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Tuesday, October 20, 2026

Seguro rural: o que Flávio Bolsonaro e Lula propõem para proteger o agro

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A cobertura do seguro rural será um dos desafios do próximo presidente da República. Em um cenário de secas, chuvas excessivas e perdas de produtividade, a proteção financeira contra eventos climáticos é decisiva para reduzir o risco da atividade agropecuária e evitar que prejuízos de uma safra comprometam os investimentos e o pagamento de dívidas nos anos seguintes.

Os programas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preveem medidas para fortalecer a proteção dos produtores, mas não apresentam metas quantitativas para ampliar a área segurada nem definem o orçamento destinado à política no próximo mandato.

Flávio promete ampliar o seguro rural como parte de uma agenda de previsibilidade financeira para o produtor. Lula propõe fortalecer a política de seguro, ampliar o acesso à proteção na agricultura familiar e discutir um instrumento específico para enfrentar perdas sistêmicas provocadas por quebras severas de safra. Veja mais detalhes:

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Ampliação do seguro rural

O programa de Flávio Bolsonaro prevê ampliar a proteção dos produtores contra perdas na atividade agropecuária. A proposta associa o seguro rural à previsibilidade financeira e à possibilidade de planejar a produção para além de um único ciclo agrícola.

A iniciativa aparece vinculada à agenda de reorganização das condições financeiras do setor, em um contexto de maior exposição a riscos climáticos e de dificuldades para manter o pagamento dos financiamentos após perdas na lavoura.

O documento, entretanto, não define como seria feita a ampliação da cobertura, quais modalidades de seguro seriam priorizadas ou quais segmentos de produtores teriam preferência.

Também não apresenta metas para aumentar a área segurada, estimativas do número de beneficiados ou previsão de recursos para subsidiar os prêmios dos seguros contratados pelos produtores.

LULA

Fortalecimento da política e proteção contra catástrofes

O programa de Lula prevê fortalecer a política de seguro rural e discutir com o setor produtivo um instrumento para mitigar os efeitos de catástrofes. A proposta busca enfrentar perdas sistêmicas provocadas por quebras severas de safra, que podem atingir simultaneamente produtores de uma mesma região ou cultura.

O documento prevê diálogo com o setor para viabilizar esse mecanismo e integrar o seguro rural a instrumentos de comercialização e proteção financeira.

A agenda também inclui medidas de adaptação e resiliência climática, como ampliação da irrigação, conservação do solo, agricultura de precisão e modernização do monitoramento meteorológico e dos sistemas de alerta.

Na agricultura familiar, o programa prevê fortalecer o Programa Garantia-Safra e ampliar o acesso ao seguro rural. A proposta integra a política de proteção a outras medidas de apoio à produção de alimentos e de redução dos riscos enfrentados por pequenos produtores.

O programa, porém, não informa quanto pretende destinar ao seguro rural, não estabelece metas de expansão da área coberta e tampouco define o número de produtores que pretende beneficiar. Também não detalha o funcionamento, o financiamento ou os critérios de acionamento do instrumento voltado a catástrofes.

O TAMANHO DO DESAFIO

A baixa cobertura do seguro rural é um dos principais pontos de vulnerabilidade do financiamento agropecuário. Segundo dados reunidos pela CNseg e outras entidades, apenas 3,3% da área cultivada brasileira estava coberta por seguro rural em 2025, ante 16,3% em 2021.

A retração da cobertura reduz a capacidade de os produtores transferirem parte do risco climático para o mercado segurador. Quando uma quebra de safra compromete a receita, o agricultor pode ter dificuldades para pagar financiamentos, contratar crédito para o ciclo seguinte e manter os investimentos na propriedade.

A subvenção ao prêmio do seguro rural, por meio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), é um dos instrumentos utilizados para ampliar o acesso à proteção. A oferta de recursos e a regularidade dos repasses influenciam a capacidade de contratação pelos produtores.

A sanção, em setembro, da lei que moderniza o seguro rural representou um avanço regulatório. O efeito prático, contudo, dependerá da implementação das mudanças e dos recursos disponíveis para ampliar a cobertura.

Para o próximo governo, o desafio será transformar as promessas em uma política com financiamento previsível, maior alcance e instrumentos adequados aos diferentes riscos enfrentados pela produção agropecuária.

Aviso ao leitor: Esta reportagem faz parte de uma série da CNN Brasil sobre as propostas dos candidatos à Presidência da República para o agronegócio. Os textos abordam diferentes temas relacionados ao setor.

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