Médicos amputam perna errada a doente

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Vocês ouçam bem o que eu vos digo. Se por acaso estão para ser operados em breve, tenham a certeza absoluta de que a equipa no bloco sabe mesmo o que está lá a fazer. Tenho uma história inacreditável para contar, que podia ser um filme de terror, mas isto aconteceu mesmo. No estado de Ohio, nos Estados Unidos, uma doente entrou no hospital para amputar uma perna, mas a operação não correu como esperado. Ela chama-se Sharon Jackson, tem 74 anos, é uma veterana do exército norte-americano. A história começou quando ela foi internada no Hospital Geral de Selby para amputar a perna direita abaixo do joelho para tratar um cancro de pele e os médicos operaram a perna esquerda. O resultado: quatro meses mais tarde, num outro hospital, a doente teve de ser submetida à cirurgia para remover a perna direita, que realmente tinha o cancro, ou seja, ficou sem as duas pernas. Eu só estou a pensar se isto acontecesse ao teu primo, Paulo, que só tem um rim. Era o fim dele.
Era o fim.
Era o fim dele.
Pois, sem os dois rins.
Não dava.
De facto, não dava. Mas eu acho que ele continuaria a ser engenheiro, de qualquer maneira.
Exatamente. Bem, mas isto é sério. Claro que a senhora processou a instituição. São 32 páginas de processo judicial. Os registos médicos mostram que a equipa cirúrgica chegou a fazer duas pausas de verificação antes da operação. São aqueles momentos obrigatórios chamados timeout, em que se confirma a identidade do doente, o tipo de cirurgia e o local correto a operar. Ainda assim, ninguém reparou no engano. O processo acusa a equipa de desrespeito consciente das regras e de ter provocado uma lesão catastrófica e permanente. Entretanto, o hospital já veio a público admitir que foi um erro evitável, que os procedimentos de segurança não foram seguidos. Dizem também que os profissionais responsáveis foram sancionados e afastados dos cargos e que continuam a ter a doente e a família nas suas orações. Obrigadinha.
E que estes médicos nunca mais voltam lá a fazer uma perninha naquele hospital.
É isso. Mantém-se nessa-
Não quero pensar isto, mas não me queres dizer.
Isto parece um filme de terror. Como é que isto acontece?
Não, mas este tipo de se enganar.
É que é amputar uma perna.
É amputar, é operar é um osso. Exatamente. É irreversível.
É assustador. Os tribunais norte-americanos não vão perdoar, seja lá como for. Não vai resolver nada.
Algures nos Estados Unidos há um advogado muito contente.
Vários. A oferecerem, seguramente, porque sendo aquilo que está-
O problema é que não é reversível, não é? Não dá para corrigir. Sim, neste caso, não.
É mesmo essa. É um erro. Às vezes acontece, e não devia acontecer. Podia dar um filme.
Podia.
De terror.
De terror. Com muitos ou poucos espetadores, Carla?
Essa é que é a questão. Vocês lembram-se da última vez que foram ao cinema? Continuam a ir ao cinema?
Eu lembro-me, já foi há uns meses.
Já foi há uns meses.
Mas eu também já fui há uns meses. Já foi há uns meses.
Tu vais a visionamentos. Também não consegues, que costumam ser de manhã.
Não, às vezes sim. Fui ver o Odisseia. Eu ainda não vi Odisseia. Foi o último que vi.
Pronto, já foi há uns meses.
Já.
Provavelmente, já foi.
Eu fui há mais tempo.
Eu nem me lembro.
Nem visionamento.
E tu, Paulo?
Eu fui aqui há três semanas. Agora estou-me a tentar lembrar o filme que fui ver. Eu também estive aqui a puxar pelos meus neurónios.
É que eu não me lembro do último.
Mas fui aqui há três semanas, quatro no máximo.
Isto para dizer-
As pessoas continuam a ir ao cinema. Fui mais recentemente ao teatro do que ao cinema, curiosamente.
Também eu. É curioso, não é?
Sim, tenho ido mais vezes ao teatro do que ao cinema.
O cinema está em casa agora.
Sim, mais cedo ou mais tarde acabam por chegar as plataformas. Há várias vantagens, mas há uma grande vantagem, ou pelo menos uma grande sensação de conforto, é que se tu fores ao teatro, não vais ter que levar com os ruídos insuportáveis.
Das pipocas.
Das pipocas, das pessoas a falar. Das pipocas, das outras pessoas. Telemóvel. Acho que essa-
Não será por isso. Eu acho que é a experiência de estar com pessoas à nossa frente em palco e a experiência de ir ao cinema.
Claro, obviamente, também passa por aí. Os espetáculos ao vivo têm crescido bastante. Aliás, os dados foram divulgados recentemente e houve um grande aumento. Mas acho que também para o cinema, não será o único fator, mas acho que esta experiência muitas vezes incômoda, de estar a levar com o barulho das outras pessoas, com o ruído, também acaba por fazer com que muitas pessoas prefiram-
O sofá da sala.
É mais confortável.
Isto vem a propósito dos números do ICA, do Instituto do Cinema e Audiovisual, que mostram isso. Houve uma queda de 3,7% no número de espetadores em setembro, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Mas ao mesmo tempo, quando somamos os primeiros nove meses do ano passado e deste, houve um aumento do número total de espetadores, passou de 8,4 milhões para 9,3, o que nos faz supor que se calhar a variação tem a ver também com a oferta. Por acaso, com alguns filmes fenômenos.
Outros em que não há nada de jeito e há outros que são vários filmes bons para ver. Com outros fatores também. Por exemplo, o estado do tempo influencia muito. Se as pessoas passam mais tempo na rua.
E este mês de setembro é o regresso ao trabalho, regresso às aulas, não há tempo.
Sim, provavelmente, se estiver melhor tempo, as pessoas aproveitam para ficar mais fora, jantar na rua, em esplanadas, estágios verdes. Estás a falar disso, mas é muito curioso que nos Estados Unidos, a época dos blockbusters, nos anos 70, começou por ser precisamente o verão, o chamado blockbuster de verão, precisamente pelas questões, pelo tempo. Quando fazia mais calor, as pessoas iam para os cinemas porque tinham ar-condicionado.
Exatamente, o fator ar-condicionado. Houve uma altura em que ia muito.
Há muita gente que exatamente quando faz muito calor, vai.
Vai para uma sala de cinema.
Cinema com ar-condicionado.
Consegue se refrescar. Só para termos então uma ideia, se a questão do cartaz também influencia ou não. Sabem qual foi o filme mais visto de setembro em Portugal?
Em Portugal? Então foi a Odisseia, ainda não?
Não, a Odisseia já lá vai.
Já? Ou talvez o português.
É isso que eu queria dizer.
Santo António. Santo António Casamenteiro, qualquer coisa assim.
Exatamente, foi o mais visto, o filme do Rui Pedro Silva. Foram quase 151 mil espetadores, mais de 1 milhão de euros de receita.
Muito abaixo do outro filme dele, que foi de facto um sucesso. A Gaiola Dourada, que foi um enorme sucesso.
No ano em que estreou. Mas mesmo agora-
Mesmo assim, 150 mil espetadores, claro, quer dizer, de longe, deve ser mesmo de longe. É curioso falares nisso, é precisamente esse que eu tenho na minha lista de quereria ver.
Vemos se não sai de cartaz entretanto, tens que despachar. E o mais visto o ano, de todos em Portugal. Paulo, não é Odisseia. No verão já foi superado.
Não é Odisseia?
Não.
O Homem-Aranha, talvez? Ora, o Homem-Aranha, uma ideia. O Paulo está-
O Paulo é um cinéfilo.
Eu tenho adolescentes lá em casa, que são bom barómetro para o sucesso de cinema. O que eles querem ver. Exato.
São os grandes blockbusters. Pois, é por aí que estamos. Ainda temos três meses para ir ao cinema, que é uma boa experiência, ainda assim.
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