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Friday, October 30, 2026

Rankings ModA 4.º ano. Notas mais altas a Inglês

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Alunos do 4.º ano conseguiram melhores notas a Inglês do que a Português ou Matemática

Ano a ano, o enunciado das provas ModA é mantido sob sigilo, de forma a permitir a repetição das perguntas aos alunos para comparar os conhecimentos das turmas. Só em 2027 é que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) irá divulgar os dados relativos a 2026 e, desta forma, permitir as primeiras comparações entre escolas. Para já, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) indicou este mês que, no 4.º ano, os resultados a Matemática tinham melhorado, bem como a Português.

As provas têm como objetivo, a Matemática, aferir dimensões como o raciocínio e comunicação e resolução de problemas, ao passo que o Português versa sobre a compreensão e a produção de textos. “Eu sei que o objetivo do Governo é manter a prova de forma a que ela possa ser utilizada outra vez no próximo ano e, portanto, podermos avaliar a evolução dos conhecimentos dos alunos relativamente ao ano anterior”, concede João Marôco, professor associado de Estatística e Métodos de Investigação do ISPA e antigo coordenador de estudos de avaliação em larga escala em Portugal. “Mas não precisa de ser toda a prova secreta. O agora EduQA, na altura IAVE, pode obviamente falar da estrutura da prova, dos critérios de cotação, de classificação e pode tornar o processo, apesar dos itens não serem públicos, transparente.”

“Sem essa informação, nós estamos cegos. Um simples número por si só não nos diz nada. Nós precisamos de ter informação, por exemplo, para olhar para a percentagem de acertos em cada item das provas, em cada domínio que avaliamos”, explica o perito. “E mesmo que os itens viessem simplesmente nomeados como item, sem vermos qual era a pergunta e qual era a resposta, era possível fazer uma análise detalhada e perceber este ano quais é que são os itens ou domínios onde os alunos têm mais dificuldades.”

A escola pública que mais se destacou nestas provas foi a Básica de Igreja em Figueiras, Lousada, onde 23 alunos do 4.º ano obtiveram uma média de 71,94 pontos em 100. Seguem-se a Escola Básica de Orjariça, em Torres Vedras (71,91) e a Escola Básica de Vila Boa do Bispo, no Marco de Canaveses (71,35). No Português, distinguiu-se a Escola Básica de Areias, em Vale de Cambra (70,05), ao passo que a Escola Básica de Laborim de Baixo obteve o melhor resultado a Matemática com os seus 75,36 pontos. Finalmente, a melhor pública a Inglês foi a Escola Básica n.º 1 de Frazão, em Paços de Ferreira (82,47 pontos).

Ao considerar as escolas com maiores percentagens de classificações mais elevadas — Proficiente e Avançado —, todos os alunos em 17 estabelecimentos escolares obtiveram essa nota nas provas. Há mais escolas (71) onde 100% dos alunos conseguiram as classificações mais elevadas a Matemática, do que a Português (37). Quanto à disciplina em que os alunos conquistaram a média mais elevada, é a Inglês, a disciplina rotativa de 2025, que os alunos mais se destacam: 60,6 pontos de média.

Para a presidente da Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI), os resultados não são uma surpresa. “É nossa convicção que tem a ver com o facto de se tratar de níveis de iniciação, associados à aquisição de competências linguísticas elementares, nomeadamente ao reconhecimento de vocabulário familiar e à compreensão de expressões simples, para além de, atualmente, haver um contacto maior, no dia a dia, com a língua inglesa”, adianta Sónia Ferreirinha ao Observador. “De referir, ainda, o crescente investimento dos docentes de Inglês destes níveis de ensino no desenvolvimento do seu conhecimento científico-pedagógico.”

A nota a Inglês ficou quase dez pontos acima de Português (51,44), uma diferença entre línguas também expectável. “A literacia em Português exige uma competência crítica, analítica e de reflexão que é natural da língua materna. Por outro lado, a literacia em Inglês no 1.º ciclo está muito focada na comunicação funcional, no quotidiano e no uso prático da língua. Os alunos não sabem ‘mais’ Inglês; respondem é a estímulos de literacia que, nesta faixa etária, são muito mais imediatos e ajustados à realidade digital e global em que os alunos se desenvolvem”, afirma a professora de Inglês. “Além disso, os níveis de exigência são diferentes, tendo em conta também o número de horas de aprendizagem de cada uma das disciplinas.”

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