Em 1ª diretriz para obesidade, OMS veta caneta e bariátrica para crianças
A OMS não recomenda o uso de medicamentos análogos de GLP-1, as famosas canetas para obesidade, para crianças menores de 10 anos. A organização entende que existe uma escassez de evidências sobre os benefícios da medicação para essa faixa etária. Também faltam dados sobre possíveis efeitos adversos e consequências no crescimento, no desenvolvimento físico, nos parâmetros fisiológicos e na saúde mental.
"É importante lembrar que já existem estudos com crianças de 6 a 11 anos com obesidade sendo tratadas com liraglutida (um dos análogos de GLP-1). Recentemente, tivemos, nessa mesma faixa etária, estudo com semaglutida (outro análogo)", cita a endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora do Departamento de Advocacy da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
"Então, já existe certo respaldo para que a gente prescreva com mais segurança. Mas a segurança total e a indicação formal só ocorrem quando a agência regulatória, no nosso caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprova o tratamento", adiciona a médica, que também é integrante da Comissão de Relações Institucionais e Políticas Públicas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). No caso de adolescentes entre 10 e 19 anos, o uso pode ser considerado quando há complicações de saúde (como diabetes tipo 2) e os pacientes não responderam a mudanças no estilo de vida após seis meses.
Abaixo dos 10 anos, a OMS também não recomenda a cirurgia bariátrica nem o uso de outros dispositivos para perda de peso. A organização entende que as operações podem trazer prejuízos para o desenvolvimento.
"A cirurgia é mais complexa nas crianças abaixo de 10 anos. Os níveis de evidência são muito baixos e trata-se de um procedimento que é irreversível e passível de complicações", pontua Maria Edna.
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