Reeleito, Lula herda pendências sobre casos Lulinha e Marcola
Reeleito neste domingo (25), o presidente Lula (PT) ainda tem em seu encalço imbróglios que o acompanharam durante a campanha.
Investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do petista, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, estão entre as pendências que podem voltar a pesar sobre o governo.
Também podem atingir Lula e o entorno dele novos desdobramentos do caso Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e de suas relações com pessoas próximas ao petista.
Trocas de acusações de corrupção, tanto de um lado quanto de outro, marcaram o embate entre o atual ocupante do Palácio do Planalto e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Contra Flávio, pesa, por exemplo, a revelação de que ele pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai, Jair —o longa denominado "Dark Horse". Em outra frente, há a relação com o advogado Willer Tomaz, suspeito de lavagem no âmbito de apurações sobre as fraudes do INSS e sobre um esquema de bets.
Para o petista, o caso mais sensível é o de âmbito familiar. As apurações envolvendo Lulinha incluem a relação com a lobista Roberta Luchsinger e a suspeita de atuar para favorecer negócios privados junto ao governo.
De acordo com diálogos obtidos pela Polícia Federal, a empresária dizia falar em nome do filho do presidente, utilizando a expressão: "Eu sou o Fábio".
Até o momento vieram a público três inquéritos que miram Lulinha. A PF apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A defesa nega ligação dele com qualquer tipo de irregularidade.
Outro na mira dos investigadores é Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal de Lula. Conversas obtidas pela PF registram que Roberta comprou joias de diamantes e presenteou Marco Aurélio. As investigações integram o material desdobrado das fraudes do INSS.
O ex-chefe de gabinete do presidente também já havia afirmado que tomara empréstimo de R$ 249 mil com a lobista.
O risco para o novo mandato está na possibilidade de que novas diligências, depoimentos ou documentos acrescentem elementos às investigações.
No último dia 17, Roberta afirmou em entrevista à CNN Brasil que pretende firmar um acordo de delação premiada.
À TV Bandeirantes Lula afirmou acreditar na inocência do filho e de Marcola, mas disse que não interferiu nas apurações e defendeu que ambos sejam investigados.
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Outra frente que pode causar desgaste ao presidente reeleito é o caso do Banco Master. As investigações sobre irregularidades envolvendo a instituição de Vorcaro alcançaram políticos de diferentes matizes ideológicos, incluindo aliados do petista.
O avanço das apurações pode ampliar a pressão sobre o Palácio, sobretudo se vierem à tona relações ainda não esclarecidas entre o ex-banqueiro e integrantes da base governista.
A relação de políticos com o empresário foi explorada durante a campanha deste ano, com lulistas e bolsonaristas trocando acusações sobre elos dos respectivos grupos com Vorcaro.
Na reta final do segundo turno, a revista Veja divulgou um áudio em que o ex-banqueiro afirma ter liberado recursos para um documentário sobre a vida de Lula. A PF e a PGR (Procuradoria-Geral da República) negam que Vorcaro tenha prestado depoimento ou entregue documento sobre o suposto financiamento do filme.
Dias depois, a revista publicou que o empresário teria comprado um uísque Macallan 1945, avaliado em cerca de R$ 500 mil, para presentear o petista. Flávio se valeu do caso para acusar o adversário no debate da Globo na última sexta-feira (23).
O próprio Lula recebeu Vorcaro fora da agenda oficial em 2024. O encontro, porém, ocorreu antes de o escândalo de fraude financeira vir a público.
Mas a repercussão do caso Master não se limita ao Planalto. O senador Jaques Wagner (PT-BA), reeleito neste ano, aliado histórico de Lula, foi alvo de ação da PF relacionada às investigações sobre o banco. Wagner nega irregularidades.
Naquela época, o episódio teve consequências políticas: o senador, então líder do governo no Senado, deixou o cargo. Segundo ele, o arranjo foi em "comum acordo".
Mesmo assim, Lula dividiu palanque com o baiano na campanha e pediu votos para ele.
O avanço das investigações e a homologação de eventual delação premiada podem definir a dimensão do problema para o próximo governo.
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