Lula reúne multidão e mira jovens; Flávio mobiliza aliados e fala em evitar 'já ganhou'
Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula (PT) reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), e dirigiu sua fala aos jovens.
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro (PL) juntou aliados também na capital paulista para pedir mobilização no segundo turno, falou em evitar um clima de "já ganhou" e cobrou agilidade da Justiça Eleitoral contra o que chamou de mentiras da campanha petista.
Convocada por estudantes, fandoms, movimentos sociais e partidos de esquerda, a Marcha pela Democracia buscou reverter o desânimo entre apoiadores de Lula após Flávio terminar o primeiro turno à frente do petista.
Além da capital paulista, houve atos em 76 cidades pelo país, entre manifestações, caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens, segundo a a plataforma Comitê Popular de Luta, que reúne agendas de atividades da militância e de apoiadores da campanha.
Em São Paulo, a avenida Paulista chegou a ficar ocupada ao longo de 12 quarteirões, na maior parte de sua extensão de 2,8 km, uma multidão que a esquerda não conseguia agrupar no local desde protestos contra o governo Jair Bolsonaro (PL).
Não houve, porém, estimativa oficial de público. O Monitor do Debate Político no Meio Digital (USP/Cebrap) e a More in Common Brasil disseram que não fizeram contagem porque a campanha não autorizou o sobrevoo com drone. A Polícia Militar não respondeu se realizou levantamento.
O PT tenta transformar a presença nas ruas em votos. A estratégia inclui reduzir a abstenção e incentivar militantes a convencer eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno. No primeiro Datafolha após a definição do confronto, Flávio apareceu com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula.
Em seu discurso, o presidente reconheceu a dificuldade de se conectar à juventude e defendeu que os jovens participem das decisões políticas.
"A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima para baixo", afirmou.
Lula disse ter aprendido uma lição com a manifestação e pediu aos presentes que assumam responsabilidades na vida política. Também prometeu uma revolução tecnológica caso seja reeleito.
O presidente seguiu: "Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto. Vocês têm que assumir a responsabilidade enquanto são jovens, enquanto tem disponibilidade de ir à luta. Esse país não pode perder a democracia, por pior que ela seja".
No evento, Lula apresentou governadores eleitos e reeleitos do Nordeste (Rafael Fontenelle, do Piauí, Elmano de Freitas, do Ceará, e Jerônimo Freitas, da Bahia), e lembrou ao público da Paulista que muitos dos eleitores do estado são descendentes de nordestinos.
Em Brasília, apoiadores ocuparam parte do Eixão Norte. No Rio de Janeiro, houve manifestações na orla de Copacabana. Fora das capitais, Niterói, na região metropolitana do Rio, teve uma das principais mobilizações.
Em Salvador, atos ocorreram em Piatã, Campo Grande e Barra. No Recife, manifestantes se concentraram na região do Parque 13 de Maio e seguiram em caminhada pelo centro em direção ao Marco Zero. Em Goiânia, apoiadores partiram da Praça Universitária e caminharam até a Praça Cívica.
Em Belo Horizonte, apoiadores fizeram um bandeiraço na rua dos Carijós e depois caminharam pela Feira Hippie, na avenida Afonso Pena. Em Manaus, o ato "Vira Vira Lula" reuniu apoiadores no Largo de São Sebastião e foi seguido por uma carreata pelo centro da cidade. Também houve atos em Vitória, Aracaju e Florianópolis.
Também foram registrados atos em cidades como Campinas e Juiz de Fora, onde apoiadores fizeram passeatas por regiões centrais.
O apelo à militância ocorre depois de o presidente admitir problemas na organização da campanha de primeiro turno. Na quarta-feira (7), ele disse a aliados que o esforço eleitoral foi o menos organizado de suas disputas presidenciais desde 1989 e que poderia ter feito mais.
O Metrô chegou a fechar temporariamente a estação Trianon-Masp, da linha 2-verde, devido à alta concentração de pessoas no sistema. Em nota, disse ter acionado seu plano de controle de multidão e ampliado a oferta de trens em outras linhas.
Acessos de ao menos duas estações do metrô chegaram a ser alvo de vandalismo —com pichações, grades e estruturas de acesso quebradas.
Governador e prefeito
Enquanto o petista tentava impulsionar apoiadores na Paulista, Flávio reuniu aliados num almoço no centro de São Paulo. Participaram Tarcísio, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), além de prefeitos e vereadores da região metropolitana. Também estavam presentes o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP).
No almoço, Tarcísio e Nunes também confirmaram uma manifestação pró-Flávio na avenida Paulista para o próximo domingo (18). Segundo o governador, Flávio e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) participarão do ato. Nunes negou que a convocação tenha o objetivo de disputar público com a marcha de Lula.
O candidato do PL acusou o governo Lula de fazer da mentira uma estratégia de campanha e pediu resposta mais rápida da Justiça Eleitoral à desinformação que atribui aos adversários. Flávio negou que pretenda extinguir programas sociais ou acabar com o reajuste do salário mínimo, como afirmam seus oponentes.
"Eu espero de verdade que a Justiça Eleitoral continue, seja mais ágil inclusive. Porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa. E como foi dito, algumas pessoas acreditam nisso: ‘O Flávio vai acabar com a luz do sol’, e tem gente que acredita", afirmou.
"E hoje o principal instrumento que nós temos é a comparação. De um lado, o governo mentiroso. Gente, é uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles estão inventando. E é de propósito, a estratégia de campanha é mentira", disse.
A disputa sobre desinformação chegou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) neste domingo. A pedido da campanha de Flávio, o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, mandou censurar o canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e seguido por mais de 3 milhões.
Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal por considerar insuficientes as provas para suspendê-lo integralmente.
Lula criticou a primeira decisão, e a campanha de Flávio acusou Cueva de complacência com notícias falsas.
Flávio afirmou aos aliados que a disputa está favorável, mas pediu que evitem o clima de "já ganhou". "Não tem nada resolvido", disse. Ele cobrou esforço para levar novamente às urnas quem votou nele no primeiro turno e conquistar outros eleitores, numa mensagem semelhante à de Lula sobre a necessidade de fazer a militância agir fora dos palanques.
O candidato fez um apelo especial aos vereadores, a quem chamou de seus melhores cabos eleitorais pelo contato cotidiano com os municípios. Tarcísio também pediu empenho nas duas semanas finais de campanha para buscar indecisos e reduzir a abstenção. Nunes cobrou a retomada dos comitês locais, a distribuição de adesivos e a realização de bandeiraços.
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