Como o Grêmio montou o atual grupo de estrangeiros, questionado por Renato


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A atual gestão trouxe cinco nomes de fora do Brasil e investiu alto no mercado exterior. No Gre-Nal de domingo, contudo, apenas um deles foi titular, o croata Krovinovic, pela primeira vez com Renato. Por outro lado, na soma final, a quantidade de estrangeiros foi reduzida de 14, do fim da gestão Guerra, para os atuais 11.
Você chega aqui e tem dois ou três caras falando uma língua. No outro canto, três ou quatro falando outra. Em outro, quatro ou cinco... O que acho um erro. Não é porque a CBF liberou mais estrangeiros que se tem de trazer estrangeiro de qualquer jeito.
Em julho, chegaram o croata Filip Krovinovic e o caboverdiano Jovane Cabral, agora lesionado, indicações do técnico Luís Castro referendadas pelo head scout, o também português Carlos Silva. Os dois estavam livres no mercado quando assinaram com o clube gaúcho.
Krovinovic e Jovane Cabral (ao fundo) em ação pelo Grêmio — Foto: Liamara Polli/AGIF
Por outro lado, a atual direção se desfez de nomes trazidos até 2025. Cuéllar, Carballo e Cristaldo tiveram contratos rescindidos no primeiro semestre. Monsalve, Aravena e Kike Olivera foram emprestados, e Arezo, vendido. Veja a lista completa da temporada.
Guerra renovou com o argentino Kannemann e o paraguaio Villasanti, herdados de Romildo, até 2027 e 2029, respectivamente. O zagueiro, porém, não conta mais como estrangeiro para a CBF pois se naturalizou brasileiro. Velhos conhecidos de Renato, os dois contam com a confiança do técnico e são líderes dentro e fora de campo.
Em 2025, chegou o ganês Amuzu, na época que o técnico Gustavo Quinteros pedia atacantes de velocidade pelos lados. Soteldo havia acabado de retornar ao Santos após empréstimo.
Amuzu tem contrato com o Grêmio somente até o final de 2026 e não deve renovar — Foto: Pedro H. Tesch/Getty Images
O zagueiro paraguaio Balbuena veio em meados do ano passado, quando havia o temor do rebaixamento, e Mano Menezes julgou precisar de mais experiência no elenco. Também na metade de 2025 chegou o volante peruano Noriega, que havia enfrentado o Grêmio pelo Alianza Lima na Copa Sul-Americana.
Ainda restaram da administração anterior o atacante Pavon e o centroavante dinamarquês Braithwaite. Ambos foram contratados em 2024, na última passagem de Renato. O argentino foi comprado junto ao Atlético-MG e tinha no currículo a disputa da Copa do Mundo de 2018.
Já o dinamarquês veio do Espanyol, tinha o Barcelona no histórico e desembarcou para disputar posição com Diego Costa, em fim de contrato na época, e Arezo, recém-contratado na ocasião.
Até quando vão os contratos dos estrangeiros do Grêmio?
- Amuzu (ganês naturalizado belga) — dezembro de 2026.
- Balbuena (paraguaio) — junho de 2027.
- Braithwaite (dinamarquês) — dezembro de 2027.
- Enamorado (colombiano) — dezembro de 2028.
- Jovane Cabral (cabo-verdiano) — dezembro de 2027.
- Krovinovic (croata) — dezembro de 2028.
- Nardoni (argentino) — dezembro de 2029.
- Noriega (peruano) — dezembro de 2028.
- Pavon (argentino) — dezembro de 2026.
- Villasanti (paraguaio) — dezembro de 2029.
*Kannemann obteve cidadania brasileira e não conta mais como estrangeiro para a CBF.

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Conversas individuais
Entre todos os estrangeiros, o único que não compreende o português é Amuzu. O belga depende de interlocutores em campo, como Marlon, para entender o que deve ser feito e, nas comissões técnicas de Quinteros, Mano e Castro, havia profissionais que falavam inglês. Renato considera a comunicação com o ganês um desafio.
– Nós temos o Amuzu, por exemplo, aqui. Para você fazer ele entender as coisas... Ele está aqui há quanto tempo? Um ano e meio. Ele não fala português. Tem que estar sempre um intérprete do lado dele. Você acha que é fácil? Chegar em um país que você não fala a língua para ver se vai se adaptar assim. Não é fácil para o treinador – comentou.
Renato também comentou sobre conversas com Krovinovic, que compreende e fala português fluente, pelo período em que atuou em Portugal, em times como Rio Ave, onde trabalhou com Castro, e Benfica.

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Com o croata, segundo o treinador, o trabalho tem sido para adaptar as características de jogo, de um meia que atua entre intermediárias para um jogador que se aproxime do centroavante e pise na área adversária.
Krovinovic foi contratado para amenizar os problemas de criação do time, era titular com Luís Castro e ficou dois jogos sem ser utilizado por Renato até ganhar a primeira chance, no Gre-Nal de domingo.
– Eu estou tirando essa mania dele. É para você ver a que ponto chega um treinador. É por isso que eu digo. Você vai contratar um jogador? Não acontece só aqui no Grêmio, acontece na maioria dos clubes. Você tem que pegar a ficha desse jogador. Quantos gols, quantos jogos, tem problema de lesão, como é que ele é com o grupo, qual é a língua dele. É simples, só não pode buscar: traz aquele estrangeiro, bota ele aqui no grupo, traz aquele outro estrangeiro, bota aqui no grupo. Não é assim que se trabalha.
– Eu converso bastante com ele. Por exemplo, eu tenho que chegar aqui com pouco tempo, falar para ele que tem que pisar na área. Ele é meia, certo? Contrataram ele como meia, certo? Então, ele tem que pisar na área. Não sou eu que tem que falar para ele, olha, você joga muito longe da área. Aí entra a pergunta do teu colega lá, quanto ao (Carlos) Vinicius ficar sozinho dentro da área. É simples o futebol. Agora, não dá para ensinar tudo em pouco tempo – ressaltou.
A CBF permite atualmente nove estrangeiros relacionados por partida. Os clubes aprovaram neste ano que, a partir de 2027, o número seja reduzido para oito, em restrição gradual que chegará a cinco em 2030.
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