Bollywood HungamaBREAKING: Jailer 2 ends with the promise of third part; Hrithik Roshan's massy special appearance has a Chulbul Pandey connection (Spoilers ahead)ESPNTransfer rumors, news: Liverpool eye move for Juventus' KaluluCNN TürkBakan Çiftçi duyurdu: 48 il için sarı, 5 il için turuncu kodlu uyarı!The Jerusalem Post'Mother of all bombs': US potential Iran strike plans include largest non-nuclear weapon - reportPunchWhy I stepped away from football – SouthgateESPN DeportesBrewers gana a Dodgers y lo tiene a un triunfo de la barrida한겨레국가 지원 ‘청년 첫 연금’도 양극화…사전신청 70% “부모가 대신”InquirerSenators deny 2027 budget used to pressure them to convict Sara DuterteThe South AfricanOrlando Pirates injury news: Nduli, De Jong, Mbatha, DlaminiUOLEleitores com dificuldade de locomoção podem pedir transporte gratuito para votar; veja comoZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioGIGAZINESakana ChatにAIの記憶を可視化する新機能「My Fish」が登場、覚えている内容や記憶同士のつながりを確認可能に
The Daily Newsstand · Free, Always
Thursday, October 15, 2026

Qual era o verdadeiro aspeto físico de Jesus?

Translate

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Muito bem-vindos a mais um episódio especial de "As Histórias da Bíblia". Nesta terceira temporada, todas as semanas, às quintas-feiras, continuamos a responder a uma pergunta dos nossos ouvintes sobre a Bíblia e temos recebido muitas perguntas, comentários e sugestões no nosso e-mail: ashistoriasdabiblia@observador.pt. Também temos recebido muitos comentários no YouTube e nas plataformas de podcast. Já sabem, estamos aqui todos os domingos às 9h00, na Rádio Observador e sempre em podcast, e também às quintas-feiras. É um episódio mais curto, exclusivamente em podcast, para responder às dúvidas dos ouvintes. Quem quiser colocar perguntas aos padres João Bastos e Daniel Nascimento sobre a Bíblia, já sabe, pode escrever-nos para ashistoriasdabiblia@observador.pt. Ora bem, no episódio do último domingo estivemos a falar sobre Judite, a mulher que derrotou um exército inteiro. Se não ouviu na Rádio Observador, pode encontrar o episódio em podcast em todas as plataformas. Esta semana vamos tentar responder a uma pergunta que nos foi enviada pelo nosso ouvinte Rui Pedro Melo. Enviou-nos o seguinte e-mail: "Antes de mais, os meus parabéns pelo excelente trabalho que fazem neste programa, que escuto sempre em podcast". Eu gosto sempre de ler esta parte dos e-mails dos nossos ouvintes.

Muito obrigado.

Muito obrigado. "Gostaria de questionar o seguinte: a Bíblia dá alguma pista sobre o verdadeiro aspeto de Jesus? A pintura e o cinema representam habitualmente Jesus como um homem de cabelos e olhos claros, mas tendo em conta a região de onde é natural, essa fisionomia é pouco provável, ou não. Que descrições mais ou menos fidedignas temos nós de Jesus?" Vamos lá saber. Quem consegue esclarecer o nosso ouvinte sobre qual a probabilidade de Jesus Cristo se parecer realmente com o Diogo Morgado?

Falado assim, até é mais fácil. Mas nós realmente não sabemos como era o rosto exato de Jesus. Não existe propriamente um retrato contemporâneo, nem uma descrição física completa ou até parcelar nos Evangelhos. Ou seja, os Evangelhos, como falámos no episódio dos Evangelhos, não são uma biografia contemporânea de Jesus e não estão focados nesta descrição das características físicas de Jesus. Isso até marca diferença para textos mais ou menos contemporâneos, um bocadinho anteriores ou posteriores, como as "Vidas Paralelas" de Plutarco, a vida dos 12 Césares de Suetônio, onde a descrição física é claramente mais assinalada. Portanto, aquilo que nós podíamos dizer é que o possível é fazer uma abordagem contextual, ou seja, dado o contexto onde Jesus nasceu e a predominância de certos tipos de características, por aquilo que são os registos arqueológicos, poderíamos chegar a uma imagem aproximada. Ainda assim, é preciso dizer que as primeiras imagens cristãs surgiram séculos depois e representaram Jesus de maneiras diferentes: jovem sem barba, como um pastor, às vezes semelhante às representações de Aristóteles e Platão, como uma pessoa sábia, ou até como um soberano, a ideia do Cristo Pantocrator. Mas a verdade, embora a representação de Jesus Cristo mainstream tenha sido influenciada pelas características das populações europeias, mas também pelas características da cultura mediterrânica onde Jesus nasceu, e portanto, pelas representações dos deuses e dos imperadores, Jesus, como deus e imperador, de certa maneira, dos cristãos é associado a esta imagem. Muito embora isso, existem imagens de Jesus com quase todas as características étnicas, desde mais próximo dos asiáticos, mais próximo dos latinos. Tudo isso acaba por existir. Aliás, basta irmos para as representações da arte copta ou da arte da Etiópia, que tem uma forte presença cristã, e Jesus Cristo é claramente descodificado para lá dessas imagens.

Todos os povos cristãos hão de fazer representações de Jesus, de certa maneira, próximas daquilo que é a sua realidade, do que é um ser humano.

Podemos dar este exemplo: quando a idade barroca, aquela transição também do Renascimento para o Barroco, representou Jesus com a samaritana no poço, representou Jesus muitas vezes vestido como um homem mediano da época barroca, não o representou com uma túnica. Também existem representações de Jesus no Peru a comer com os discípulos como comem os povos nativos do Peru.

Quando estive no Peru, vi uma pintura magnífica que é uma última ceia em que Jesus e os discípulos estão a comer porquinho-da-Índia, que é o prato tradicional festivo do Peru, e aquele povo quando quis representar Jesus numa festa com os discípulos, pôs o prato que tinha.

Isso é uma característica não só das representações de Jesus, mas também de várias figuras históricas. Basta irmos a um museu e vermos figuras históricas gregas, romanas, etc., que são representadas também às vezes a partir dos códigos e do conhecimento da própria cultura em causa. Não é de estranhar que vejamos diferentes tipos de Jesus com diferentes cores de pele a partir disso. De qualquer forma, acho que também olhando, tentando fazer uma perspectiva mais histórica, até porque não há qualquer dado nos Evangelhos, também não há qualquer indicação que Jesus fosse muito diferente, que fosse muito alto, que fosse muito baixo, que tivesse um aspeto muito diferenciado. E portanto, é lógico, como fazem todos os especialistas, assumir que Jesus seria de uma estatura, de uma aparência média e corresponderia àquilo que o João dizia.

Aqui há um estudo.

O João tem dados concretos.

Eu não tenho dados concretos. É uma senhora de Edimburgo, escocesa, que fez um estudo, uma senhora chamada Joanne Taylor, a partir de dados arqueológicos, que fez uma espécie de média da época. O que é que era o homem médio daquela zona, nascido naquela zona, de pais principalmente daquela zona. Estamos a falar de alguém que tinha uma pele morena ou acastanhada, com olhos também castanhos, que era aparentemente o predominante, o cabelo também ele escuro

E com barba curta ou pouco cuidada. Já deixo à imaginação dos ouvintes. Teremos uma estatura média da época na região para os seres de sexo masculino de 1,65 m. Jesus não seria também, como diz o Daniel, nem muito mais alto, nem muito mais baixo. São pessoas relativamente magras, até por causa do trabalho manual. Jesus Cristo não seria propriamente um lutador de sumo.

Exato.

E também vestiria possivelmente uma túnica simples, atingida até aos joelhos. Não propriamente aquela ideia da túnica até aos pés, mas sem excluir essa hipótese. Agora, esta ideia de que Jesus é representado em diferentes culturas da maneira às vezes mais nobre dessa cultura ou a partir de elementos dessa cultura, é algo importante no cristianismo, porque o cristianismo tem aquela ideia fundamental da encarnação. Jesus Cristo não se faz só próximo, Jesus Cristo está naquela cultura, adota os códigos daquela cultura e a abraça. Não por acaso, foi famosa recentemente aquela representação na favela da Rocinha, onde Jesus está numa espécie de festa de uma favela brasileira, com pessoas à mesa com ele, que estão com a camisa do Brasil, Jesus claramente com uma pele muito mais escura, muito mais próxima dos habitantes daquela zona geográfica. Isto é perfeitamente natural. Agora, historicamente, podemos fazer uma aproximação, mas qual é o retrato-robô de Jesus?

E depois é óbvio que até vemos isso nos santos, não é preciso ir pra figura de Jesus, mas se calhar por maioria de razão, as representações dos santos são sempre um bocadinho idealizadas. E a de Jesus também, já mesmo na antiguidade, então em época medieval, moderna, contemporânea, é claro que há uma representação de beleza que simboliza aquilo que veem em Jesus e mais o significado da sua pessoa do que propriamente uma descrição física. E a Bíblia, em geral, é muito parca nesse tipo de detalhes. Se olharmos para o Novo Testamento, podemos ver que sabemos que São Pedro teria algum sotaque do norte. Não trocava os B pelos V, mas sabemos que a sua fala de Galiléia é identificada nos episódios da paixão. O próprio São Paulo, na segunda carta aos Coríntios, dá a entender que era de fraca aparência, portanto, provavelmente seria um homem baixo, sem grande imponência física. Aliás, São Paulo, até há um texto do século II que já dá mais algumas características: seria baixo, calvo, etc. Portanto, é nesta escassez de dados concretos, mas as representações iconográficas são obviamente mais grandiosas, também mais pela importância da pessoa.

Sim, porque também para o cristianismo é importante dizer, embora tenha havido uma espécie de procura e ainda continue a existir uma procura pelo Cristo histórico, a verdade é que os cristãos também sempre se relacionaram não com o Cristo histórico, mas com aquilo que já falamos aqui no programa, uma espécie de Cristo da fé. É próprio do cristianismo reelaborar a imagem de Jesus, porque ele não se está a relacionar com uma pessoa que nasceu, viveu e morreu, mas também com o filho de Deus, com uma das pessoas da Santíssima Trindade.

Realmente, é inegável que, no contexto da Europa Ocidental e do Ocidente, há uma ideia daquele Cristo que eu disse no início, do Diogo Morgado.

Ou do Ciarán Hinds também. São ideais de beleza modernos, nossos.

Mas até me lembro que realmente, no contexto dessa busca de uma aparência mais fidedigna, aqui há uns anos, quando se inaugurou aquela nova basílica no Santuário de Fátima, um dos aspectos que deu mais que falar foi que o grande Cristo crucificado que está na Basílica da Santíssima Trindade em Fátima, não se parece nada com essas imagens que nós temos habitualmente de Jesus, mas foi feita ali uma tentativa de aproximação ao que seria o homem típico do Medio Oriente daquela altura e isso, na altura, até gerou choque.

Sim, e isso aconteceu no século XX muitas vezes. Há, por exemplo, uma igreja em Plateau d'Assy, Notre-Dame de toutes les grâces, em que o pároco, a certa altura, muito ousadamente, convidou os maiores artistas da época franceses para comporem obras de arte para aquela igreja. E aquilo até agora é um bocado cacofónico, porque tem muita coisa. Não foi algo planeado, porque eu acredito que ele nem imaginava que o Matisse ia responder. Então há um Cristo, que é o Cristo de Rocher, que foi na altura muito polémico, com panfletos a circular, porque é uma imagem de Cristo muito estilizada e muito bruta. E houve panfletos a circular com uma imagem kitsch de Jesus, aquelas que nós vemos às vezes à venda em qualquer lado, numa loja de santos, e a imagem daquele crucifixo a dizer: "Este não é o nosso Jesus".

Pois.

Porque realmente a imagem de Jesus muitas vezes se standardizou de uma maneira, mas eu creio que estas tentativas da arte contemporânea de às vezes fragmentar a imagem de Jesus e tentar que nós nos desabituemos de uma certa imagem de Jesus, são muito importantes, porque nos permitem imaginar, reimaginar e dar outras paisagens do rosto de Jesus. Isso acontece no cinema, por exemplo, com o Pasolini e num outro filme também sobre Jesus, que eu não me lembro do realizador, mas se chama "Il Vangelo secondo Matteo", que é também de origem italiana, onde Jesus é mesmo uma pessoa tosca, um homem muito tosquinho, nada a ver com o Miguel Morgado. Acho que isso também nos ajuda.

Com o Diogo Morgado.

Com o Miguel Morgado e também com o Diogo Morgado. Desculpem lá. Estou no Observador, saio com o nome de Miguel Morgado. Se ele estiver a ouvir, pedimos perdão. Mas acho que isso é muito importante. Estas imagens são muito interessantes.

Muito bem, fica por aqui este episódio especial em que procuramos responder à dúvida enviada pelo nosso ouvinte Rui Pedro Melo. Não sabemos se ficou totalmente esclarecido. A resposta foi 10 minutos para dizer: "Não sabemos".

Exatamente.

Mas enfim, deu aqui uma reflexão interessante sobre as representações de Jesus. Já sabe, se quiser enviar uma pergunta pro podcast "As Histórias da Bíblia", pode escrever-nos para o nosso e-mail ashistoriasdabiblia@observador.pt ou então pode deixar um comentário na plataforma onde nos estiver a ouvir. Nós voltamos no próximo domingo com mais um episódio da nossa terceira temporada. Vamos falar sobre Esdras e Neemias, duas figuras fundamentais para compreender a reconstrução de Jerusalém depois do cativeiro na Babilónia. E na próxima quinta-feira voltamos para responder a mais uma pergunta dos nossos ouvintes. Até domingo.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.