Morte de Netinho: o que é linfoma não Hodgkin, câncer que o cantor enfrentava desde 2025

- Author, Giulia Granchi
- Role, BBC News Brasil em Londres
Published
Tempo de leitura: 4 min
O cantor baiano Netinho, um dos nomes mais conhecidos do axé music, morreu nesta terça-feira (13/10), aos 60 anos, em um hospital de Salvador. Ele tratava desde 2025 um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que se origina no sistema linfático, parte do sistema de defesa do organismo.
Netinho foi internado no fim de fevereiro de 2025 no Hospital Aliança Star, em Salvador, com fortes dores nas costas e dificuldade para andar. Em março, um boletim médico divulgado no site oficial do artista informou que ele tinha um câncer no sistema linfático, "denominado linfoma", e que seguiria em acompanhamento onco-hematológico.
O boletim não detalhou o subtipo nem o estágio da doença.
O cantor passou por seis ciclos de quimioterapia e compartilhou as etapas do tratamento nas redes sociais. Meses depois, anunciou que os exames não detectavam mais a doença.
Em maio de 2026, porém, ele revelou nas redes sociais que o linfoma havia voltado. A descoberta veio durante exames para investigar um problema renal. "Meu linfoma voltou, será feita uma biópsia para detectar qual tipo de tratamento será feito", escreveu. No fim daquele mês, afirmou que se tratava de um linfoma "muito raro".
Em setembro de 2026, a equipe do cantor se referiu à doença como um linfoma não Hodgkin e, no comunicado anunciando sua morte, especificou que era do tipo B.
No fim de mesmo mês, a equipe do cantor informou que ele estava internado em Salvador "após a recidiva do linfoma não Hodgkin, diagnosticado em 2025", e que se afastaria das redes sociais para se concentrar no tratamento.
O que é o linfoma
O sistema linfático é uma rede de vasos, gânglios (os linfonodos) e órgãos como o baço, por onde circulam os linfócitos, um tipo de glóbulo branco responsável por defender o corpo contra infecções.
Pule Mais lidas e continue lendo
Mais lidas
Fim do Mais lidas
Pule Promoção Agregador de pesquisas e continue lendo

Fim da Promoção Agregador de pesquisas
O linfoma surge quando esses linfócitos sofrem alterações no DNA e passam a se multiplicar de forma descontrolada. As células doentes podem se acumular nos gânglios linfáticos ou em outras partes do corpo.
A doença é dividida em dois grandes grupos: o linfoma de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin. O primeiro leva o nome do patologista britânico Thomas Hodgkin, que o descreveu em 1832. A diferença entre os dois está nas células doentes. O linfoma de Hodgkin tem células grandes e facilmente identificáveis na biópsia, chamadas células de Reed-Sternberg. O não Hodgkin não tem um tipo celular característico.
O linfoma não Hodgkin, que era o caso de Netinho, é na verdade uma família de doenças, com grande variação de prognóstico e de tratamento.
"Felizmente, quase todos os linfomas têm tratamento. São muito poucos os que não podem ser tratados", disse à BBC News Mundo em 2022 a médica Carla Casulo, professora da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. "Esta é uma doença um pouco complicada, porque existem diferentes linfomas. Alguns são mais agressivos, outros completamente indolentes."
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin em 2026, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres. Na Bahia, Estado de Netinho, são esperados 640 casos. Para o linfoma de Hodgkin, a estimativa nacional é de 3.070 novos casos.
Entre os homens, o linfoma não Hodgkin é o décimo tipo de câncer mais frequente no país, sem contar o câncer de pele não melanoma.
Sintomas e causas
O sinal mais comum é o inchaço dos gânglios linfáticos, especialmente no pescoço, nas axilas e na virilha. Outros sintomas frequentes são febre, suor noturno excessivo, cansaço, tosse, coceira na pele e perda de peso.
Como esses sinais podem ser confundidos com os de outras doenças, como uma gripe, a recomendação é procurar um médico quando o inchaço nos gânglios não desaparece depois de alguns dias.
Na maioria dos casos, não se sabe o que causa um linfoma, e não há formas de prevenção estabelecidas. Alguns fatores aumentam o risco, como ter o sistema imunológico comprometido e a exposição a certos agentes químicos ou a altas doses de radiação. A doença não é contagiosa.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por biópsia, geralmente de um gânglio aumentado. Exames de imagem, como a tomografia, ajudam a definir o estágio da doença. É a biópsia que identifica o subtipo exato do linfoma, e isso orienta o tratamento.
As opções incluem quimioterapia, imunoterapia (muitas vezes combinada à quimioterapia), radioterapia e, em alguns casos, transplante de células-tronco hematopoéticas, popularmente chamado de transplante de medula óssea. Para alguns linfomas que voltam após o tratamento, existe ainda a terapia com células CAR-T, em que linfócitos do próprio paciente são modificados em laboratório para atacar o câncer.
Quando o linfoma volta depois de um período de remissão, o que os médicos chamam de recidiva, uma nova biópsia costuma ser feita para reavaliar a doença e definir a nova estratégia, como aconteceu com Netinho.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.



