Salário mínimo: veja o que já defenderam as campanhas dos candidatos a presidente

Seu cálculo passou por mudanças nos últimos anos. Até 2022, no governo Jair Bolsonaro (PL), não foi concedido aumento acima da inflação. No atual governo, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi retomada a política de reajuste real.
🔎De acordo com a Constituição brasileira, o salário mínimo deve ter reajustes periódicos que preservem seu poder de compra. Para isso, a legislação utiliza como referência a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A Constituição não impede que o reajuste fique acima da inflação.
➡️A alta real nos últimos anos impulsionou a renda dos brasileiros, a atividade e a arrecadação, mas também elevou as despesas do governo — contribuindo para o desequilíbrio das contas públicas.
Por ser um indicador importante da economia, o g1 buscou saber quais são as propostas dos candidatos para a política de aumento do salário mínimo.
O que dizem as campanhas
Falando em nome da campanha de Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a atual fórmula que prevê aumento acima da inflação para o salário mínimo (limitada a 2,5% de alta real) será mantida em um eventual novo mandato de Lula, assim como seu atrelamento aos benefícios previdenciários.
"Será dada continuidade ao processo de ajuste fiscal iniciado em 2023, que reduziu o déficit em, aproximadamente, 2% do PIB, preservando a fórmula de reajuste do salário mínimo, com ganho real, conforme proposta apresentada e aprovada, bem como as vinculações aplicáveis aos benefícios previdenciários", informou o ministro Durigan.
O g1 também entrou em contato com a equipe de campanha do candidato Flávio Bolsonaro e questionou se, em caso de vitória, o novo governo pretende alterar o atual formato de correção do salário mínimo e manter a vinculação dos benefícios previdenciários ao piso. Perguntou, ainda, qual seria a proposta exata para a regra de reajuste do salário mínimo.
A equipe de Flávio Bolsonaro, que tem prometido um "tesouraço" nos gastos públicos, entretanto, não respondeu diretamente aos questionamentos. Lembrou apenas que o candidato do PL tem dito que "não irá mexer no salário mínimo nem na aposentadoria dos brasileiros".
Não esclareceu, porém, o que isso significa na prática: se os reajustes do salário mínimo continuarão acima da inflação e se os benefícios previdenciários permanecerão vinculados ao piso. Também não detalhou qual seria a proposta para o modelo de correção do salário mínimo.
"Ao contrário do cenário de caos nas contas públicas criado por Lula, o processo de consolidação fiscal proposto pela equipe de Flávio Bolsonaro será feito pelo lado da despesa, com o fim de privilégios e penduricalhos e a racionalização de gastos ineficientes, com redução de impostos (...) Agiremos com responsabilidade, eficiência e coragem para racionalizar despesas e reconstruir as contas públicas. O Brasil será recolocado no caminho da prosperidade e desenvolvimento", declarou a equipe de Flávio Bolsonaro.

Orçamento 2027: governo prevê aumento do salário mínimo para R$ 1.741 no próximo ano
Mudanças no cálculo
Diferença de valores
O salário mínimo, atualmente em R$ 1.621, seria de R$ 1.451 neste ano se tivesse sido mantida, de 2023 em diante, a política adotada no governo de Jair Bolsonaro — que não concedeu reajustes acima da inflação. O valor seria R$ 170 menor do que o que vigora atualmente.
O cálculo, que considera o formato anterior de correção do salário mínimo, foi feito pelo g1 e confirmado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, arredondando o valor sempre para cima.
SALÁRIO MÍNIMO NOS ÚLTIMOS ANOS COM E SEM AUMENTO REAL
Impacto na renda e na inflação
➡️O aumento real do salário mínimo, ou seja, acima da inflação, tem impacto na renda não somente dos trabalhadores brasileiros, mas também dos aposentados e pensionistas — que, pelas regras atuais, não podem receber um valor abaixo do piso nacional.
"O salário mínimo tem enorme alcance social, servindo de referência direta para trabalhadores assalariados, servidores públicos, beneficiários da Previdência Social, do BPC e do abono salarial, além de influenciar a remuneração de trabalhadores sem carteira assinada. Ao elevar o piso nacional, a política contribuiu para a redução das desigualdades salariais, inclusive entre homens e mulheres, negros e não negros e entre diferentes regiões do país", avaliou o Dieese, no fim de 2025.
➡️Ao mesmo tempo, por injetar mais recursos na economia, o crescimento real do salário mínimo também estimula o nível de atividade da economia, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB), via aumento da demanda, com impacto positivo na arrecadação federal.
➡️Por outro lado, a alta real do mínimo é um dos principais fatores de pressão sobre as despesas e de desequilíbrio das contas públicas, pois cada R$ 1 de aumento gera uma alta de gastos do governo acima de R$ 400 milhões por ano, pressionando também a inflação.
➡️As contas do governo, por sua vez, registram déficits recorrentes desde 2014. A exceção foi 2022, último ano do governo Bolsonaro.
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