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Monday, September 7, 2026

Mais vale "farmar aura" ou confessar o homicídio de Tupac?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Como é que é? Vocês hoje vieram vestidos ou vieram com estilo?

Com estilo, sempre.

Ou só vieram vestidos?

Ai, que perguntas.

Não, é que os mais novos, atenção, agora não medem o estilo pelas marcas ou pelas tendências, medem pela aura. Não é Cláudia, é aura.

Esse nome está muito na moda.

Está, não está? Em países como Brasil, Argentina ou México, os jovens agora estão obcecados por uma nova moda chamada batalhas de aura. O Bruno está a rir porque, não sei se viu algumas imagens.

Já, já.

Como é que esta loucura funciona? Centenas de jovens juntam-se em praças ou no metrô, ficam em círculo a assistir a duelos de atitude.

Epa!

Isso é que é.

Imaginem. De um lado, imaginem um miúdo vestido com um sobretudo preto comprido a arrastar pelo chão, capuz metido na cabeça, óculos de sol postos, isto em pleno metrô ou à noite na rua, só para fazer aquele ar misterioso de filme de ação. Do outro, um concorrente de fato de treino dos anos 90, por exemplo, chinelos com meias brancas puxadas até meio da canela, parado feito estátua, sem piscar um único olho. Depois vêm as provas de fogo e há tudo. Há quem ganhe aura a beber um café a ferver sem fazer uma única careta, quem faça uma pose vilão com a mão no queixo enquanto fixa os olhos num estranho. O clássico desafio do olho glacial, ficar cara a cara com o rival a comer uma banana inteira com casca, sem fazer careta, com cara de mau e sem se rir nem um segundo. O objetivo destes looks e atitudes é não mostrar a mínima vergonha. O look mais icônico, a atitude mais inabalável ganha pontos de aura. Mas se o concorrente hesitar, se ele se rir, se tropeçar nas próprias calças largas, lá sai a aura toda e depois aí é gozado.

Mas há júri para aprover?

Há júri. Eram aplausos. O assunto está a dar tanto que falar, porque o fenómeno já atravessou o Atlântico e já andam a circular anúncios no TikTok para a primeira batalha de aura em Portugal.

Então, já está à porta.

Já está à porta. Está no horizonte.

Nem consigo esperar.

Mal pode esperar. É uma tendência.

É mais interessante do que...

Do que comer coisas, como antibióticos ou por em risco. Ao menos aqui estão a divertir-se.

Sim, estão interagindo.

Sim, parece não ser muito perigoso.

Já vi coisas piores.

E não estão agarrados às redes sociais, também.

Mas depois vão lá parar, às redes sociais, com estes vídeos. Por falar em batalhas, esta foi uma batalha marcante dos anos 90, a batalha entre gangues e entre os rappers rivais das costas leste e oeste dos Estados Unidos, e que resultou, na altura, na morte de Tupac Shakur e uns meses depois, The Notorious B.I.G., dois dos rappers mais influentes dos anos 90.

Há documentários sobre isso na Netflix, não é? Vários.

Há vários documentários. O que é que têm em comum estes documentários? É que nenhum chega a uma conclusão sobre a autoria, quem foi o verdadeiro responsável por estas mortes e, em particular, pela morte de Tupac Shakur. Faz hoje precisamente 30 anos que ele foi baleado em Las Vegas. Acabou por morrer seis dias depois, mas há poucos dias, no 31 de agosto, há uma semana, um tribunal de Las Vegas considerou Duane Davis, que era líder na altura de um gangue muito ativo na Califórnia durante os anos 90, culpado pelo homicídio de Tupac. Foram precisos 30 anos para se chegar a esta conclusão. Ainda não há uma sentença definida. Duane Davis poderá ser condenado à prisão perpétua e até admite recorrer da decisão, porque nega a validade de testemunhos que ele próprio prestou às autoridades em 2008 e as acusações que lhe são imputadas e que têm muito que ver com um livro que ele publicou em 2019, uma espécie de livro de memórias, uma autobiografia intitulado "Compton Street Legend", e em que ele dizia que estava envolvido no homicídio. Ele reconhecia o envolvimento dele próprio no homicídio. Diz que estava no carro de onde foram disparadas as balas que assassinaram Tupac Shakur. Depois veio dizer, quando foi acusado, que afinal de contas aquilo não tinha sido escrito por ele, porque no meio do livro há citações, por exemplo, de Winston Churchill, e ele diz: "Eu não faço ideia".

"Eu não sei quem é."

Exatamente. Ele disse: "Não faço ideia de quem seja esse Winston Churchill". Ele, em 2008, nos testemunhos que prestou à polícia, tornou-se informador da polícia. Então ele não podia ser acusado. Fez um acordo com as autoridades para não poder ser acusado em função das declarações prestadas nessa altura. Mas foi precisamente isso e o livro de memórias que acabou por levar Duane Davis a tribunal. As descrições que ele fazia no livro eram descrições muito pormenorizadas dos acontecimentos. Ele diz que estava no BMW de onde foram disparadas as balas e que teriam visto Tupac Shakur pegar numa arma e que foi por isso que um dos meus rapazes, diz Duane Davis, que estava no banco de trás, pegou na Glock e começou a disparar de volta. Isto são declarações dele, é o relato que consta das memórias dele e que foi utilizado pelas autoridades e pela Procuradoria para o acusar e agora condenar. Ainda não se sabe qual é que será a sentença. Muitas das pessoas envolvidas neste caso já morreram, a maior parte delas já morreu. Há também o envolvimento de P. Diddy, que na altura era muito próximo de Tupac Shakur.

Pois, eu acho que foi esse o documentário que eu vi em que se fala disto.

Também se fala. Há quem diga, e chegou a haver declarações nesse sentido, de que o crime teria sido encomendado por P. Diddy. Ele sempre rejeitou essas acusações, mas continua, na verdade, sem se saber ao certo aquilo que terá acontecido nessa noite de 7 de setembro em Las Vegas. Agora há esta condenação, mas é tudo muito baseado nessas declarações, um pouco ambíguas, incertas, e vamos ver o que a defesa também de Duane Davis fará, porque poderá ainda recorrer desta sentença e o mistério há de continuar, eu diria, eternamente.

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