Felca revela diagnóstico de fobia social: veja sintomas e tratamentos
O influenciador Felca revelou ter sido diagnosticado com fobia social, também chamada de transtorno de ansiedade social, em um vídeo publicado nesta terça-feira, 20. A condição é caracterizada pelo medo intenso e persistente de situações em que a pessoa pode ser observada, avaliada ou julgada por outras.
No vídeo, Felca apresentou um laudo médico e relatou episódios de bullying e agressões físicas sofridos durante a adolescência. Segundo o influenciador, essas experiências afetaram sua capacidade de frequentar ambientes sociais, incluindo a escola e, posteriormente, a faculdade. O relato foi divulgado após um período de afastamento das redes sociais.
Em entrevista à EXAME, as psicólogas Natália Aguilar e Daisy Cangussú explicam que a fobia social vai além da timidez e pode comprometer atividades cotidianas, como conversar com desconhecidos, frequentar ambientes públicos, participar de reuniões e realizar entrevistas de emprego.
Segundo as especialistas, o transtorno envolve fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Experiências de humilhação e rejeição podem contribuir para seu desenvolvimento, mas não são suficientes, isoladamente, para explicar o diagnóstico.
O que é fobia social?
A fobia social é um transtorno de ansiedade marcado pelo medo persistente de situações em que existe a possibilidade de avaliação ou julgamento por outras pessoas.
Segundo Natália Aguilar, esse receio pode levar a pessoa a evitar encontros, apresentações, entrevistas de emprego e até atividades simples, como fazer compras, pedir informações ou atender ao telefone.
O sofrimento não ocorre necessariamente apenas durante a interação. Em alguns casos, a ansiedade começa dias antes, quando a pessoa passa a imaginar situações em que poderá ser rejeitada, criticada ou ridicularizada.
Quais são os sintomas da fobia social?
De acordo com Daisy Cangussú, os sintomas podem ser físicos, emocionais e comportamentais. Entre os mais comuns estão:
- Coração acelerado e palpitações;
- Suor excessivo e tremores;
- Falta de ar e tensão muscular;
- Náuseas e desconfortos gastrointestinais;
- Medo intenso de críticas ou rejeição;
- Dificuldade para falar ou organizar os pensamentos;
- Evitar encontros, compromissos e outras situações sociais.
Daisy acrescenta que algumas pessoas continuam analisando o próprio comportamento depois de uma interação, procurando possíveis erros em suas falas ou atitudes.
A preocupação constante com o julgamento alheio pode reduzir a participação em atividades sociais, acadêmicas e profissionais.
Qual é a diferença entre fobia social e timidez?
Embora possam apresentar características semelhantes, fobia social e timidez não são a mesma coisa.
A timidez é uma característica comportamental que pode provocar vergonha ou desconforto em situações novas, como conhecer alguém ou falar em público. Isso não significa necessariamente que exista um transtorno psicológico. "A timidez é uma característica que pode fazer parte da personalidade de alguém", afirma Natália.
Na fobia social, o medo é mais intenso e persistente. A pessoa pode deixar de participar de atividades importantes, mesmo quando deseja estar presente.
Daisy explica que a principal diferença está no sofrimento e nos prejuízos provocados na rotina. Uma pessoa tímida pode ficar nervosa antes de uma apresentação, mas conseguir realizá-la. Já alguém com fobia social pode sentir ansiedade tão intensa que passa a evitar situações semelhantes.
A psicóloga também ressalta que a introversão não deve ser confundida com um problema de saúde mental. Preferir ambientes tranquilos ou ter poucos amigos não caracteriza, por si só, um transtorno.
O que causa o transtorno?
A fobia social não tem uma causa única. Segundo as especialistas, seu desenvolvimento envolve uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Experiências de rejeição, humilhação, críticas excessivas e bullying podem aumentar a vulnerabilidade ao transtorno.
Natália explica que vivências negativas durante a infância e a adolescência podem influenciar a maneira como uma pessoa percebe os ambientes sociais. Quando alguém é exposto repetidamente a situações de humilhação, pode passar a associar determinadas interações ao risco de novas agressões. Esse medo pode persistir mesmo depois que a pessoa deixa o ambiente em que sofreu violência.
A psicóloga relaciona essa possibilidade ao relato de Felca, que descreveu episódios de bullying e agressões durante a adolescência. "Esse medo pode permanecer mesmo depois que a pessoa já não está mais naquele ambiente", afirma Natália.
Daisy acrescenta que evitar pode contribuir para a manutenção da ansiedade. Ao deixar de participar de uma situação temida, a pessoa sente alívio imediato, mas pode reforçar a percepção de que não conseguiria enfrentá-la.
As especialistas destacam, porém, que nem todas as pessoas que sofreram bullying desenvolvem fobia social. Da mesma forma, nem todos os pacientes apresentam histórico de experiências traumáticas.
Portanto, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre episódios de bullying e o diagnóstico de uma pessoa sem avaliação clínica individual.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico e considera a história de vida do paciente, a frequência e a intensidade dos sintomas e os prejuízos provocados nas atividades cotidianas. Segundo Natália, sentir vergonha ou desconforto ao falar em público não é suficiente para caracterizar o transtorno.
É necessário investigar se existe medo persistente, desproporcional à situação e capaz de comprometer relacionamentos, estudos, trabalho ou outras atividades. Em geral, os critérios diagnósticos consideram a presença dos sintomas por pelo menos seis meses.
Daisy explica que a avaliação pode incluir entrevistas clínicas e questionários específicos, além da investigação de outras condições que possam apresentar sintomas semelhantes. Entre elas estão o transtorno do pânico, a depressão e problemas de saúde que também podem provocar manifestações físicas de ansiedade.
Fobia social tem tratamento?
A fobia social tem tratamento, principalmente por meio da psicoterapia. Segundo Daisy, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) está entre as abordagens com melhores evidências científicas e ajuda o paciente a lidar com o medo de julgamento e a enfrentar situações sociais gradualmente.
Natália ressalta que esse processo deve respeitar as condições emocionais de cada pessoa. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico e o uso de medicamentos também podem ser necessários.
Fobia social tem cura?
Segundo Daisy, pessoas com fobia social podem apresentar melhora significativa com o tratamento e até alcançar a remissão dos sintomas. No entanto, não é possível garantir uma cura definitiva para todos os pacientes.
O objetivo do tratamento é reduzir o sofrimento e permitir que a pessoa participe de atividades sociais, profissionais e afetivas sem que o medo comprometa sua rotina.
É possível prevenir a fobia social?
Não existe uma forma garantida de prevenir o transtorno, mas algumas medidas podem reduzir fatores de risco, sobretudo na infância e na adolescência.
Para Natália, combater o bullying, evitar humilhações e promover ambientes familiares e escolares acolhedores são atitudes importantes. Pais e educadores também devem observar sinais de isolamento e medo excessivo de interações sociais, buscando orientação profissional quando necessário.
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