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Monday, November 2, 2026

Aquecimento global ameaça geleiras e áreas congeladas do planeta, segundo relatórios da ONU

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Ultrapassar 1,5°C de aquecimento global terá consequências "irreversíveis" para as geleiras, o gelo marinho e as áreas congeladas da Terra. O alerta está em dois relatórios da ONU divulgados nesta segunda-feira (2), que defendem ações contra o aquecimento global "o mais rápido possível".

O limite de 1,5°C acima dos níveis da era pré-industrial é a meta mais ambiciosa estabelecida pelo Acordo de Paris. Segundo um dos relatórios, ultrapassá-lo provocará consequências importantes, e muitas vezes irreversíveis, na criosfera e nos oceanos polares, regiões do planeta onde há neve, gelo e solos permanentemente congelados.

O derretimento das geleiras e do gelo marinho, o descongelamento do permafrost, camada de solo que permanece congelada por pelo menos dois anos consecutivos e que pode liberar grandes quantidades de gases de efeito estufa ao descongelar, e a aceleração da elevação do nível do mar estão entre os principais impactos. As consequências incluem maior risco de inundações, perdas econômicas e ambientais, escassez de água e aumento dos perigos em áreas montanhosas.

Já está quente demais

Alguns efeitos já podem ser observados. Na Suíça, por exemplo, 20% da massa das geleiras já desapareceu, segundo o relatório.

Embora a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C continue sendo considerada importante, ela já seria alta demais para a criosfera. A chamada "temperatura de segurança" para essas regiões estaria mais próxima de 1°C, ou até abaixo disso.

O aquecimento global já chegou a 1,37°C em relação à era pré-industrial. Segundo o serviço europeu Copernicus, a marca de 1,5°C poderá ser ultrapassada de forma permanente por volta de 2030.

"Para limitar os danos provocados pela perda de gelo nas regiões polares e montanhosas do planeta, as temperaturas precisam ser reduzidas para bem abaixo de 1,5°C o mais rapidamente possível", afirma James Kirkham, principal autor de um dos relatórios, divulgados uma semana antes da COP31, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas.

"Cada fração adicional de grau e cada ano acima desse limite provocarão consequências mais devastadoras", alerta.

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Recuperação pode levar séculos

Os cientistas também chamam atenção para o risco de ultrapassar determinados pontos de não retorno. Mesmo que o aquecimento global volte a ficar abaixo de 1,5°C, a recuperação das áreas congeladas seria muito lenta.

No caso das grandes calotas de gelo, retornar a um nível de aquecimento inferior a 1,5°C não apagaria os efeitos provocados pelo período em que esse limite foi ultrapassado, explica Chen Zhao, glaciologista especializada na Antártida e uma das autoras dos relatórios.

Ainda existem, porém, alguns sinais positivos. Algumas geleiras poderiam se recuperar parcialmente se o aquecimento global voltasse rapidamente para uma média inferior a 1,5°C ou até 1°C. O gelo marinho do Ártico também poderia se beneficiar.

O problema é que essa recuperação seria muito mais lenta do que o processo de derretimento. "Isso pode levar várias décadas, ou até séculos", afirma Matthew England, oceanógrafo e climatologista da Universidade de Nova Gales do Sul.

Ainda há tempo para reduzir os danos

O segundo relatório alerta que um cenário de aquecimento de 2,8°C, mantido ao longo do próximo século, teria consequências ainda mais graves.

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O nível do mar poderia subir até 5 cm por ano até 2150, contra cerca de 0,45 cm atualmente. O derretimento do permafrost também poderia liberar, todos os anos, uma quantidade de CO? equivalente às emissões atuais dos Estados Unidos, segundo maior emissor do mundo.

Esse cenário extremo, no entanto, não é considerado improvável. De acordo com um relatório recente da ONU, mesmo que os países cumpram seus atuais compromissos climáticos, o planeta caminha para um aquecimento de cerca de 2,6°C até 2100.

"Uma ultrapassagem temporária de 1,5°C não significa que os objetivos do Acordo de Paris tenham perdido importância. Pelo contrário, isso os torna ainda mais urgentes", afirma Kirkham.

Segundo ele, medidas políticas imediatas e ambiciosas, especialmente para reduzir o uso de combustíveis fósseis, ainda podem diminuir significativamente os danos à criosfera e suas consequências para as populações e o planeta.

"As decisões tomadas nos próximos anos determinarão a dimensão dos danos", afirma Gunjan Silwal, pesquisador nepalês especializado em geleiras. Para ele, "a tragédia no Nepal é apenas um aviso do que pode acontecer".

Em agosto, o desabamento de uma geleira e de parte de uma montanha no norte do Nepal, atribuído por cientistas ao aquecimento global, provocou mais de 1.500 mortes e deixou 5.000 pessoas desaparecidas.

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