Advogado de Russell Brand alega que acusações de estupro e agressão estão ‘contaminadas’

Em suas alegações finais, Ian Winter tentou minimizar as acusações contra o comediante, afirmando que as seis pessoas que o acusaram foram influenciadas por reportagens sobre a suposta má conduta de Brand
Rolling Stone
O advogado de defesa de Russell Brand afirmou que as mulheres que vieram a público com acusações de estupro e agressão sexual foram “completamente contaminadas” por um documentário de 2023 que, pela primeira vez, trouxe à tona alegações de má conduta contra o comediante e YouTuber.
Em suas alegações finais na segunda-feira, 2 de novembro, o advogado Ian Winter buscou desacreditar e minimizar as seis mulheres cujas acusações sustentam o processo criminal contra Brand (segundo a Sky News). Ele sugeriu que a decisão delas de vir a público “não foi aleatória” e que elas não agiram de forma independente umas das outras.
“Todas elas se apresentaram porque foram trazidas por convite daquele programa”, disse Winter, referindo-se ao programa investigativo Dispatches, do Channel 4. “Todas elas, a nosso ver, estão profundamente contaminadas pelo programa. O próprio fato de serem denunciantes está fundamentalmente corrompido por esse programa e pela publicidade, o que torna tudo isso fundamentalmente injusto.”
Winter alegou, ainda, que a reportagem sobre Brand no Dispatches, juntamente com uma matéria no Sunday Times, “envenenou os poços, com a esperança e a intenção de que outras pessoas se manifestassem e fizessem acusações contra ele”.
Winter tentou, ainda, minimizar as alegações ao focar no comportamento das acusadoras de Brand. Ele deu a entender que os encontros teriam sido consensuais, argumentando que nenhuma das mulheres “resistiu, gritou ou sequer tentou ir embora”. Ele mencionou, especificamente, a quinta denunciante, que afirmou ter sido estuprada analmente por Brand em 2009. “Ela não se virou, não chutou, nem tentou impedi-lo de qualquer forma”, disse Winter. Mais adiante em sua fala, Winter descreveu essa mulher como “uma fã obcecada”.
Por outro lado, Winter tentou tirar proveito da confusão que algumas das mulheres sentiram após as supostas agressões sofridas. Por exemplo, Winter alegou que a primeira denunciante — que acusou Brand de estuprá-la em 1999 — “comportou-se normalmente” no dia seguinte à suposta agressão e admitiu, ao falar com a polícia, não ter certeza se havia sido estuprada. Winter insistiu que “simplesmente não é possível ser estuprada e achar que isso é normal”.
Além disso, Winter afirmou que as mulheres descreveram o comportamento de Brand, após essas supostas agressões, como “normal” — o que “não poderia ter acontecido se ele fosse culpado”. Winter declarou que “não há evidências de que [Brand] seja algum tipo de psicopata que estupra pessoas e acha isso normal”. Ele acrescentou: “O fato de ele ter se comportado de maneira normal durante e após todos esses estupros diz a você o que precisa saber. Ele acreditava que todas elas eram consensuais”.
Durante suas alegações finais, Winter fez algumas concessões a respeito de Brand. Ao abordar as alegações da segunda denunciante — que acusou Brand de tentar arrastá-la para um banheiro e agredi-la em 2001 —, Winter admitiu que seu cliente “estava agindo como um completo lunático”. Contudo, ele afirmou que, quando a mulher “bateu o pé e disse ‘de jeito nenhum’”, Brand “aceitou”.
Além disso, Winter reconheceu que Brand teve uma “quantidade imensa de relações sexuais” ao longo de sua vida, mas insistiu que nada disso “foi ilegal”. Ele incentivou o júri a deixar de lado quaisquer reservas que pudessem ter em relação a esse comportamento, afirmando: “Levar uma vida altamente promíscua é algo totalmente legal, por mais moralmente desagradável que isso possa parecer a vocês. Repugnante, desagradável, imoral — e daí? Isso é irrelevante para a análise de vocês”. Winter acrescentou: “até mesmo ser manipulador na busca por sexo consensual é algo perfeitamente legal”.
A argumentação final de Winter ocorre após o encerramento da apresentação das provas pela acusação contra Brand, na última sexta-feira. A promotora Riel Karmy-Jones defendeu as mulheres que vieram a público, ressaltando a independência delas e refutando a ideia de que as reportagens sobre Brand teriam exercido “uma influência tão subliminar sobre as mentes de seis mulheres perfeitamente racionais” a ponto de levá-las a “inventar, reimaginar, ressignificar ou reinterpretar” seus encontros com ele (segundo o The Guardian).
E, sobre o próprio Brand, Karmy-Jones declarou: “Para ele, as mulheres, de modo geral, eram descartáveis; elas não importavam, ele nem precisava saber os nomes delas. Quando vocês dedicarem tempo para analisar as provas adequadamente, [acredito que] ficarão convencidos de que as seis denunciantes estão dizendo a verdade.”
Brand declarou-se inocente de todas as sete acusações que pesam contra ele. Antes do início das alegações finais, o juiz informou ao júri que, quando as deliberações tiverem início, ele só aceitará vereditos unânimes para todas as acusações.
FONTE: Rolling Stone
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