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Friday, October 16, 2026

Datafolha: Aliados de Lula associam empate a ruas e 6x1, e campanha de Flávio vê eleitorado consolidado

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O PT atribuiu a oscilação positiva do presidente Lula ante o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontada pelo Datafolha desta quinta-feira (15), à mobilização do eleitorado e disse apostar nos debates e na repercussão de medidas populares para uma virada.

O coordenador-geral da campanha de Lula e presidente nacional da sigla, Edinho Silva, afirmou existir uma tendência de crescimento em comparação ao adversário. "Mais importante que os números é a curva. Muito acentuada, de superação do adversário", disse.

Na rodada desta quinta, Flávio aparece com 51% das intenções de votos válidos, enquanto Lula tem 49%. Trata-se de um empate técnico, diante da margem de erro de dois pontos percentuais. Há uma semana, o senador marcava 52% e o presidente, 48%.

Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, o advogado Marco Aurélio Carvalho destacou o peso da mobilização de rua, o que chama de aliança com o povo contra o sistema. Segundo ele, o risco de eleição de Flávio, que seria "pior que o pai", gerou um senso de responsabilidade no eleitorado.

A estratégia, segundo o coordenador do grupo Prerrogativas, é insistir na comparação de biografias e perspectiva de futuro. "De um lado, oferecemos segurança jurídica, previsibilidade e um país pronto para mais. Do outro lado, é insegurança, imprevisibilidade e obscurantismo. Votar em Flávio Bolsonaro é um salto no escuro."

Integrantes da campanha do PL reconhecem que a eleição será apertada, mas afirmam que Flávio mantém vantagem sobre o presidente e que o eleitorado está convicto —o que, na visão do bolsonarismo, abre pouca margem para que o petista consiga aumentar o número de votos.

Aliados do senador também afirmam que o presidente da República foi primeiro para as ruas, o que ajudou a encurtar a distância entre os dois. Flávio, segundo o grupo, dará a resposta em dois megaeventos, em São Paulo e em Belo Horizonte.


Há ainda a avaliação de que, para a pequena parcela de eleitores indecisa, os atos de vandalismo em estações de metrô da avenida Paulista após o ato com Lula no domingo (11) deixaram uma impressão muito ruim do petista. Apenas 2% do eleitorado se diz indeciso. Brancos e nulos somam 6%.

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta, o candidato do PL minimizou os números do Datafolha e disse que está "muito mais à frente, mesmo com essas promessas vazias e mentirosas do Lula".

O coordenador político da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), evitou comentar a pesquisa e acusou o governo "de fazer o diabo para ganhar as eleições". Marinho também afirmou que o presidenciável ampliou o eleitorado herdado do pai, Jair Bolsonaro, e está desconstruindo sua rejeição.

"As pessoas estão aprendendo a conhecer Flávio Bolsonaro, que é uma pessoa preparada, uma pessoa convicta, uma pessoa que tem a capacidade e a decisão de fazer o debate, de ser propositivo e de tirar o país da situação em que ele se encontra", disse.

O secretário de comunicação do PT, Eden Valadares, afirmou que o "segundo turno é uma eleição de características únicas" com comparação "inevitável" e "direta" entre os dois candidatos.

"Nesse quesito temos muita confiança o presidente Lula vai melhor, pois a eleitora, o eleitor brasileiro terá que confrontar as trajetórias pessoais, as biografias políticas e as propostas", afirmou Valadares.

Presidente estadual do PT de São Paulo, o deputado Kiko Celeguim ressalta o impacto da mobilização de rua na campanha. "Nunca a máxima 'segundo turno é outra eleição' foi tão verdadeira. Os brasileiros foram para a rua, tomaram a campanha na mão estão mostrando o Brasil que querem para o futuro", disse.

Ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann diz que o Datafolha atribui o desempenho de Lula à mobilização nas redes e nas ruas. "Precisamos avançar mais. Eles se preparam com ações na reta final de campanha e conhecemos o jogo pesado que fazem, principalmente sobre as bênçãos da Meta", ressalvou.

Nos bastidores, aliados de Lula acreditam que não houve tempo para o Datafolha captar a repercussão da aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6x1 no Senado, na quarta-feira (14). Ela será promulgada nesta sexta-feira (16).

A pesquisa ouviu 2.520 pessoas entre os dias 13 e 14 de outubro. Além disso, petistas acreditam que o levantamento também não captou a repercussão do projeto de benefícios para os MEIs (Microempreendedores Individuais).

Com patrocínio do governo, o Senado aprovou nesta quinta o aumento do valor máximo para enquadramento como MEI para R$ 140 mil em 2028. A proposta, que vai à sanção, ainda perdoa cerca de R$ 15 bilhões em dívidas dessa categoria e passa a permitir a contratação de até dois empregados.

Além do pacote de bondades eleitorais, o PT ainda aposta nas sabatinas e debates para construir uma virada. O grupo acredita que o presidente Lula se sairá melhor nos confrontos porque Flávio ainda não explicou bem suas propostas, principalmente sobre corte de gastos.

O primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro vai ocorrer neste domingo (18), na Band. O próximo será o da TV Globo, no dia 23, antevéspera antes da votação do segundo turno.

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