Rio Tietê registra redução de poluição no trecho da Grande São Paulo, diz estudo da Cetesb
A poluição no trecho do rio Tietê que passa pela Grande São Paulo registrou uma redução em 2026, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (17) pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), órgão vinculado ao governo estadual.
A média de matéria orgânica transportada por dia pelo rio caiu de 210 toneladas em 2025 para 154 toneladas neste ano, uma redução de 26,7%, conforme o levantamento. Em 2024, o montante era de 218 toneladas diariamente.
As medições são feitas na barragem da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Edgard de Souza, localizada em Santana da Parnaíba, em um ponto de monitoramento na saída da região metropolitana da capital paulista.
Este ponto permite acompanhar a quantidade de matéria orgânica levada pelo Tietê depois que o rio atravessa a área mais urbanizada do estado e segue em direção ao interior. Para a média de 2026, o estudo levou em consideração o fluxo dos dois primeiros trimestres.
No cálculo da carga de poluição, a Cetesb considera tanto a concentração de matéria orgânica quanto a vazão de água no rio. Assim, é possível saber quantas toneladas são transportadas por dia e comparar períodos de chuva e de estiagem.
Os resíduos chegam aos rios, principalmente, por meio do lançamento de esgoto doméstico não tratado. Essa reduz o oxigênio disponível na água, gera forte odor, prejudica a vida aquática e contribui para a piora da qualidade do rio.
Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), Natália Rezende atribui a melhora a investimentos feitos em saneamento básico, planejamento e um diagnóstico de como que estava cada sub-bacia dos rios do estado.
Segundo ela, a desestatização da Sabesp teve um papel fundamental na melhora das ações contra a poluição.
"Guarulhos em 2019 tratava 1% de esgoto. Cajamar, Franco da Rocha e Francisco Morato em 0% em 2022. Salesópolis, por exemplo, onde nasce o Tietê, 4.300 domicílios estavam dentro do contrato antigo da Sabesp, mas outros 1.800 estavam fora", disse.
Rezende disse acreditar que o estado consiga alcançar a universalização do saneamento antes da meta de 2033.
"Quando planejamos o [programa estadual] Integra Tietê em 2023, nós olhamos para os 1.136 km do rio. Para, de forma organizada, fazer eixos e enfrentar cada um dos desafios. O primeiro eixo foi de saúde e qualidade de vida, ligado a esgotamento sanitário. O segundo, é focado em desassoreamento", disse ela.
Mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados desde 2023, afirma a secretaria. Em 2025, foram removidos mais de 2,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios Tietê e Pinheiros, o equivalente a 192 mil caminhões cheios.
A retirada de lixo flutuante, que inclui plástico, móveis e demais resíduos, também integra as ações de recuperação da secretaria. No Pinheiros, foram removidas 147 mil toneladas desses materiais desde 2023.
Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, diz que, apesar da redução, a carga ainda é alta. A ONG também realiza anualmente estudos sobre o Tietê, que apontam tendência de piora. Para ela, o rio acumula, além do esgoto doméstico, resíduos industriais e lixos levados pelas chuvas.
"A cada década que passa, em que a gente espera a despoluição do Tietê e luta por isso, mas os desafios aumentam, porque vem os eventos extremos climáticos e novas fontes de poluição, como os produtos farmacológicos, o microplástico e uma série de outros poluentes", frisou.
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