China recebe mais de 80% das encomendas mundiais de navios

Os estaleiros chineses receberam, entre janeiro e setembro, novas encomendas de construção naval equivalentes a 81,8% do total mundial, um aumento de 14,5 pontos percentuais face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais divulgados esta sexta-feira.
Segundo o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês, as novas encomendas atingiram 175,3 milhões de toneladas de porte bruto, um aumento homólogo de 163,2%.
A quota da China nas novas encomendas mundiais subiu face aos 67,3% registados nos primeiros nove meses de 2025, embora tenha recuado ligeiramente em relação aos 82,3% alcançados no primeiro semestre deste ano.
A produção dos estaleiros chineses atingiu 58,1 milhões de toneladas de porte bruto, um crescimento homólogo de 50,7%, correspondente a 63,6% do total mundial.
A carteira de encomendas pendentes ascendeu a 399,1 milhões de toneladas, mais 64,8% do que um ano antes, representando 72,4% do mercado internacional.
A China concentrou também 74,1% das novas encomendas mundiais de navios movidos a energias consideradas verdes, mais 5,7 pontos percentuais do que no primeiro semestre, numa altura em que o transporte marítimo procura reduzir as emissões poluentes.
O crescimento ocorre num mercado internacional marcado pela renovação das frotas, pela procura de embarcações mais eficientes e pela reorganização das rotas comerciais devido às tensões geopolíticas, fatores que aumentaram as necessidades de capacidade de transporte em determinados segmentos.
A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento alertou que o prolongamento das rotas marítimas, sobretudo devido aos desvios do canal do Suez para o cabo da Boa Esperança, está a aumentar a procura de capacidade de transporte marítimo.
A expansão da indústria naval chinesa reforça a posição do país face a outros grandes construtores asiáticos, nomeadamente a Coreia do Sul e o Japão.
No entanto, as quotas divulgadas por Pequim são calculadas em toneladas de porte bruto, não refletindo necessariamente o valor económico ou a complexidade tecnológica dos navios encomendados.
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