No Pará, Lula diz que ninguém vai avacalhar N. S. Aparecida enquanto ele for presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira, 28, que "ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida" enquanto ele estiver no cargo, em uma tentativa de explorar politicamente o boato de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu grupo político pretendem retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. A campanha do principal rival de Lula nega ter essa intenção e atribui ao PT a disseminação da informação.
A declaração foi dada por Lula durante ato em Belém, seu primeiro comício na região Norte desde o início da campanha. O presidente não citou nominalmente Flávio Bolsonaro.
Lula também pediu que os três candidatos ao Senado em seu palanque buscassem um entendimento para impedir a eleição de um candidato bolsonarista no Pará, em recado para o ex-ministro do Turismo e candidato Celso Sabino (PDT), que aparece em quinto lugar na pesquisa Quaest mais recente, divulgada em 26 de setembro, com 5% das intenções de voto.
"Enquanto eu for presidente, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive as de matriz africana. Ninguém é dono da verdade. A única igreja mentirosa é aquela Lagoinha, daquele pastor chamado (André) Valadão, que era sócio do Vorcaro", afirmou Lula.
André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, vive nos Estados Unidos e é conhecido por suas posições políticas de direita. Ele manteve uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, por décadas e celebrou o casamento entre Natália Vorcaro, irmã do ex-banqueiro, e Fabiano Zettel, preso e investigado por supostamente atuar como operador do cunhado.
Lula voltou a relacionar, em seguida, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao governo de Jair Bolsonaro, já que a licença do Master foi concedida pelo Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente. "O banqueiro deles eu transformei em prisioneiro", disse.
O presidente também defendeu as investigações sobre o caso e disse qurer saber "quem fez orgia com sueca, suíça, finlandesa que vinham para cá para transar com os bacanas", em referências às festas privadas promovidas por Vorcaro com a presença de autoridades.
Após o discurso de Lula, o ex-governador paraense e candidato ao Senado Helder Barbalho (MDB) entregou ao presidente uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira do Pará.
"Me permita lhe entregar uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré para o senhor, em nome de todos os paraenses devotos de Nossa Senhora de Nazaré, para que ela possa abençoar a sua vitória", afirmou.
Na sequência, Lula ergueu a estátua da santa e desfilou com a imagem pelo palco do ato de campanha.
Disputa no Senado
Em seu discurso em Belém, Lula pediu que os três candidatos ao Senado que o apoiam no Estado se entendam para impedir a eleição de um candidato bolsonarista. A fala é um recado a Celso Sabino (PDT), que aparece em quinto lugar na pesquisa Quaest mais recente, divulgada em 26 de setembro, com 5% das intenções de voto.
Além de Sabino, que deixou o cargo de ministro do Turismo de Lula neste ano, são candidatos ao Senado e apoiam o petista o ex-governador Helder Barbalho e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Chicão (União Brasil), que faz dobradinha com Barbalho.
"Nós só temos duas vagas ao Senado e temos três candidatos. (...) Isso aqui não é brincadeira. O presidente do meu partido tem a responsabilidade, junto com o presidente do MDB, de amanhã ou, no máximo, depois de amanhã, fazer uma avaliação para saber qual dos nossos três tem condições de ser eleito senador da República aqui neste Estado", afirmou Lula.
Na Quaest, Helder Barbalho aparece com uma liderança confortável, de 25% das intenções de voto. Empatados na disputa pela segunda vaga aparecem o candidato do PL de Flávio Bolsonaro, Delegado Éder Mauro, e Chicão, ambos com 15%. Hoje senador, Zequinha Marinho (Podemos) aparece com 10% dos votos, seguido por Celso Sabino, com 5%.
Lula disse que é preciso evitar a eleição de "um bolsonarista", em alusão a Mauro.
"A gente não pode eleger no Estado do Pará um bolsonarista para senador. Se o cara for para lá (no Congresso), vai para infernizar a minha vida, para não deixar a gente governar. Quero acabar com o Orçamento Secreto, quero fazer reforma política, do Poder Judiciário, e preciso de gente altamente comprometida com o nosso time", disse.
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