Fátima Bernardes: 'No início da minha carreira, sucesso era ter carteira assinada'

Fátima Bernardes, de 64 anos, não esconde a satisfação com a boa repercussão do podcast Cá entre nós, atração que apresenta com a filha Bia Bonemer, de 28, em seu canal no YouTube. Depois de uma primeira temporada com o tema maternidade, mãe e filha trouxeram o sucesso para o centro das discussões na segunda temporada da atração.
De acordo com a apresentadora, o amadurecimento e as conquistas profissionais e pessoais foram determinantes para seu olhar para o sucesso mudasse. "No início da minha carreira, a definição de sucesso era ter minha carteira assinada e estar trabalhando no jornal O Globo. Depois, o sucesso foi chegar na TV. Mais para frente, o sucesso foi sair do noticiário local e participar dos telejornais em rede [veiculados em todo território nacional]. Depois, quis apresentar. O sucesso vai mudando."
Consolidada na carreira e longe do compromisso de estar diariamente nos estúdios de TV, Fátima atualmente se considera bem-sucedida pela autonomia em decisões profissionais. " Hoje em dia, o sucesso está associado à possibilidade de escolha e liberdade de tempo. É muito bom escolher o projeto que você quer fazer e como ele vai se encaixar na sua vida. Continuo me dedicando ao trabalho, mas escolho o que quero fazer, e aos filhos, conciliando maneiras de ver esse povo (risos)", diz ela, que é mãe dos trigêmeos Beatriz, Laura e Vinicius, do casamento com o ex-marido, o jornalista William Bonner, primeiro convidado da temporada. Enquanto Bia mora no Rio de Janeiro, Vinicius e Laura vivem na França.
Quem: A diferença de gerações é um dos pontos de destaque Cá entre Nós, podcast que você apresenta com sua filha Bia Bonemer. Como estabeleceram a sintonia profissional?
Fátima Bernardes: Para mim, a diferença de gerações funciona muito bem. Nos meus projetos para a TV, sempre tive a preocupação em contar com gente jovem na equipe. A renovação é extremamente importante para a gente não se acomodar. Essa diferença de gerações me traz uma certa tranquilidade porque sei que estaremos com diferentes olhares. Assim, a conversa flui não apenas com o meu olhar e minha experiência, mas também com o olhar de uma pessoa com uma vivência completamente diferente da que eu tinha na idade dela e da idade que tenho hoje.
O sucesso da primeira temporada, lançada em maio, foi um estímulo para que a segunda temporada saísse logo do papel?
Quando estreamos nem sabíamos que seriam temporadas. Era um projeto. Fizemos seis episódios com o tema foi maternidade. Tivemos convidadas que toparam falar sobre assuntos íntimos e delicados. No podcast, não temos como objetivo que o convidado chegue e se sinta em um divã do terapeuta. Queremos estabelecer o que é fundamental para uma entrevista: a relação de confiança. O convidado sabe que está à frente de uma pessoa que está ali para ouvir, mas não quer explorar fragilidades. Se naquele momento for bom para o entrevistado falar [sobre um tema mais delicado], vai ser ótimo para nós também.
E como tem sido a repercussão?
Nesta temporada, desde que saiu o teaser com o William, a galera entendeu muito como era a nossa proposta. Um bate-papo mais leve, mais solto. Mais do que uma entrevista gostamos quando rola como uma conversa.
Como é trabalhar com Bia, dividir o camarim com ela?
É muito diferente [o jeito de trabalho de cada uma]. Depois de preparar a pauta, ela pede uns cinco minutinhos para o celular. É o momento do relax dela. Acho engraçado observar essa diferença. Meu momento de orgulho foi durante a entrevista com o [antropólogo] Michel Corporado. Ele foi muito elogioso com a Beatriz.
O tema desta temporada é sucesso. Como você enxerga o sucesso?
Percebi como o sucesso muda de tempos em tempos. Quando fui apresentar o Fantástico, o sucesso era uma coisa. Hoje, é outra. A percepção do sucesso mudou. E achei que as pessoas teriam histórias interessantes a contar. O sucesso pode ser múltiplo e diverso.
Como avalia este novo caminho profissional da Beatriz?
Acho que é mais um caminho para ela. Fico feliz porque vejo que ela está contente. Sempre acompanho as escolhas que ela faz. Lembro das nossas conversas nos tempos em que estava na faculdade. Gosto de ver que a Beatriz está se encontrando. Esta possibilidade [de apresentar um podcast] é mais uma opção. Ela é tão jovem. Virão muitas pela frente.
E o que é mais difícil: dividir a bancada do JN com o William Bonner ou o podcast com a Bia?
Ah, não tem comparação! O Jornal Nacional é mais difícil. Imagine estar na cobertura política atual? É tão bom fazer um projeto sem cobrança! Não há cobrança por audiência. Entregamos da melhor maneira que podemos. Queremos que muitas pessoas assistam. Olha a minha alegria de não estar cobrindo o Jornal Nacional (gargalha). A pele está boa, estou feliz.
Você tem uma longa trajetória na TV. Como funciona um videocast por trás das câmeras? Vocês cuidam de detalhes ou contam com uma equipe?
Temos uma equipe, mas participamos de tudo. Além da elaboração das pautas, eu também gosto de participar do convite aos convidados. Como é tudo muito novo, tem vezes que eu ligo pessoalmente para fazer o convite, explico o formato do nosso podcast. Faço o contato inicial e, depois, a equipe do entrevistado pode combinar com a nossa, para acertarmos datas. É um processo coletivo. O audiovisual é coletivo.
Ainda falando sobre o tema central da temporada, sua definição de sucesso mudou ao longo do tempo?
Claro! No início da minha carreira, a definição de sucesso era ter minha carteira assinada e estar trabalhando no jornal O Globo. Depois, o sucesso foi chegar na TV. Mais para frente, o sucesso foi sair do noticiário local e participar dos telejornais em rede [veiculados em todo território nacional]. Depois, quis apresentar. O sucesso vai mudando. Hoje em dia, o sucesso está associado à possibilidade de escolha e liberdade de tempo. É muito bom escolher o projeto que você quer fazer e como ele vai se encaixar na sua vida. Durante um tempo, dediquei muito da minha vida ao trabalho. Depois, tive filhos e me dividi entre o trabalho e à família. Hoje, continuo me dedicando ao trabalho, mas escolho o que quero fazer, e aos filhos, conciliando maneiras de ver esse povo (risos).
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