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Sunday, November 1, 2026

A fuga de Flávio aos EUA impacta a diplomacia? Especialista avalia

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A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil em direção aos Estados Unidos gerou repercussões nas relações entre os dois países. Para analisar os possíveis desdobramentos diplomáticos do episódio, o CNN Agora conversou com Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional.

Segundo Priscila Caneparo, a concessão de visto humanitário pelos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro inevitavelmente gerou uma tensão diplomática com o Brasil. No entanto, ela ressalta que é importante distinguir os diferentes níveis dessa tensão.

"A saída do Flávio, inegavelmente, a partir do momento que os Estados Unidos abrem a porta e garantem esse status de visto humanitário para ele — é importante deixar claro que ele não é asilado político até então —, claro que gera uma rusga entre o relacionamento Brasil e Estados Unidos", afirmou.

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Ilicitude e o papel de Marco Rubio

A especialista pontuou que, até o momento, não há nada de ilícito no episódio. Para Priscila Caneparo, uma ruptura diplomática mais grave só ocorreria caso as investigações comprovassem que os Estados Unidos auxiliaram ativamente Flávio Bolsonaro a deixar o território brasileiro.

Ela destacou ainda que a figura central nessa questão não é necessariamente a relação direta entre os líderes dos dois países, mas sim as ações de Marco Rubio. "O problema que eu vejo são as atuações basicamente do Marco Rubio, porque ele de fato disse que encabeçou essa ideia do Flávio Bolsonaro ir para os Estados Unidos", disse.

Priscila Caneparo acrescentou que Marco Rubio, responsável pela política externa para a América Latina, tem interesse em consolidar uma zona de influência pautada por governos de direita na região, o que tornaria o governo brasileiro uma "grande pedra no sapato" para ele.

Apesar disso, a especialista considera pouco provável que o episódio cause um impacto profundo e duradouro nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

Reunião bilateral e pressão interna nos EUA

Questionada sobre o que esperar do encontro entre Marco Rubio e Mauro Vieira antes do G20, Priscila Caneparo avaliou que a abertura para uma reunião bilateral já é, por si só, um sinal positivo.

Ela destacou ainda um movimento relevante, quando 25 deputados democratas entraram com um pedido de explicações à administração Trump sobre as ações relacionadas a Flávio Bolsonaro.

"O Marco Rubio vai ter que prestar esclarecimentos e, se for pressionado, vai ter que justamente prestar esclarecimentos para o Mauro Vieira e também para a sociedade internacional", afirmou.

A especialista também mencionou que existe um movimento dentro dos Estados Unidos favorável à deportação de Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, ela avaliou que a reunião bilateral seria de interesse não apenas do Brasil, mas também do próprio Marco Rubio, que precisaria justificar suas ações diante dos democratas e da comunidade internacional.

Risco às negociações comerciais

Sobre o risco de o episódio contaminar as negociações comerciais em andamento entre Brasil e Estados Unidos, Priscila Caneparo demonstrou cautela. Ela afirmou que, neste momento, não via risco imediato, mas que o cenário poderia mudar a depender do resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

"O risco será se, diferentemente das pesquisas, os republicanos mantiverem a maioria no Congresso dos Estados Unidos. Aí sim, Donald Trump ganha poder e consegue fazer essa pressão por intermédio de instrumentos econômicos", explicou.

Por outro lado, Priscila Caneparo ponderou que o uso de pressão econômica sobre o Brasil por razões políticas poderia gerar insatisfação popular nos Estados Unidos, elevando a impopularidade da administração Trump e colocando em risco a própria governabilidade.

Com uma eventual maioria democrata no Congresso, a tendência seria de maior contenção das ações do governo norte-americano. "A partir do dia 3 de novembro a gente vai poder cunhar essa resposta. Mas nesse momento eu já considero pouco viável que a gente tenha uma pressão econômica ante o governo brasileiro", concluiu.

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