Lula embarca neste domingo rumo a Nova York para Assembleia Geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Tradicionalmente, o presidente brasileiro é o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura da cúpula, marcada para terça-feira (22).
Em briefing à imprensa, o Itamaraty afirmou que o presidente deve defender a soberania nacional e o próprio presidente Lula disse que deve pedir que os EUA não interfiram nas eleições.
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Apesar das críticas recentes ao governo de Donald Trump, Lula não deve citar nominalmente o presidente norte-americano no discurso. O Brasil acusa os Estados Unidos de violação à soberania nacional desde o primeiro tarifaço aplicado pela Casa Branca aos produtos brasileiros no ano passado.
O que Lula deve dizer na ONU
A diplomacia brasileira nega que Lula vá utilizar o discurso em tom eleitoral. A previsão é de que o presidente defenda as instituições e rejeite interferências estrangeiras nos assuntos domésticos brasileiros, mas sem mencionar diretamente a crise entre ministros do STF.
A fala também deve tratar do cenário internacional, com críticas ao crescimento dos conflitos globais e defesa de negociações de paz. Lula deve abordar ainda os efeitos das guerras sobre a economia mundial, incluindo a produção e o preço dos alimentos.
O presidente também pretende alertar para o avanço da corrida armamentista e para a disputa internacional pelo controle de recursos naturais estratégicos.
Na agenda ambiental, Lula deve citar a COP30 e apresentar o Brasil como defensor de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico e preservação ambiental.
A regulação das plataformas digitais também deve aparecer no discurso, com referências ao ECA Digital, à proteção de crianças e mulheres e aos desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial.
Combate ao crime organizado
O combate ao crime organizado transnacional deve ganhar espaço na fala de Lula, diante das recentes acusações de Trump contra o Brasil.
O presidente brasileiro deve citar medidas adotadas pelo país no enfrentamento aos grupos criminosos, incluindo acordos de cooperação firmados com os Estados Unidos.
Em documento enviado ao Congresso norte-americano, Trump afirmou que o governo brasileiro falhou ao confrontar o PCC e o CV e declarou que o país precisa tomar medidas agressivas para confrontar e derrotar os grupos antes que eles se espalhem e cresçam.
Para a equipe diplomática de Lula, as acusações feitas pela Casa Branca contra o Brasil sobre o crime organizado são uma “fórmula” que “tem embutido outros interesses”.
Possível encontro com Trump
Não há, até o momento, reunião bilateral agendada entre Lula e Trump, nem pedido formal dos governos para um encontro. O Palácio do Planalto, porém, aposta na possibilidade de um contato informal entre os dois presidentes durante a cerimônia.
Lula abre os discursos dos chefes de Estado e Trump fala logo depois. A organização da sessão pode favorecer um encontro entre os dois enquanto um deixa a área reservada e o outro se prepara para entrar.
No ano passado, em situação semelhante, Trump afirmou ter tido uma “excelente química” com Lula. A conversa rápida abriu um canal de diálogo que posteriormente resultou em outros encontros, na Malásia e na Casa Branca, além de telefonemas.
Auxiliares de Lula afirmam que a relação entre os presidentes permanece preservada, apesar das dificuldades nas conversas entre integrantes dos dois governos.
Em evento nesta semana, Lula afirmou que teria um “bate-papo” com Trump durante a Assembleia Geral para pedir que o presidente norte-americano “não se meta nas eleições no Brasil”. Auxiliares do presidente da República, no entanto, negam que exista atualmente um pedido de reunião bilateral e não descartam um encontro fortuito e um aperto de mãos entre os dois.
Encontro com prefeito de Nova York
Além da participação na Assembleia Geral, Lula terá um encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, às margens do evento da ONU. A reunião foi solicitada pelo prefeito e deve ocorrer na residência do representante do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese.
Mamdani assumiu o cargo em janeiro deste ano e se tornou o segundo prefeito na história de Nova York a se identificar como socialista e o mais jovem a comandar a cidade em mais de um século, aos 34 anos.
Segundo interlocutores de Lula, ainda são analisados cerca de 30 pedidos de reuniões bilaterais. O encontro com Mamdani está entre as poucas agendas já confirmadas, ao lado de uma entrevista com a âncora da CNN Christiane Amanpour.
Na avaliação de um interlocutor, a reunião pode dar a Mamdani a projeção que ele busca no movimento progressista internacional, no qual Lula é reconhecido. Setores do PT também veem no prefeito uma liderança jovem, à frente de uma das principais cidades do mundo e com potencial para renovar a esquerda em nível global.
O mesmo interlocutor pondera, porém, que uma aproximação entre Lula e Mamdani pode gerar atritos com Trump em um momento de negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
(Com informações de Janaína Camelo, Danilo Moliterno, Tainá Falcão e Débora Bergamasco, da CNN Brasil)
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