Olhos cansados: será culpa do ecrã?

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Bom dia, dra. Mariana Sobral. Bem-vinda. Hoje é o Dia Mundial da Visão e no fim de um dia de trabalho, de estudo ou de telemóvel, há quem sinta os olhos secos, pesados, a visão um pouco turva e até dor de cabeça. Falamos muito de olhos cansados, mas afinal o que é isto da fadiga digital?
Olá, Joana. A fadiga digital são uma série de sintomas que estão relacionados com o tempo que nós passamos ao computador, ao tablet, com o telemóvel. Basicamente falamos do olho seco, a sensação de areia, visão desfocada temporariamente, a tal dor de cabeça que dizia, e pode ser incapacitante e muitas vezes é assustador, porque não fazemos a relação imediata entre a exposição e os sintomas.
Ou seja, o ecrã está a fazer mal aos olhos.
Sim. Não causa uma lesão permanente, mas progressivamente pode ir causando alterações que podem ser para sempre.
E por que há dias em que parece pior?
Contam muitos pormenores, as horas seguidas sem pausa, a forma como o monitor está, os reflexos, as letras serem mais ou menos pequenas. E depois, ao mesmo tempo, se, por exemplo, dormimos pouco ou temos os olhos secos por outra razão.
Agravam, não é?
Exatamente.
Há uma regra simples que se possa aplicar durante o dia?
A sugestão mais conhecida é a tal regra dos 20 minutos. A cada 20 minutos, fazer uma pausa e olhar durante 20 segundos para outra coisa qualquer que não seja para o ecrã. Não resolve tudo, mas interrompe pelo menos o esforço.
E no trabalho, há ajustes que podem fazer a diferença?
Sim, muitos ajustes. Tentar colocar o ecrã mais ou menos à distância de um braço, ver bem qual é a luminosidade, aumentar o tamanho da letra.
Faço isso tantas vezes.
E evitar reflexos diretos. Muitas vezes o objetivo não é trabalhar no escuro, mas temos que ter uma iluminação muito confortável, sem brilho e nada de incidir no monitor.
E as famosas gotas para os olhos são indispensáveis ou não funcionam para toda a gente?
Podem funcionar. As lágrimas artificiais aliviam a secura, mas aquilo que nós falamos antes das tais pausas, das alterações no trabalho e nosso comportamento dia a dia com os telemóveis e com os tablets são tão ou mais importantes.
E quando é que já não devemos atribuir tudo ao ecrã?
São os chamados sintomas, novamente, de emergência. Se ficar a visão subitamente alterada, dor ocular ou olho muito encarnado, obviamente que temos que ir ao serviço de urgência. Por outro lado, se mantiver os sintomas, mesmo já tendo sido observado como secura ocular e a tal visão desfocada, deve sempre ser observado por um oftalmologista, porque os ecrãs também podem coexistir com outros problemas.
Para terminar, dra. Mariana Sobral, qual é a mensagem que devemos guardar?
Os nossos olhos não precisam de perfeição, precisam de intervalos. Sei que já falamos muito sobre isso, mas não temos de abandonar os ecrãs, temos é que deixar de os usar sem pausas e respeitarmos os períodos de descanso que também já falámos.
tratardasaude@observador.pt, para onde pode enviar as suas dúvidas. Se preferir, também pode enviar áudio por WhatsApp para o 91 002 41 85. Dra. Mariana, até amanhã.
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