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Tuesday, October 20, 2026

B3 quer atrair pequenas mineradoras que buscam capital no exterior

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A B3 quer ampliar sua aproximação com pequenas mineradoras e empresas que desenvolvem projetos minerais em estágio inicial, em uma tentativa de atrair companhias que hoje recorrem a bolsas estrangeiras para financiar suas operações no Brasil.

A sinalização foi feita pela diretora de Listagem e Relacionamento da B3, Flávia Mouta, durante o encontro de executivos do setor mineral, promovido pela ADIMB (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro), em São Paulo na última segunda-feira (19).

Segundo a executiva, a bolsa já mantém relacionamento com grandes mineradoras, mas reconhece a necessidade de avançar na conexão com empresas menores, especialmente aquelas que ainda não iniciaram a produção comercial.

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"A gente reconhece que tem um gap aqui e precisa intensificar essa agenda desde o seu momento muito inicial", afirmou.

O movimento ocorre em um momento de expansão dos investimentos em minerais críticos no Brasil, especialmente terras raras, lítio e cobre. Boa parte dos novos projetos é desenvolvido por empresas conhecidas como junior mining companies, especializadas na pesquisa e no desenvolvimento de depósitos minerais.

Diferentemente de grandes mineradoras, essas companhias geralmente ainda não possuem minas em operação ou receitas provenientes da venda de minérios. Para financiar perfurações, estudos geológicos e testes de processamento, dependem de sucessivas captações junto a investidores.

Um levantamento apresentado pelo setor à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em junho, estima que mais de 100 empresas com operações no setor mineral brasileiro estejam listadas em bolsas estrangeiras, principalmente no Canadá e na Austrália.

Toronto e Sydney concentram financiamento

As bolsas de Toronto, no Canadá, e de Sydney, na Austrália, tornaram-se importantes centros de financiamento da mineração mundial, inclusive de projetos localizados no Brasil.

No Canadá, a Toronto Stock Exchange (TSX) e a TSX Venture Exchange (TSXV), voltada a empresas menores, possuem regras específicas para companhias de exploração mineral. Isso permite que empresas ainda sem produção comercial acessem investidores interessados em financiar projetos de maior risco.

O país também oferece incentivos tributários para estimular a pesquisa mineral em seu território. Pelo mecanismo conhecido como flow-through shares, empresas podem transferir determinadas deduções fiscais aos investidores.

Na Austrália, a Australian Securities Exchange (ASX), sediada em Sydney, também reúne investidores especializados em mineração e permite que companhias captem recursos antes mesmo de construir suas minas.

O país contou, até junho de 2025, com o Junior Minerals Exploration Incentive, programa que permitia a pequenas exploradoras transferir benefícios tributários a investidores para financiar pesquisas minerais realizadas em território australiano. O setor defende a retomada do mecanismo.

O país, porém, mantém outros incentivos, como deduções fiscais para determinadas despesas de exploração mineral e créditos tributários para atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Na prática, o modelo de financiamento dessas bolsas permite que companhias levantem recursos gradualmente, conforme comprovam o potencial econômico de seus projetos.

Entre os exemplos estão a australiana Viridis Mining and Minerals, responsável pelo projeto de terras raras Colossus, em Minas Gerais, e a St George Mining, que desenvolve um depósito de terras raras e nióbio em Araxá (MG). Ambas possuem ações negociadas na bolsa australiana.

No Canadá, a Lithium Ionic, listada na TSXV, desenvolve o projeto de lítio Bandeira, também em Minas Gerais.

B3 busca alternativas

Flávia afirmou que a B3 vem aprofundando conversas com bolsas internacionais especializadas em mineração para conhecer seus modelos de funcionamento e identificar alternativas para o mercado brasileiro.

A executiva também destacou que o financiamento não precisa ocorrer exclusivamente por meio da emissão de ações. A B3 possui infraestrutura para operações de dívida e permite a negociação de certificados de ações de empresas listadas no exterior, conhecidos como BDRs.

Apesar da aproximação anunciada, a diretora da B3 não apresentou novos instrumentos específicos de financiamento para o setor mineral nem estabeleceu um cronograma para sua implementação.

O Congresso também discute uma proposta para criar incentivos semelhantes aos adotados no Canadá. Apresentado em 2023 pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), o Projeto de Lei 4.975 prevê a criação de uma classe específica de ações para financiar a pesquisa mineral, permitindo que investidores tenham benefícios tributários ao aplicar recursos em empresas que ainda estão desenvolvendo seus projetos.

Pela proposta, mineradoras com autorização de pesquisa da Agência Nacional de Mineração poderiam emitir ações específicas, chamadas APEM, para captar recursos destinados exclusivamente à exploração mineral. Pessoas físicas e jurídicas que adquirissem esses papéis poderiam deduzir os valores investidos da base de cálculo do Imposto de Renda, conforme a comprovação dos gastos.

O projeto, porém, ainda não avançou no Congresso. A proposta aguarda parecer do deputado Sidney Leite (PSD-AM) na Comissão de Minas e Energia da Câmara.

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