Daily MaverickDemocrats gain ground in battle for Congress with North Carolina flipBollywood HungamaAditya Roy Kapur and Tara Sutaria's film with Milap Zaveri titled Parwana한겨레통장 빌려주다 범죄조직에 취직한 청년들…157명 입건InquirerDizon: Buses with discounted fares augment LRT-2 service starting Nov. 4BillboardKATSEYE Postpones Detroit Concert Due to IllnessZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioSözcüTrump için felaket tablosu: İlk açıklamayı yaptıLenta.ruЕще одного популярного российского рэпера внесли в базу ГУР Минобороны УкраиныTagesschauUS-Zwischenwahlen: Erste Erfolge für die DemokratenDaily MailTrump insists Republicans would have won in a 'landslide' if he was on the ballot as GOP faces midterms 'massacre': Live updatesNHK 社会“北朝鮮が日本海に向けてミサイル数発を発射”韓国軍発表SDP EspectáculosPremios HEAT 2026: Juan Magán gana como DJ del Año y agradece el apoyo de sus fans
The Daily Newsstand · Free, Always
Wednesday, November 4, 2026

Escuta e diálogo são base para prevenir violência sexual infantil

Translate

Escutar as crianças, acreditar no que elas dizem e manter um diálogo aberto desde a primeira infância são medidas essenciais para prevenir a violência sexual infantil. Especialistas recomendam que pais e mães conversem com os filhos sobre toques seguros e consentimento para que eles identifiquem situações que ultrapassem os limites e saibam como pedir ajuda.

Essas recomendações aparecem no podcast Escute de Perto, que a Folha lança nesta quarta-feira (4) em parceria com o Instituto Liberta. Em seis episódios, a série aborda diferentes aspectos da violência sexual infantil e reflete sobre as melhores práticas para proteger crianças e adolescentes.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 48 mil casos de estupro contra crianças e adolescentes menores de 14 anos em 2025. O número equivale a 131 vítimas por dia.

Ainda segundo os dados da entidade, 9 em cada 10 casos tiveram como autores familiares ou outras pessoas conhecidas da vítima. Em 70% das vezes, os abusos ocorreram em casa.

Para Luciana Temer, diretora-presidente do Instituto Liberta, o país mantém uma cultura permissiva com esse tipo de violência, que é enraizada dentro das famílias.

A organização aposta na educação e na comunicação com as crianças como estratégia para enfrentar as agressões.

"Ninguém está 24 horas por dia com seu filho ou sua filha. Então, a coisa mais preciosa que você pode dar é instrumentos para que aquela criança se conheça, conheça o seu corpo, perceba as suas emoções, os seus sentimentos, e possa reconhecer situações desconfortáveis e se defender", afirma.

A prevenção, porém, ainda enfrenta obstáculos, como a falta de conhecimento das crianças sobre o próprio corpo e a dificuldade ou resistência das famílias em falar sobre o assunto.

Renata Greco, psicanalista e gerente de comunicação do Instituto Liberta, explica que ensinar os nomes corretos das partes íntimas —em vez de chamar por apelidos— é importante para que os filhos entendam o que é privado e quem pode ou não tocá-las. Isso também ajuda a identificar situações desconfortáveis e descrevê-las com clareza para pedir ajuda.

Quando crianças narram uma situação de violência, muitas vezes são desacreditadas. Para Greco, manter uma relação de confiança e acreditar no relato dos filhos evita que eles sofram novas agressões.

Em 2025, o instituto publicou o Guia Saber Liberta, que reúne orientações para que pais e cuidadores abordem o tema com os filhos, de acordo com a faixa etária.

Na adolescência, por exemplo, a atenção se volta também às violências enfrentadas no ambiente digital, que amplia as possibilidades de aliciamento, contato com desconhecidos e circulação de imagens íntimas.

O pediatra e ativista pela infância Daniel Becker recomenda que as famílias estabeleçam regras para o uso de aparelhos, redes sociais e plataformas de jogos, inclusive com limite de tempo e aplicativos de controle parental.

O trabalho de prevenção, contudo, não deve ficar restrito à família. Sendo um dos locais onde as crianças passam a maior parte do tempo, a escola é um espaço estratégico para trabalhar o tema, identificar situações de abuso e encaminhar suspeitas.

O programa Saúde nas Escolas, do governo federal, prevê a abordagem da prevenção de violências em sala de aula, mas a política pública não abrange as escolas particulares. Nesse caso, a garantia de que o tema será discutido varia conforme cada projeto político-pedagógico das instituições, segundo Cristina Cordeiro, pedagoga e diretora-adjunta do Instituto Liberta.

Outro desafio está na formação dos profissionais de educação. Cordeiro afirma que faltam ações continuadas de capacitação, tanto para reconhecer sinais de abuso quanto para acolher vítimas.

Quando há suspeita de abuso, a forma como a criança é ouvida também importa. Repetir o relato várias vezes para diferentes profissionais e ter a palavra colocada em dúvida pode provocar novos sofrimentos para vítimas.

Em vigor desde 2017, a Lei da Escuta Protegida prevê a articulação entre órgãos da Justiça, de segurança pública, assistência social, educação e saúde no apoio às vítimas menores de idade e testemunhas de violência. A integração e a escuta especializada no atendimento buscam evitar a retraumatização.

Grande parte dos municípios brasileiros ainda enfrenta dificuldade em implementar a lei. Uma das exceções é Vitória da Conquista (BA), que criou um espaço físico próprio para ouvir crianças e adolescentes vítimas de violência: o Complexo da Escuta Protegida. O local permite coordenar o atendimento e colher o depoimento especial sem que a vítima precise repetir inúmeras vezes o que viveu.

"Precisa haver um pacto entre todos os atores institucionais para proteger as crianças porque são várias frentes e todos nós somos agentes modificadores na vida delas", afirma Juliane Nogueira, juíza titular da Vara da Infância e Juventude de Vitória da Conquista.

Os episódios do Escute de Perto serão publicados às quartas-feiras e podem ser ouvidos no site da Folha e nas principais plataformas de áudio.

A apresentação é de Giovana Kebian e Márcia Magalhães. A edição de som é de Laila Moualem. A coordenação-geral é de Magê Flores e Daniel Castro. A identidade visual do podcast é de Catarina Pignato.

Em caso de suspeita ou denúncia de violência, acione o Disque 100. O serviço funciona diariamente, 24 horas, e garante o anonimato. Para emergências, é possível acionar a Polícia Militar pelo 190.

Para registrar um boletim de ocorrência, o mais recomendado é procurar uma delegacia. Para investigação de suspeitas e medidas protetivas, procure o Conselho Tutelar.

Escute de Perto
Onde
Nas principais plataformas de podcast
Quando Semanalmente, a partir de quarta-feira (4)

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.