Campanha eleitoral entra no segundo mês de forma desafiadora para Lula
O sinal de alerta na esquerda desta vez vem em um momento de profunda crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. O escândalo do Banco Master, que era até então o calcanhar de Aquiles de Flávio Bolsonaro, por causa da gravação em que ele pede recursos a Daniel Vorcaro, virou hoje um telhado de vidro ainda maior para o governo Lula, uma vez que, no epicentro do caso, está Alexandre de Moraes, relator do inquérito que condenou os golpistas do 8 de Janeiro.
"A princípio, o escândalo do Master afetou mais Flávio Bolsonaro. Porém, agora, mais próximo das eleições e com o alvo muito bem definido no momento, que é Alexandre de Moraes, essa crise desfavorece muito mais a campanha de Lula à reeleição", afirmou à RFI o cientista político André Rosa.
"O discurso bolsonarista anti-Alexandre de Moraes começa a ser um pouco mais palatável para aquele eleitor que antes desconfiava, que o achava exagerado e até uma certa perseguição. Esse eleitor, antes indeciso, pode ter alguma base para associar a imagem de Lula à do próprio Alexandre de Moraes", explica o analista.
Ciente disso, Lula chegou a defender, em vídeo e sem citar nomes, uma investigação total contra todos os suspeitos, doa a quem doer, e tem procurado deixar para a presidência da Corte a busca por uma saída, sem assumir protagonismo na crise institucional.
A aposta da direita
Outro detalhe que não passou despercebido foi a declaração do meteoro Augusto Cury, psiquiatra até então conhecido como escritor de livros de autoajuda e que vem se consolidando como terceiro colocado nas pesquisas. Ele já havia defendido anistia à maioria dos condenados pelo 8 de Janeiro e, nesta segunda-feira, encerrou um discurso mandando um abraço especial ao ministro André Mendonça, do STF, numa demonstração de que pode estar mais próximo de Flávio do que de Lula em um eventual segundo turno.
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