TAP: ontem foi, de longe, o melhor dia deste governo

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E começa agora a nova edição de O Bom, O Mau e O Vilão. Bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia.
Muito bom dia. Vamos a isso? Vamos ao bom?
O bom é o governo, que ontem deu mais um passo na privatização da TAP. Aliás, não deu apenas um passo, deu vários. Primeiro passo: escolheu uma empresa com a qual vai avançar pra fase final da privatização. Segundo passo: a empresa escolhida, a Lufthansa, é à prova de bala. Ninguém pode dizer que é uma empresa desconhecida, ou que é uma empresa esquisita, ou que é uma empresa que amanhã vai à falência. Terceiro passo: o governo conseguiu um preço que fica muito acima das avaliações mais recentes, nomeadamente da EY e do Banco Finantia. Quarto passo: conseguiu ter já as contas feitas pra uma venda de 100% da TAP. Quinto passo: esse valor é tão alto que permite, segundo o governo, enfim, isto são contas de Pois, que temos que olhar pra elas com cautela, mas que permitirá a devolução de todo o dinheiro que o Estado enterrou na companhia. E depois sexto e último passo: caso haja uma venda de 100%, o Estado fica como acionista da própria Lufthansa, tornando-se com 5% no segundo maior acionista estratégico da holding. E por causa de tudo isto, ontem foi de longe o melhor dia deste governo. Bem que o governo estava a precisar, depois da entrevista de Passos Coelho.
É, não estamos habituados a um processo tão escorreito e tão bem-sucedido como este.
Agora vamos ver como é que-
Como é que se desenvolve a partir daqui.
Isto aqui nunca fiando.
Claro.
Paulo, nunca fiando. Mas a verdade é que ontem correu tudo bem.
E do bom, vamos para o mau.
Tem tudo a ver com isto, o mau é o PS, que ontem ficou sem chão. Perante as novidades sobre a TAP, então o que os socialistas disseram? Insistiram que só se sentem confortáveis, foi a palavra que eles usaram, com a privatização parcial da TAP e disseram ser um pouco precipitado o governo falar na venda total. E atenção aqui, o que é importante é que o PS esteja confortável. Isso é a coisa mais importante pro país. Portanto, está confortável? Ainda bem. O ponto, porém, é que, como vimos, por um lado, a venda total seria feita por um valor elevadíssimo e permitiria que o Estado recuperasse o dinheiro que pôs na TAP, e isto simbolicamente é muito importante e é por isso que o governo está a insistir neste ponto, dos contribuintes conseguirem receber de volta o dinheiro que lá puseram. E, por outro lado, convém ter memória. Na fase final dos governos de António Costa, o PS admitia a privatização total. Era um dos cenários que António Costa admitia. Mas agora que está na oposição, pelos vistos, o PS já é contra. Obviamente, só será possível uma venda total se o PSD tiver o apoio do PS ou do Chega no Parlamento, com o Chega nunca se sabe, mas esta primeira reação dos socialistas mostra que o PS vai continuar a cometer erro atrás de erro no tema da TAP. Se bem que eu não admiraria que o Chega, perante isto, voltasse outra vez a mudar de posição e já fosse a favor da venda total com aquilo que soube ontem. Não me admirava nada. Quem viver verá.
No caso do PS, curiosamente, eles têm mudado de posição, e às vezes posições contrárias à que tinham anteriormente, mas conseguem mudar e ficar sempre do lado errado da história.
Não, sim, já tiveram todas as posições.
Mas sempre no tempo errado.
Sempre, erram sempre. Renacionalização, venda parcial, venda total, já tiveram em todo lado. É incrível, mas realmente, parece aquelas pessoas que não sabem dançar, estão numa discoteca e aquilo parece que estão assim com um ar esquisito. É o PS.
E agora vamos para o vilão.
Sim, é Mário Mourão, foi há dias reeleito líder da UGT, e numa entrevista à Renascença e ao Público, à nossa concorrência, Mário Mourão lamentou aquilo que diz ser a serenidade relativamente à forma como nós encaramos as questões em Portugal. Aqui somos muito serenos, mas quem é que quer uma coisa desta serenidade? E então ele disse ainda isto: "Ainda bem que em Espanha, em França, as pessoas vêm pra rua. Em Portugal ainda não há essa cultura". E é sempre assim. Quando perdem associados, quando perdem aliados no Parlamento, porque esses aliados perderam votos, os sindicatos viram-se sempre pra rua, ou seja, para o poder das minorias ativistas. E talvez seja útil fazer notar a Mário Mourão que em França, por exemplo, ele tanto admira aquilo que está a acontecer em França, houve edifícios incendiados, houve arremesso de pirotecnia contra a polícia, houve violência contra professores. Enfim, eu acho bem que não tenhamos essa cultura e que não a queiramos importar. Mil vezes a nossa serenidade. Se calhar, lá está, há quem não goste da serenidade. Mas o povo é sereno, Paulo.
O povo é sereno, é verdade.
O povo é sereno.
Quando faltam os argumentos políticos, pensa-se logo noutra coisa, não é?
É a luta.
Exato.
E vamos agora então ao resumo desta quinta-feira do Bom, o Mau e o Vilão. Bom: o governo, o Mau: o PS e o Vilão: Mário Mourão. São estas as escolhas de Miguel Pinheiro no episódio que ficará disponível daqui a pouco em observador.pt e nas plataformas digitais.
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