Ibovespa ensaia recuperação após seis quedas com bom humor global em dia de Copom
O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira, 4, e interrompe uma sequência de seis pregões consecutivos de queda. Por volta das 11h40, o principal índice da B3 avançava 1,06%, aos 167.286 pontos, em um movimento de recuperação acompanhado pelo recuo dos juros futuros. Os investidores, porém, mantêm a cautela antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para o fim da tarde, que definirá o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic.
O alívio nos mercados também acompanha o desempenho positivo das bolsas internacionais e a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Os investidores repercutem os resultados das eleições de meio de mandato, as midterms, nos Estados Unidos, que ajudaram a reduzir as incertezas sobre os rumos da política econômica do país.
Na B3, as ações mais sensíveis à atividade econômica doméstica estão entre os destaques positivos do dia. O movimento também encontra apoio na valorização da maior parte das chamadas blue chips, ações de maior peso e liquidez do mercado. A exceção fica por conta dos papéis ligados ao setor de petróleo, pressionados pela desvalorização da commodity no mercado internacional.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o pregão combina fatores externos favoráveis com a expectativa em torno da política monetária brasileira. O ambiente internacional mais positivo oferece algum suporte aos ativos locais, mas as incertezas domésticas, especialmente no campo fiscal e nas perspectivas para juros e inflação, continuam limitando uma recuperação mais consistente da Bolsa.
"O cenário internacional oferece um contrapeso de alívio que ajuda a sustentar a abertura dos negócios. A perspectiva de um governo dividido no Congresso americano foi recebida de forma otimista pelos agentes financeiros, uma vez que esse desenho político reduz as chances de mudanças econômicas bruscas e traz uma maior previsibilidade global", afirma Nossig.
"Esse bom humor externo ajuda a equilibrar as tensões domésticas, fazendo com que a Bolsa brasileira divida as suas atenções entre o novo cenário estabelecido em Washington e o futuro da política monetária nacional", acrescenta.
O mercado aguarda a decisão do Copom em um cenário de deterioração das expectativas econômicas. A expectativa predominante é de interrupção do ciclo de cortes da Selic, diante da desvalorização cambial, da elevação dos prêmios de risco e da piora das projeções de inflação.
Além da decisão, os investidores estarão atentos ao comunicado do Banco Central e às sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.
No câmbio, o dólar comercial apresentava leve queda de 0,12%, cotado a R$ 5,481, depois de encerrar a sessão anterior no maior patamar do ano.
Altas e baixas do Ibovespa
Entre as maiores altas do índice, Santander e Vamos se destacavam, com ganhos de 6,17% e 5,96%, respectivamente. O movimento também beneficiava as ações do Assaí, que subiam 4,49%, da Cyrela, com valorização de 4,41%, e da Localiza, que avançava 4,16%.
Na ponta negativa, BB Seguridade liderava as perdas, com recuo de 4%, a R$ 39,68. Os papéis reagem aos resultados do terceiro trimestre, quando a companhia registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 2,432 bilhões, queda de 5,1% na comparação anual.
A Usiminas também figurava entre as maiores baixas, com desvalorização de 3,30%. No setor de petróleo, Prio recuava 2,69%, acompanhando a queda das cotações internacionais da commodity. As ações ordinárias (PETR3) e preferenciais (PETR4) da Petrobras caíam 2,01% e 2,23%, respectivamente.
Bolsas de Nova York abrem em alta
Em Nova York, as bolsas também operavam em alta. Os mercados americanos abriram às 11h30, pelo horário de Brasília, após o início do horário de verão nos Estados Unidos.
Por volta das 11h40, o Dow Jones subia 1,87%, aos 52.755,75 pontos. O S&P 500 avançava 1,16%, aos 7.656,86 pontos, enquanto o Nasdaq registrava alta de 1,06%, aos 25.639,72 pontos.
Bolsas na Europa também sobem, enquanto na Ásia fecharam mistas
Na Europa, as bolsas também operavam em alta nesta quarta-feira. O índice pan-europeu EuroStoxx 600 avançava 0,50%, aos 648,88 pontos. Entre as principais praças, Londres subia 0,20%, Paris tinha ganho de 0,30% e Frankfurt avançava 0,45%. Em Madri e Milão, as altas eram mais expressivas, de 1,24% e 1,10%, respectivamente.
Os investidores também avaliavam os desdobramentos das eleições legislativas nos Estados Unidos. A vitória dos democratas alimenta preocupações sobre a possibilidade de regras mais rígidas para o setor de inteligência artificial (IA), mas, por outro lado, traz algum alívio em relação à trajetória da dívida pública americana.
Já as bolsas asiáticas encerraram a sessão desta quarta sem direção única.
No Japão, o Nikkei recuou 1,42%, aos 62.188,63 pontos, após a retomada das negociações depois de um feriado. Entre os destaques negativos, as ações do SoftBank Group caíram 3,2%. A companhia é uma das principais investidoras da OpenAI. Já a Kioxia Holdings, fabricante de chips de memória, perdeu 5,4%, após divulgar projeções para o período entre outubro e dezembro abaixo das expectativas do mercado.
Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,62%, aos 5.683,80 pontos. O resultado positivo veio apesar das perdas de 0,1% das ações da SK Hynix e de 0,7% da Samsung Electronics. Em Taiwan, o Taiex encerrou o pregão em queda de 0,83%, aos 42.948,91 pontos. Já em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,67%, aos 23.919,50 pontos.
Na China continental, os ganhos foram mais expressivos. O Xangai Composto avançou 2,16%, aos 3.686,17 pontos, enquanto o Shenzhen Composto registrou alta de 3,7%, aos 2.149,84 pontos. Na Oceania, o movimento foi negativo. Em Sydney, o S&P/ASX 200 recuou 0,59%, encerrando o dia aos 8.834,50 pontos.
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