Brasileira escapa de bloqueio de banco paraguaio: 'Abri conta um dia antes'


A empresária brasileira Josy Barbosa, 42, estava feliz por ter conseguido abrir, no último dia 2, uma conta no Ueno Bank, o maior banco digital do Paraguai. O que ela não imaginava era que, na madrugada do dia seguinte, a instituição entraria em colapso, com intervenção do Banco Central do Paraguai, o que levaria ao impeachment do presidente Santiago Peña.
"Eu tive a aprovação da conta na segunda, e na madrugada da terça-feira teve esse problema. Não deu tempo de colocar nenhum dinheiro. Tem um amigo nosso paraguaio que ficou rindo, disse que fui eu que dei azar ao banco", brinca ela, natural de Caruaru (PE), de onde se mudou para empreender no país vizinho há três meses.
Moradora da cidade de Mariano Roque Alonso, vizinha à capital Assunção, ela conta que decidiu abrir uma conta no Ueno pela menor burocracia oferecida pela instituição. "Foi uma instituição que deu crédito e abriu conta digital para todas as pessoas. E todo brasileiro que tivesse documentação certa, conseguia também", afirma.
Se pessoalmente ela escapou do problema, a empresa de decoração com arte em couro que mantém com o marido tinha uma conta no Ueno e chegou a ter dinheiro bloqueado. O valor, porém, foi ressarcido nesta sexta-feira e está sendo pago a todos os clientes.

O prejuízo foi pequeno: a conta tinha apenas 1,64 milhão de guaranis (cerca de R$ 1,5 mil), e o casal não enfrentou maiores problemas.
"Era uma conta pessoa física, na verdade, mas que usávamos para receber pagamentos em cartão de crédito. Aqui a maioria dos pagamentos são em dinheiro, que eles chamam de 'contado'."
Além de não receber muitos pagamentos em cartão, ela relata que havia feito um saque recente nessa conta, o que reduziu o prejuízo. "A gente tinha feito uma compra de mercadoria, e por isso acabou fazendo o trâmite de trocar o dinheiro. Foi a nossa sorte", completa.
Melhora à vista
Josy acredita que a situação no país volte à normalidade a partir da próxima semana. "Essa semana as pessoas deram uma segurada, e a loja teve queda de vendas porque quem tinha dinheiro em mãos estava com medo de não receber. Acho muito normal, mas esperamos voltar às vendas de antes", diz.
Josy também afirma que houve protestos no país, mas nega que tenha ocorrido caos ou que pessoas estivessem passando fome, por exemplo, por falta de acesso ao dinheiro.
Acho que houve excesso nas notícias, parece que o mundo está acabando. Claro que foi assustador para todo mundo, mas depois que a justiça entrou, sabíamos que ia ser resolvido --e foi muito rápido. Não teve uma consequência devastadora, como muita gente pensa e a mídia está querendo mostrar.
Josy Barbosa

Reportagem
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