Operação contra roubo de celular prende 15 pessoas, entre elas PM aposentado, e recupera cerca de 10 mil aparelhos em SP

Segundo a polícia, sete presos tinham mandados de prisão expedidos pela Justiça. Outras oito foram presas em flagrante.
A investigação, que durou sete meses e identificou diferentes grupos especializados em cada etapa do esquema, busca identificar e interromper os diferentes elos da cadeia de comercialização de celulares roubados e furtados na capital.
Em um depósito na Mooca, na Zona Leste da capital, as equipes encontraram toneladas de celulares e peças, como telas e câmeras. O material apreendido durante a operação encheu três caminhões.
Foi preciso montar uma força-tarefa para descarregar os produtos na garagem da Corregedoria da Polícia Civil, na região da Avenida Paulista.
Segundo o MP, informações fornecidas por criminosos presos ajudaram os investigadores a entender como funcionava a cadeia criminosa.
Invasão de aplicativos
De acordo com a investigação, depois que o celular era roubado ou furtado, o aparelho passava por uma etapa destinada a obter acesso às informações da vítima.
Os criminosos especializados quebravam senhas, invadiam aplicativos e esvaziavam contas bancárias em poucos minutos.
A análise do GPS dos celulares apreendidos mostrou que essa atividade era realizada em diferentes pontos da Rua Guaianases, no Centro de São Paulo.
Dali, os aparelhos seguiam para uma terceira etapa: assistências técnicas clandestinas instaladas em shoppings populares da região da Santa Ifigênia.
Nesses locais, os celulares eram modificados para dificultar sua identificação e permitir que fossem revendidos.
🔎 O IMEI é um código único usado para identificar aparelhos celulares. A alteração desse número dificulta o rastreamento e a identificação da origem do equipamento.
Para a comandante-geral da Polícia Militar, Glauce Anselmo Cavalli, atacar as diferentes etapas da cadeia é uma forma de combater os roubos e furtos de celulares.
"Esse tipo de enfrentamento na cadeia logística é uma grande ferramenta pra que a gente combata isso de maneira geral, porque não há porquê depois furtar e roubar se não houver quem vai receber, se não houver quem vai modificar as características daquele aparelho pra eventualmente revender."
O caminho dos celulares roubados em SP — Foto: Arte/g1
Notas fiscais falsas
A última etapa identificada pelos investigadores era a tentativa de inserir novamente os celulares no mercado formal.
Para isso, empresas de fachada emitiam notas fiscais frias para dar aparência de legalidade aos aparelhos roubados e adulterados.

Megaoperação mira cadeia de roubo e revenda de celulares em SP
Uma conversa obtida durante a investigação mostra um pedido para que uma empresa emitisse uma nota fiscal de um celular com uma data anterior, correspondente ao mês da compra.
Com a documentação falsa, o aparelho poderia voltar ao mercado e ser vendido principalmente pela internet.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o próximo passo será cobrar das empresas envolvidas a comprovação da origem dos celulares.
"Isso vai demandar uma ação seguinte, que é pedir a comprovação fiscal desses celulares. E com certeza essas empresas não terão", disse.
Segundo Tarcísio, as empresas poderão ter a inscrição estadual cassada caso seja comprovado o comércio de produtos roubados ou furtados.
"E o próximo passo agora é a cassação da inscrição em função de eles estarem comercializando produto de roubo e furto. entao a gente vai fechando o cerco."
De onde partiu a investigação
A investigação é um desdobramento de uma série de apurações que, ao longo dos últimos anos, identificaram a existência de um mercado estruturado para absorver, recondicionar e revender celulares roubados e furtados na capital paulista.
O inquérito não surgiu a partir de um fato isolado. As suspeitas começaram a ganhar consistência a partir de apreensões realizadas em operações anteriores, análises de aparelhos celulares sequestrados pela polícia, relatórios de inteligência, rastreamento de dispositivos subtraídos e informações compartilhadas entre diferentes investigações.
Esses elementos passaram a indicar a existência de uma cadeia organizada que iria além dos autores dos roubos, alcançando receptadores, técnicos responsáveis por desbloqueios, comerciantes de peças e empresas que atuariam na circulação dos aparelhos no mercado formal.
As descobertas levaram à abertura de novas frentes de investigação e ao aprofundamento do mapeamento dos envolvidos.
Paralelamente, a Polícia Civil também passou a reunir dados obtidos em outras investigações patrimoniais e em registros de localização de celulares roubados ou furtados.
Os rastreamentos mostraram que diversos aparelhos subtraídos em crimes distintos terminavam concentrados em determinados endereços da região central de São Paulo, especialmente nos bairros de Santa Ifigênia e Campos Elíseos.
A repetição desses sinais em imóveis específicos foi considerada um indicativo de que os locais poderiam funcionar como pontos de recepção, armazenamento e distribuição dos aparelhos.
Os investigadores sustentam que a conexão entre os diferentes envolvidos surgiu justamente do cruzamento de provas obtidas em diversas apurações anteriores. Conversas extraídas de celulares apreendidos, apreensões de equipamentos de desbloqueio, análises fiscais, movimentações financeiras e o monitoramento das localizações dos aparelhos teriam revelado uma rede integrada de atuação.
Ao analisar os pedidos, a Justiça destacou que os elementos reunidos pelo Ministério Público indicam continuidade entre as diferentes investigações e apontam para uma possível organização criminosa voltada à exploração econômica de celulares roubados e furtados.
Por essa razão, foram autorizadas prisões temporárias e dezenas de mandados de busca e apreensão em imóveis, lojas de assistência técnica, empresas e edifícios onde houve recorrente indicação de localização de aparelhos roubados e furtados.
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