Análise: Vasco cresce com mudanças, quebra jejum e respira contra Z-4 para pensar no Palmeiras


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O primeiro tempo do Vasco foi bem ruim. Além dos três zagueiros, o time contou com a presença de Sosa, volante de marcação, à frente da defesa. Com mais jogadores perto do gol, o argentino teve mais responsabilidades com bola no pé, o que não é seu ponto forte. O Athletico soube explorar isso, pressionando passes do camisa 5.
O gol de Mendoza, em chute de fora da área, nasce justamente de uma falha no posicionamento entre o miolo de zaga e os volantes. O colombiano recebeu completamente livre e teve tempo suficiente para ajeitar o corpo antes de mandar para a rede.

Pedro Emanuel analisa vitória do Vasco sobre o Athletico-PR: "Equipe estava ansiosa"
Mais uma vez, o Vasco, apesar da atuação pouco criativa na etapa inicial, ficou na bronca com a arbitragem: Brenner foi derrubado por Mycael dentro da área, e o árbitro Ramon Abatti Abel sequer revisou o lance no VAR. PC Oliveira, analista de arbitragem dos Canais Globo, entendeu que houve penalidade.
A situação mudou no intervalo, quando Pedro Emanuel corrigiu justamente o maior problema da etapa inicial: a formação com três zagueiros foi mantida, mas Sosa saiu para a entrada de Colidio. O Vasco ganhou mais um jogador à frente, reforçando as opções de passe no meio-campo e ajustou-se à marcação da equipe adversária.
As mudanças, além de ajudarem a equilibrar a parte criativa, fizeram o Vasco aparecer mais para o jogo a partir de Lescano. O camisa 22, isolado no primeiro tempo, foi peça fundamental para buscar a virada apesar de não ter feito gols ou dado assistências. Foi o argentino, justamente diante dos novos espaços conquistados no meio, o responsável por levar a bola da defesa ao ataque. A partir disso, caminhos se abriram.
Gabriel Pereira comemora o terceiro gol do Vasco diante do Athletico-PR — Foto: Robson Mafra/AGIF
Vale ressaltar que a atuação era de pouca criatividade até o gol de empate sair. Cuiabano, que até então fazia um jogo irregular, cruzou forte para a área e contou com desvio contra de Aguirre. A partir disso, criou-se a blitz, e o time soube capitalizar o momento de pressão vinda das arquibancadas, com críticas ao goleiro Mycael, mais a empolgação por um gol com pitada de sorte.
O acaso não foi necessário para os outros dois gols, que saíram em uma blitz vascaína. Com mais homens à frente, triangulações e ultrapassagens tornaram-se comuns. Na segunda bola na rede, Puma Rodríguez passou sozinho à linha de fundo e cruzou na medida para Bruno Duarte marcar; na terceira, Gabriel Pereira cabeceou após falta de Colidio.
Mais do que o resultado, a vitória indica que Pedro Emanuel encontrou uma nova maneira de escalar a equipe, que praticamente só atua com formações táticas baseadas em pontas há quatro anos. O desempenho passou longe de ser perfeito, é verdade, mas o segundo tempo traz luz promissora para quando o português quiser uma alternativa ao elenco.
A equipe também respira (e muito) na luta contra o rebaixamento: o time chegou aos 41 pontos e abriu quatro do Grêmio, primeiro time no Z-4. O Vasco, vale ressaltar, ainda tem partida atrasada contra a Chapecoense, na Arena Condá, no dia 14.
O resultado resgata a moral de que o elenco e, principalmente, Pedro Emanuel precisavam antes de enfrentar o Palmeiras, no domingo, pela semifinal da Copa do Brasil. O time carioca saiu atrás, perdendo por 1 a 0 no jogo de ida, e tentará a virada em São Januário.
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