agrícola das mulheres e também de fora, isto é, de mulheres que, por várias razões, se inscrevem nesse caminho de emancipação feminina. Olha, por exemplo, no caso português, temos lá desde a Amália Rodrigues, por exemplo, figuras digamos, emblemáticas. A Amália Rodrigues, a Natália Correia, mas por exemplo, também as chamadas Três Marias, Maria Isabel Valento, Maria Teresa Horta e a Maria Velho da Costa, que protagonizaram também uma grande polêmica ainda naquele período.

Com as novas cartas portuguesas.

Com as novas cartas portuguesas. Mas temos depois, por exemplo, a Frida Kahlo e temos as sufragistas, aquelas mulheres que em vários países.

Como a nossa Carolina Beatriz Ângelo também, uma delas. Extraordinária.

E mulheres como, por exemplo, as sufragistas inglesas ou marcos históricos como o primeiro país onde a mulher teve direito a votar, que foi a Nova Zelândia em 1893. Quer dizer, temos ali um historial muito bem ilustrado da luta das mulheres. Eu diria que não é só a luta das mulheres, é a vida da mulher duriense, aquilo que caracteriza a memória coletiva do trabalho da mulher, do trabalho da família, das tradições, onde a mulher tem um papel central.

Exatamente.

Mas também enquadrado naquilo que é a luta das mulheres, a luta dos movimentos feministas por esse mundo fora, em todos os continentes, mas em particular na Europa e no continente americano, mas em particular nos Estados Unidos, e que levaram à emancipação da mulher na viragem do século XIX para o século XX e depois por aí fora, que foram afirmando esse poder. Eu gostava de dizer que é curioso que a rua onde fica este centro interpretativo da mulher duriense é a Rua Dr. António Oliveira Salazar. Já uma vez aqui referimos que ainda há, em muitos locais do nosso país, ruas com o nome do chamado chefe do conselho, que corresponde ao atual primeiro-ministro, do período do Estado Novo. O que é curioso, porque nós um dia havemos aqui de conversar sobre um termo que os romanos utilizavam, que era a chamada damnatio memoriae, apagar a memória. Apagar a memória ocorria muito quando o regime mudava. Quando o regime mudava, todos os regimes, nenhum está imune a esse princípio de apagar a memória. Nenhum deles. Ou regimes mais ditatoriais, menos ditatoriais, mais democráticos, menos democráticos, mais à direita, mais à esquerda. Todos eles.

Há milênios que se faz isso. O Jorge fez uma exposição sobre os faraós aqui na Gulbenkian, onde havia essa prova no tempo do Tutancâmon, imagina, há milhares de anos. Tiravam as caras dos faraós para esquecer aquele faraó anterior que não gostaram. É impressionante, tem milhares de anos.

Os romanos tinham uma coisa muito prática: tinham a estátua com a cabeça que se destacava, que encaixava. Era só mudar a cabeça. Pronto, o corpo ainda lá estava.

Caía em desgraça, perdia a cabeça.

Os imperadores caíram em desgraça muitos deles. Duraram muito pouco no poder, mas essa é a damnatio, esse apagamento da memória. Aqui é curioso, eu estou aqui a referir isto porque é um aspecto também que tem a ver muito com a memória pública, com a memória das comunidades. Portanto, este apagamento ali não ocorreu. Mas importante é mesmo o centro de interpretação da mulher duriense, onde se homenageia a mulher, as mulheres, as várias gerações de mulheres durienses que construíram aquela paisagem património da humanidade. É um sítio cada vez mais visitado, portanto turista. Para terminar, gostava só de chamar a atenção também ou referir uma coisa. Este centro de interpretação tem uma pequena loja onde se vendem alguns produtos locais e onde se vendem também algumas publicações. E fui encontrar lá, também, e isto para referir, um livrinho que saiu em 2024, que foi publicado pelo José Carlos Santos, que é a carta patrimonial do Conselho de Armamar, que tem uma espécie de inventário, é um inventário, é um tombo, digamos, do património arqueológico e artístico do Conselho de Armamar, onde se encontra este centro interpretativo, e que um dia nós iremos aqui fazer referência a alguns sítios com interesse.

Compraste, visitaste, compraste e já vai dar azo, com certeza, a outras boníssimas conversas. Claro, eu acho muito bem. Assim também nós bebemos dessa tua inspiração e dessa tua informação que tu foste apanhar, para todos lucrarermos com isso, que é muitíssimo bom, Jorge, como sempre. Nós que estamos a viajar pelo mundo.

E o importante é pegar no carro, ir lá, beber um bocadinho de vinho do Porto, visitar o centro de interpretação.

Passámos pelo Dão. Hoje começámos, em vez de ser no Dão, foi no Douro, mas também é bom.

Eu estava a dizer, Armamar, apesar de estar no norte do nosso distrito, distrito de Viseu, portanto pertence ao distrito de Viseu, na região duriense, debruçado sobre o rio Douro, tem uma paisagem maravilhosa construída pelo homem.

É fantástico, que é património da humanidade.

Merece uma visita.

Muito bem, então o Centro Interpretativo da Mulher Duriense fica ali em Armamar. Mais uma sugestão do Jorge Adolfo Marques, já sabe, mais uma sugestão de passeio que nós não vamos deixar cair. E nós vemo-nos amanhã, parece que amanhã vamos voltar ao nosso herói, ao Viriato. Jorge, um grande abraço e amanhã conversamos. Até amanhã.

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