O novo Capitão América assaltou o treino do seu rei

728 dias depois, o ciclismo ia ter um novo campeão do mundo de fundo. Essa era a única certeza à partida para a prova mais esperada destes Campeonatos do Mundo de Montreal, que ganhou ainda mais mediatismo depois do adeus de Tadej Pogacar à competição e à camisola arco-íris. Para a história fica a melhor prestação de sempre de um ciclista como campeão do mundo, com o esloveno a conseguir 40 vitórias, duas Voltas a França, sete Monumentos e dez triunfos em etapas de Grandes Voltas. Nesse sentido, Remco Evenepoel, Wout van Aert, Paul Seixas, Isaac del Toro, Mathieu van der Poel, Tom Pidcock, Juan Ayuso e Enric Mas partiam com sérias aspirações à conquista do ouro na prova deste domingo. Portugal também se apresentou no Canadá com uma equipa coesa, liderada por Afonso Eulálio, que foi nono há um ano, e João Almeida. Ivo Oliveira, Nelson Oliveira, António Morgado e Tiago Antunes completaram a Seleção Nacional.
“GP Montreal? Não vamos estar com nossas equipas e os Mundiais são 70 quilómetros mais longos. Isso vai fazer uma grande diferença em termos de potência explosiva no final. Haverá muitas possibilidades. Tudo pode acontecer e também viste isso no GP Montreal. Mesmo que um grupo perigoso pareça estar a distanciar-se, ainda podes alcançá-los. São 13,4 quilómetros por volta e precisas de estar alerta. Favorito? Com base nos resultados das minhas últimas corridas, provavelmente sim. Em maio, a história era diferente. Tenho certeza de que tenho uma boa oportunidade também numa chegada ao sprint. Não preciso ter medo de chegar ao final num grupo pequeno. Isso lembra-me dos meus sprints em corridas como a Liège-Bastogne-Liège, a Amstel Gold Race e San Sebastián este ano”, assumiu o tetracampeão do mundo de contrarrelógio.
“Estou ansioso, especialmente porque será a última corrida da temporada. Depois disso é hora de férias, mas ainda não fui jogar golfe por aqui. Fiquei contente com a sensação das minhas pernas, mas domingo será diferente. A minha forma é boa, mas isso não garante o sucesso. É um percurso complicado. É um pouco parecido com Glasgow [onde ganhou, em 2023], mas esta subida é mais difícil. Podes escrever mil cenários, mas só haverá um e temos que agir de acordo com ele. É uma vantagem que seja uma corrida difícil, porque isso diminui um pouco o ânimo de todos no final. Nessa altura, como ciclista de clássicas, aproximas-te dos trepadores. A beleza dos Mundiais é eles serem sempre imprevisíveis, mesmo sem fones de ouvido. Isso agrada-me bastante”, revelou o neerlandês.
UCI Road World Championships ME 2026
???? Brossard
???? Montreal
????????♂️ 273 Km
☁️ Weather: Overcast clouds
????️ 14°C (app 14°C, min 13°C – max 20°C)
☁️ Clou.: 100%, vis.: 100%
???? Hum.: 43%
????️ Wind: 19 km/h NE (max: 25 km/h ENE)
Route: https://t.co/yMCjvR9EjO pic.twitter.com/dw42ioFwdc— La Flamme Rouge (@laflammerouge16) September 27, 2026
O ponto alto de Montreal-2026 chegou com um longo percurso de 273,2 quilómetros, feitos maioritariamente em circuito, e mais de 3.800 metros de desnível positivo acumulado. O circuito final tinha de ser percorrido 12 vezes, contando com 13,4 quilómetros e 269 metros de desnível e a subida de 560 metros, na Avenue du Parc, que criou bastantes dificuldades aos ciclistas no contrarrelógio, com 4% de inclinação e pendentes de 6%. O percurso era conhecido por grande parte dos presentes, já que é o mesmo que faz parte do Grande Prémio de Montreal, conquistado, há duas semanas, por Del Toro. A diferença é que, na clássica canadiana, o circuito final tem 16 voltas.
Como habitual, o início da corrida foi feito a toda a velocidade, com as seleções menos favoritas a tentarem integrar a fuga do dia, composta por 16 elementos, com destaque para as presenças de Andreas Leknessund, Felix Engelhardt e Biniam Girmay. A entrada no circuito deu-se com o grupo da frente com mais de seis minutos de vantagem, depois de ter percorrido os primeiros 100 quilómetros à velocidade de 47 km/h. No final da terceira volta, Afonso Eulálio despediu-se da corrida depois de ter perdido o contacto com o pelotão, onde seguiam os restantes companheiros, na primeira volta.
Van der Poel, a lo ???????????????????????? ????
Mathieu funde a Van Aert y Roglic y se lleva en cabeza a Simmons y Onley.#Montreal2026 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/kH5iPeHnEB
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) September 27, 2026
A corrida acabou por se abrir nos últimos 100 quilómetros, altura em que França abriu as hostilidades e deu início a uma série de ataques e contra-ataques que deixou Oscar Onley, Mathieu van der Poel e Quinn Simmons na dianteira a 70 quilómetros da meta, com uma curta vantagem sobre Primoz Roglic, Wout van Aert e Anthon Charmig, numa fase em que João Almeida já tinha abandonado. O esloveno acabou por conseguir chegar à frente mas, a 52 quilómetros da chegada, Van der Poel voltou a atacar na subida, deixando de vez o britânico para trás. Na mesma zona, Isaac del Toro tentou atacar no grupo mais numeroso, numa altura em que Evenepoel estava muito atrás, mas recolou no terceiro grupo com o apoio de Van Aert. Ben Healy também fez a ponte para a frente, antes de haver nova fusão na frente. Matteo Jorgenson contra-atacou de imediato e deixou Roglic, Healy e Simmons em dificuldades, seguindo apenas com Del Toro, Seixas, Giulio Ciccone, Tom Pidcock, Van der Poel, Brandon McNulty e Michael Matthews.
Antes da 11.ª passagem pela meta, McNulty também atacou e abriu um pequeno espaço que, na meta, já estava acima dos 60 segundos. Na subida seguinte, Pidcock voltou à carga e colocou Del Toro e Van der Poel em dificuldades, mas os dois, juntamente com Healy, reentraram na fase mais plana, ao passo que Evenepoel juntou-se na subida e contra-atacou Van der Poel dentro do último quilómetro da penúltima volta, mas viria a ser alcançado na meta. À entrada para os últimos dez quilómetros, a diferença baixou para apenas 15 segundos, mas os rivais deixaram de trabalhar e o norte-americano voltou a fugir. Na subida, Van der Poel voltou a atacar, mas pouco mudou.
VISTIÉNDOSE DE POGACAR.
'MAKING AMERICA GREAT AGAIN'.???????????? ¡???????????????????????????? ???????????????????????????? ES CAMPEÓN DEL MUNDO EN RUTA Y DEVUELVE A ESTADOS UNIDOS A LA CIMA 33 AÑOS DESPUÉS!
Michael Matthews y Mathieu van der Poel, plata y bronce respectivamente.#Montreal2026… pic.twitter.com/LJPht5LdPd
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) September 27, 2026
Mauro Schmid respondeu de novo na fase mais plana e distanciou-se de Pidcock e que também atacaram e se juntaram ao suíço na subida final. No final, Brandon McNulty sagrou-se campeão do mundo pela primeira vez e sucedeu ao amigo Tadej Pogacar, com Michael Matthews a terminar no segundo lugar e Mathieu Van der Poel em terceiro, a 13 segundos do norte-americano. Desta forma, os EUA voltam ao topo do ciclismo 33 anos depois de Lance Armstrong ter vencido em Oslo.
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