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Sunday, October 11, 2026

Eles cultivam uma planta que rende 60 gramas por ano e miram faturar R$ 16 milhões

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RESUMO +

Fundada em 2016, em Itapetinga, na Bahia, a Vanilla Brasil pretende faturar R$ 16 milhões em 2026, o dobro do registrado em 2025. A empresa aposta na industrialização da baunilha, transformando favas em extratos, pastas e pós de maior valor agregado. Com clientes como Bacio di Latte, St. Marche e Oba Hortifruti, a companhia também prepara sua expansão para os Estados Unidos, com operação própria em Miami e previsão de exportar 900 quilos de produtos. Para sustentar o crescimento, pretende encerrar 2026 com 45 mil plantas.

Uma planta que leva quatro anos para começar a produzir e rende cerca de 60 gramas por ano está por trás de um negócio que pretende faturar R$ 16 milhões em 2026. No interior da Bahia, a Vanilla Brasil aposta na industrialização da baunilha, na conquista de clientes como a Bacio di Latte e na expansão para os Estados Unidos para dobrar a receita em relação a 2025.

A estratégia é transformar uma cultura agrícola de baixa produtividade e custos elevados em um negócio de ingredientes naturais de maior valor agregado. Em vez de comercializar apenas as favas, a companhia produz extratos, pastas e pós de baunilha, que oferecem margens superiores e abastecem supermercados, confeitarias e indústrias de alimentos.

O crescimento também depende do aumento da capacidade produtiva. Em 2024, a empresa colheu 700 quilos de baunilha. No ano seguinte, a produção chegou a 1,5 tonelada, avanço de 114%. Para 2026, a companhia ainda não tem uma estimativa de colheita, mas pretende encerrar o ano com 45 mil plantas.

A expansão ocorre em paralelo à estruturação de uma operação própria em Miami, nos Estados Unidos. A Vanilla Brasil prevê um primeiro embarque de aproximadamente 900 quilos de produtos, que serão comercializados por distribuidores, restaurantes e plataformas digitais, como a Amazon.

Para Tarcísio Machado, administrador que comanda o negócio, a decisão de vender produtos processados no exterior, em vez de exportar apenas a matéria-prima, é uma forma de preservar as margens e aproveitar a demanda existente no mercado brasileiro.

“Meu mercado nacional está muito aquecido. Se eu posso acabar comprometendo a produção aqui, não preciso trazer isso agora”, diz Machado, ao explicar por que a companhia evitou exportar grandes volumes de favas sem processamento nos últimos anos.

O agrônomo Aderbal Castro e o filho, Tarcísio Machado, proprietários da Vanilla Brasil. Crédito: Luiz Neto

A produção de baunilha exige investimentos elevados e um prazo longo de maturação. A planta leva cerca de quatro anos para produzir as primeiras flores. Depois da polinização, são necessários aproximadamente nove meses até a colheita e outros seis meses para o processo de cura e secagem das favas.

A baixa produtividade também limita os ganhos de escala. Segundo Machado, a fazenda trabalha com uma referência de 60 gramas por planta ao ano, embora seja possível obter volumes maiores. A empresa prefere limitar a produção para reduzir os riscos de pragas e perdas associados ao excesso de peso e umidade nas plantas.

O investimento em infraestrutura é outro obstáculo. A última estufa construída pela Vanilla Brasil custou R$ 700 mil e terá capacidade para abrigar entre 6 mil e 8 mil mudas. Considerando a capacidade máxima, o valor equivale a aproximadamente R$ 87,50 por muda apenas em infraestrutura, sem incluir os demais custos de produção.

As condições de cultivo também exigem tecnologia. A baunilha é uma orquídea sensível às variações de luminosidade, temperatura e umidade, o que levou a empresa a desenvolver sistemas de irrigação e ambientes controlados para reproduzir parte das condições encontradas em regiões produtoras tradicionais.

O projeto começou em 2016, quando Machado e o pai, Aderbal Castro, professor universitário e engenheiro agrônomo, decidiram cultivar a especiaria em Itapetinga, na Bahia. As primeiras tentativas fracassaram devido a problemas com fungos nas mudas, o que exigiu a reformulação da estrutura produtiva.

Desde então, a companhia passou a investir em pesquisa para elevar a produtividade e melhorar o processamento das favas. Em 2024, foi contemplada por um edital do SENAI CIMATEC, em parceria com o Sebrae, que disponibilizou R$ 800 mil para testes laboratoriais.

Industrialização da baunilha

A aposta da Vanilla Brasil é aumentar a rentabilidade com a venda de derivados da baunilha, como extratos, pastas e pós, que oferecem margens superiores às das favas in natura.

Entre os clientes estão St. Marche, Oba Hortifruti, Casa Santa Luzia e Bacio di Latte. Segundo Machado, os contratos industriais exigem negociações mais longas, mas garantem pedidos recorrentes. O acordo com a Bacio di Latte, por exemplo, levou quatro anos para ser fechado.

“É difícil, mas as grandes indústrias demoram muito para entrar. Só que, apesar da demora, é uma coisa que está andando”, afirma.

Para sustentar a meta de dobrar o faturamento em 2026, a empresa ampliou a equipe comercial e passou a operar diretamente em marketplaces, antes atendidos por revendedores.

A estratégia também inclui a expansão internacional. A Vanilla Brasil abriu uma operação própria em Miami, nos Estados Unidos, onde já conta com vendedor contratado e negocia com três ou quatro distribuidoras. A Amazon será outro canal de vendas.

A companhia também mantém conversas com compradores do Japão, Paraguai, Itália e Chile, mercados nos quais pretende atuar por meio de distribuidores locais.

Outra frente de crescimento está na diversificação do portfólio. A empresa desenvolve xaropes para bebidas, extratos sem álcool e ingredientes para a indústria de suplementação alimentar, além de pesquisar aplicações da baunilha em cosméticos naturais.

Para atender à demanda futura, a Vanilla Brasil planeja ampliar a produção agrícola. Uma parceria com uma instituição universitária francesa prevê a introdução de uma nova espécie de baunilha no Brasil, com um lote inicial estimado em 2.500 mudas.

Perguntas frequentes

Quanto a Vanilla Brasil pretende faturar em 2026? +

A Vanilla Brasil projeta faturamento de R$ 16 milhões em 2026, o dobro da receita registrada em 2025. Para atingir essa meta, a companhia aposta no crescimento das vendas de derivados da baunilha, na ampliação da carteira de clientes industriais e na expansão internacional.

Quem são os fundadores da Vanilla Brasil? +

A Vanilla Brasil foi criada em 2016 por Tarcísio Machado e seu pai, Aderbal Castro, engenheiro agrônomo e professor universitário. O projeto começou em Itapetinga, no interior da Bahia, com o objetivo de desenvolver o cultivo comercial de baunilha no Brasil.

Quanto tempo a baunilha leva para produzir? +

A planta de baunilha leva aproximadamente quatro anos para produzir suas primeiras flores. Após a polinização, são necessários cerca de nove meses até a colheita e outros seis meses para a cura e secagem das favas. Na Vanilla Brasil, a produtividade de referência é de aproximadamente 60 gramas por planta ao ano.

Quanto custa produzir baunilha no Brasil? +

O cultivo comercial de baunilha exige investimentos elevados em infraestrutura, irrigação e controle ambiental. A última estufa construída pela Vanilla Brasil custou R$ 700 mil e comporta entre 6 mil e 8 mil mudas. Considerando a capacidade máxima, o investimento equivale a cerca de R$ 87,50 por muda apenas em infraestrutura.

Quais empresas compram produtos da Vanilla Brasil? +

Entre os clientes da Vanilla Brasil estão Bacio di Latte, St. Marche, Oba Hortifruti e Casa Santa Luzia. A companhia fornece derivados de baunilha para supermercados, confeitarias e indústrias de alimentos. O contrato com a Bacio di Latte levou quatro anos de negociações até ser concluído.

Como a Vanilla Brasil pretende entrar no mercado americano? +

A Vanilla Brasil estruturou uma operação própria em Miami, nos Estados Unidos, e prevê um primeiro embarque de aproximadamente 900 quilos de produtos processados. A empresa já contratou um vendedor, negocia com três ou quatro distribuidoras e pretende comercializar seus produtos também pela Amazon.

Quanto a produção de baunilha da empresa cresceu? +

A produção da Vanilla Brasil passou de 700 quilos em 2024 para 1,5 tonelada em 2025, crescimento de aproximadamente 114%. A companhia ainda não divulgou uma estimativa de colheita para 2026, mas pretende encerrar o ano com 45 mil plantas.

Quais são os planos de expansão da Vanilla Brasil? +

Além da entrada nos Estados Unidos, a Vanilla Brasil negocia com compradores do Japão, Paraguai, Itália e Chile. A companhia também desenvolve xaropes, extratos sem álcool e ingredientes para suplementos e cosméticos. Na produção agrícola, uma parceria com uma instituição universitária francesa prevê a introdução de uma nova espécie de baunilha, com um lote inicial estimado em 2.500 mudas.

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