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Wednesday, November 4, 2026

De crochê à transformação social: projeto capacita mulheres e promove consciência ambiental no bairro Redenção, em Manaus

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Há alguns anos, Maria Cristina decidiu transformar uma realidade que a incomodava no bairro Redenção, Zona Centro-Oeste de Manaus, em uma oportunidade de mudança para outras mulheres da comunidade. Ao observar a quantidade de garrafas PET descartadas em um igarapé da região, ela encontrou no artesanato uma forma de unir capacitação, geração de renda e conscientização ambiental. O que começou na sala de casa hoje conta com uma sede própria e reúne mulheres interessadas em aprender novos ofícios e construir outras possibilidades de vida.

A iniciativa surgiu a partir de uma conversa com a filha, que incentivou Maria Cristina a compartilhar os conhecimentos que já tinha em crochê e na confecção de sandálias. A proposta era reunir mulheres da comunidade para aprender atividades artesanais e desenvolver habilidades que pudessem contribuir para a renda familiar.

“Eu me deparei com esse igarapé, que as pontes eram muito pequenas e era muita garrafa descartada. Era um rio de garrafa descartada. Só que eu já tinha uma filha que era adolescente, ela já estava trabalhando. Então ela começou a falar: ‘Mãe, a senhora sabe crochê, a senhora sabe fazer sandália, chame essas mulheres, saia de casa’”, relembrou Maria Cristina.

A mobilização deu resultado rapidamente. Em apenas uma semana, Maria Cristina já contava com dez alunas. Com o crescimento da iniciativa, ela encontrou um espaço para desenvolver as atividades, que posteriormente ganhou uma sede própria.

Agora no g1

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A procura pelas oficinas de artesanato continua grande. Além de aprender técnicas como crochê e reaproveitamento de materiais, muitas mulheres encontram no projeto um ambiente de acolhimento e convivência, especialmente em momentos de dificuldades pessoais.

“As mulheres que nos procuram, algumas delas chegam com depressão, com uma doença que elas estão ali com a cabeça bagunçada, estão querendo ajuda. Algumas mulheres recém-separadas, algumas viúvas e algumas vêm só para aprender o ofício do crochê e do artesanato”, explicou Maria Cristina.

Célia Bentes entrou no projeto em 2016 e, desde então, acompanha de perto as transformações proporcionadas pela iniciativa. Atualmente, ela participa como voluntária e ajuda a compartilhar os conhecimentos adquiridos com outras mulheres.

“Eu já vi muitas das meninas daqui que chegaram sem saber pegar na agulha do crochê, sem fazer nada de garrafa PET, nem de papelão, revista, essas coisas. Hoje em dia já até conseguem vender esses produtos, fazer e vender e já ajudar na sua renda familiar, né?”, contou Célia.

Com o passar dos anos, o trabalho também ultrapassou os limites das oficinas e passou a contribuir para melhorias na própria comunidade. Uma das ações foi a implantação de um ponto de coleta para papelão, plástico e garrafas PET, incentivando os moradores a separar e dar a destinação adequada aos resíduos.

A iniciativa ajudou a fortalecer a consciência ambiental entre os moradores, que passaram a colaborar com a coleta seletiva e a evitar o descarte irregular de materiais no igarapé.

“Eles não jogam o lixo no igarapé. Quando você vê o lixo, é que desce de lá. Garrafa PET não vai pro igarapé, vem pro PET, eles trazem no saquinho deles, depositam aí. O lixo doméstico vai para outra lixeira lá na frente, que nós da comunidade construímos. Então esse hábito deles mudou muito de jogar o lixo pela janela”, destacou Maria Cristina.

Atualmente, o projeto recebe apoio do Programa Icamiabas, iniciativa que oferece suporte financeiro para a realização das oficinas de capacitação. Com esse incentivo, a expectativa é ampliar o alcance do trabalho e levar a experiência a outras comunidades.

“Que tenha mais em outros lugares, em outros bairros, em outras comunidades, que isso se faça mais, que é uma coisa muito boa, que ajuda, ajuda o meio ambiente, ajuda as famílias, e é assim, é muito bom. Seria bom que isso acontecesse em outros bairros, em outras comunidades”, afirmou Maria Cristina.

Aos 64 anos, Maria Cristina vê no trabalho desenvolvido um legado que pretende deixar para as próximas gerações. Mais do que ensinar técnicas de artesanato, a iniciativa mostra como a mobilização comunitária pode abrir caminhos para a autonomia feminina, fortalecer vínculos e incentivar o cuidado com o meio ambiente.

“Hoje eu tenho 64 anos, então é um legado que eu vou deixar para minha filha e para minha comunidade. Então é isso que me move”, concluiu.

Programa Icamiabas

O Programa Icamiabas é uma iniciativa da Manauara Associação Comunitária (MAC) e conta com o apoio da Fundação Rede Amazônica. O programa apoia o desenvolvimento pessoal e institucional de mulheres que atuam como lideranças comunitárias e trabalham em benefício de outras mulheres em comunidades vulneráveis de Manaus.

A iniciativa parte das experiências e dos projetos desenvolvidos pelas próprias participantes para fortalecer ações que já acontecem nos territórios e ampliar o impacto social gerado por essas lideranças.

Mulheres aprendem técnicas como crochê e reaproveitamento de materiais em projeto social na capital amazonense. — Foto: Divulgação/FRAM

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