Até quando vai continuar o silêncio de António José Seguro?

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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Onde está? O que se passa com o Oli? Alguém sabe do António José Seguro?
Desapareceu do Palácio de Belém um sexagenário recentemente eleito presidente da República. No dia do desaparecimento, vestia um fato azul-escuro e uma gravata cinzenta e, na mesma altura, foi visto pela última vez um indivíduo natural de Espinho. Acaba por ser estranho o desaparecimento do primeiro-ministro durante 11 dias e o silêncio do presidente da República. E no caso de António José Seguro, este silêncio está a incomodar a esquerda, incluindo algumas pessoas que votaram em Seguro, que faziam até parte da comissão de honra, e que esperavam um presidente mais interventivo numa situação em que há queixas de abusos das autoridades policiais. André Ventura, por sua vez, gostava que o presidente falasse para dar apoio aos polícias, mas de um lado e do outro, parece ser unânime a opinião de que este silêncio do presidente é muito comprometedor. Seguro ainda anda à procura de encontrar o ritmo certo das suas intervenções para não ficar demasiado colado a Marcelo, para encontrar o seu espaço próprio.
Paulo, vamos então conversar sobre a reforma da Segurança Social?
Vamos lá, vamos falar sobre isso então. É essa a proposta, pelo menos da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Carvalho. Esteve ontem no Parlamento para as audições habituais dos ministros das várias áreas sobre o orçamento de Estado e sugeriu um pacto de regime, a expressão é da própria, precisamente para a sustentabilidade da Segurança Social. É uma proposta rara. Os dois maiores partidos, por regra, preferem guerrear politicamente e preferem até andar à procura, às vezes, de motivos de divergência, que muitas vezes até são empolados ou são artificiais, preferem isso a promover algum tipo de entendimento. No caso da Segurança Social, se querem conversar, de facto, até podem partir dos estudos que ambos os governos pediram, de António Costa e agora de Luís Montenegro, pediram nos últimos quatro anos, que são muito mais convergentes quando se olha para os dois estudos do que o debate político parece indicar. Portanto, vamos ver agora como é que o governo desenvolve esta ideia de pacto de regime, como é que responde o PS e, eventualmente, o Chega, já agora, se chega à frente ou não.
Já agora.
Se quiserem.
Bruno, e falta chamar alguém para a CPI, o Luís Neves?
Eu acho que há um senhor em Penacova que uma vez viu Luís Neves a passar de carro e acenou-lhe. Eu acho que deve ter alguma coisa ainda a dizer sobre o assunto. O tema é importante, saber o que andou o antigo diretor nacional da PJ a fazer enquanto esteve à frente da instituição, mas talvez haja aqui algum exagero na quantidade de pessoas que os partidos querem ouvir, antigos primeiros-ministros, antigos presidentes da República, e o atual procurador-geral da República, secretários-gerais de ministérios, jornalistas, representantes sindicais, antigas ministras da Justiça, juízes, um empreiteiro. Não vai ser por falta de atores que esta peça não vai ser um enorme sucesso em todas as televisões do nosso país. Esperamos apenas que não lhes dê uma branca quando forem ouvidos, como normalmente até acontece a quem vai a comissões de inquérito.
É dos nervos. Paulo, ainda não foi desta que houve casamento ibérico nos combustíveis?
Não, não foi desta. A Galp e a Moveh, que é a empresa que durante muitos anos conhecemos como Cepsa, empresa espanhola, namoraram durante meses, fizeram as contas, trocaram propostas. A ideia era unirem os negócios da refinação, no caso da Galp, a refinaria de Sines, e das redes de postos de combustível também em Portugal e Espanha. Mas ontem anunciaram que romperam o noivado, sem chegar a casamento. Não se entenderam sobre os termos do negócio, no fundo, sobre as avaliações do negócio de cada uma das partes. E pronto, cada um fica com o seu negócio, com a sua casa, se quisermos, e desenvolver autonomamente as atividades. A Galp vai continuar à procura de parcerias. Isto num setor onde a escala é muito importante, a dimensão é muito importante, um setor cada vez mais globalizado. E já agora, os receios da perda de soberania nacional sobre a refinaria de Sines também não se materializaram, pelo menos desta vez, com este negócio. Fica tudo na mesma, para já.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
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