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Friday, October 16, 2026

8h. Rui Rio rejeita acordo entre PSD e Chega

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Da manhã. A organização do protesto pela habitação no Porto denuncia que havia um grupo infiltrado com facas na Praça Dom João I ontem à noite e, por isso, ordenou a desmobilização imediata dos manifestantes por falta de segurança.

A intenção da organização era uma nova pernoita dos manifestantes na praça. Isso acabou por não acontecer. Por volta da 01:00, os organizadores do protesto alertaram as autoridades para a presença de pessoas infiltradas com o propósito de causarem distúrbios. O jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia, dá mais detalhes sobre o que aconteceu ontem à noite e faz também o retrato de um dia de protestos que acabou por juntar milhares de pessoas nas ruas do Porto.

À sexta noite de protestos e depois do que foi, até hoje, a maior mobilização deste movimento, a praça, que de tarde se encheu de milhares de manifestantes, está agora praticamente vazia. Foi uma verdadeira montanha-russa aquilo que aconteceu hoje na Praça Dom João I, mas não só. Já de manhã se sentiam aqui os ânimos exaltados depois da carga policial da última noite. As palavras do primeiro-ministro e também do presidente da Câmara não terão contribuído para um apaziguar dos ânimos, e isso foi visível no início dos protestos. Havia muitos cartazes dirigidos a um novo alvo, claro, Pedro Duarte, o autarca do Porto. Depois de uma mobilização incomparável com das últimas noites, a praça encheu tanto que transbordou. E sem que se esperasse, os manifestantes invadiram as ruas do Porto com a polícia a olhar atentamente, mas a verdade é que foram os próprios manifestantes que cortaram o trânsito num pequeno, pequeníssimo percurso até à Avenida dos Aliados. Ainda subiram as rampas de acesso à Câmara, mas, nestes momentos de maior tensão, a caminhada acabou por terminar pouco depois, com o regresso à praça, onde havia uma decisão a tomar e essa decisão foi tomada em assembleia popular: iriam voltar a dormir na praça, mas desta vez sem tendas. Era esta a decisão, até que um pequeno episódio condenou esta intenção, porque a certa altura, perto da meia-noite, uma pessoa foi assistida pelo INEM depois de um desacato e a partir daí começaram a surgir insinuações por parte dos manifestantes de que haveria pessoas infiltradas e armadas com facas com o objetivo de causar distúrbios. Estas preocupações foram partilhadas com a PSP, mas ao que o Observador conseguiu apurar junto de fonte policial, a polícia revistou sim duas pessoas, mas não apreendeu armas. A verdade é que, mesmo assim, as suspeitas já estavam lançadas e a decisão de dormir já tinha sido revertida e, por isso, agora esta praça, que ainda há pouco estava completamente cheia, com milhares de manifestantes, está agora vazia. Restam poucas dezenas de pessoas, mas muito longe desses milhares que chegaram a encher a praça naquele que foi o maior protesto dos últimos dias.

Miguel Pinheiro Correia com o volte-face desta noite no Porto. Entretanto, continua a contestação, a atuação da polícia na madrugada de quinta-feira, que levou já à apresentação de queixas. A Amnistia Internacional vem pedir uma investigação à atuação da polícia, aos manifestantes que estavam acampados. Há também uma petição com mais de 3 mil assinaturas a pedir a demissão do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte. Os manifestantes estão na rua há seis dias, num protesto contra o aumento do preço das casas, mas também pela subida do custo de vida. Para hoje está marcado um debate no Parlamento, a pedido do PCP, precisamente para discutir estas questões, mas também as dificuldades no acesso à saúde. O debate está marcado para às 10:00.

O antigo presidente do PSD, Rui Rio, discorda de Pedro Passos Coelho, rejeita a ideia de que o governo se deveria juntar ao Chega num acordo de governação.

Em entrevista ontem à noite na RTP, Rui Rio diz que é por uma questão ideológica que não defende a ideia de Passos Coelho para um entendimento com o partido de André Ventura ou com a iniciativa liberal. Rui Rio diz que os entendimentos do PSD devem ser feitos ao centro e que muito eleitorado social-democrata não seria favorável a uma outra coligação.

Pessoalmente, não defendo, está completamente fora da minha lógica e do meu espaço ideológico. Muita gente do PSD não irá votar nessa coligação, mas se metade dos 30% que o PSD representa votar, já são 23, mais 15, mais qualquer coisa da IL, dá efetivamente para ganhar eleições. Agora, a minha solução não era essa.

Rui Rio, ontem à noite, em entrevista à RTP, o ex-presidente social-democrata deixa ainda alertas para a execução do orçamento do Estado. O social-democrata diz que é necessário baixar a dívida pública.

Volodymyr Zelensky marca hoje presença no Conselho Europeu. No segundo dia da cimeira, o ponto principal da agenda é o apoio militar e financeiro à Ucrânia e o reforço da pressão sobre a Rússia.

Já no primeiro dia, ontem, foi discutida a questão energética. O preço dos combustíveis deve voltar a mexer na próxima semana com o novo aumento. Ainda assim, não foram anunciadas nem sinalizadas medidas de curto prazo para fazer face aos elevados preços da gasolina e do gasóleo. O Conselho Europeu prossegue hoje. O especialista em assuntos europeus, Paulo Sandro, considera preocupante que não esteja a ser discutido o orçamento plurianual dos 27.

É uma cimeira cujo primeiro dia, que foi ontem, foi na melhor das hipóteses, preocupante, na pior, pior do que preocupante, ou seja, não correu de facto bem. E não correu bem porque uma boa parte do Conselho acabou por ser passada a discutir justamente uma questão relacionada com a energia, o sistema de comércio de emissões, onde houve dois blocos muito marcados, uma grande divisão interna e que demorou muitas horas. E ao demorar muitas horas, a discussão sobre o orçamento para sete anos, que é uma discussão quase existencial para a União Europeia, uma questão decisiva, também acabou por não ter progresso nenhum e, portanto, nesse aspeto, a situação é preocupante

Paulo Santos considera ainda que há vários problemas que estão a dificultar as negociações do orçamento, sendo que as manifestações que estão a acontecer em vários países da União Europeia, como França, Bélgica ou Alemanha, é precisamente um desses problemas.

Este é um conselho. A Europa vive momentos destes há muitos anos, momentos difíceis, mas estes são dos mais difíceis, porque há uma guerra em curso e há ameaças de guerra e da sua extensão, há relações transatlânticas em crise, uma crise económica e com o custo de vida a apertar cada um dos líderes europeus. E depois estas ameaças crescentes. E esta questão do orçamento é, de facto, uma luta contra o tempo, porque é um orçamento para sete anos e que deverá entrar em vigor em 2028. O problema é que com as eleições para o ano, em particular em França, e Macron já avisou que a partir de janeiro não poderá aprovar esse orçamento plurianual, a Europa corre o risco de deixar nas mãos dos eleitos no ano que vem a decisão sobre este orçamento.

Paulo Santos, especialista em assuntos europeus, esteve esta manhã em direto aqui na Rádio Observador, olhando para a reunião do Conselho Europeu que decorre, termina hoje em Bruxelas, a receber o presidente da Ucrânia.

São agora 08h07. Carla, antes dos Momentos de Glória, que outras notícias marcam esta manhã?

A Câmara Municipal de Lisboa vai avançar com a suspensão do sistema de trotinetes partilhadas até o final do ano. O anúncio foi feito pelo autarca Carlos Moedas ontem à noite no canal Now e também através de um vídeo publicado nas redes sociais. A decisão é justificada com problemas de segurança e com a ocupação dos espaços públicos. A medida ainda vai ter que ser aprovada em reunião de câmara. Um tiroteio numa escola primária provocou quatro mortos, numa escola primária nos Estados Unidos. Entre as vítimas mortais estão três crianças e um professor, sendo que pelo menos duas outras pessoas foram hospitalizadas com ferimentos. O atirador de 16 anos foi encontrado morto no momento em que as autoridades chegaram ao local.

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