Fim da escala 6x1 vai dar votos a Lula? Analista explica dilema de Flávio Bolsonaro
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O Senado aprovou o fim da escala de trabalho 6x1, uma das principais bandeiras defendidas por Lula na campanha eleitoral. Em entrevista à EXAME, o analista político Creomar de Souza afirmou que a repercussão da medida dependerá também da capacidade de comunicação da campanha. A votação ocorreu em meio à disputa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado, a 11 dias do segundo turno das eleições 2026, abriu uma nova frente de debate na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Apesar da popularidade da proposta de redução da jornada de trabalho, o impacto da medida sobre o comportamento dos eleitores ainda é incerto.
Em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME, o analista político Creomar de Souza, sócio-fundador da consultoria de risco político Dharma, afirmou que a aprovação da proposta representa apenas uma parte do desafio enfrentado pela campanha do presidente.
"Tão importante quanto aprovar o tema é fazer com que haja ressonância comunicacional sobre o tema", afirmou Creomar.
A proposta de emenda à Constituição (PEC 221/2019) foi aprovada pelo Senado na quarta-feira, 14, em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação.
O texto prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, e dois dias de descanso por semana.
A PEC já havia passado pela Câmara dos Deputados e, após a aprovação no Senado, seguiu para promulgação, etapa necessária para que as novas regras constitucionais entrem em vigor.
A votação ocorreu em um momento de intensificação das agendas eleitorais e de reorganização das estratégias de comunicação dos dois candidatos que disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Segundo pesquisa Quaest, divulgada na quinta-feira, 14, 61% dos brasileiros apoiam a implementação da escala de trabalho 5x2.
Aprovação da escala 6x1 pode se transformar em apoio eleitoral?
Na avaliação de Creomar, o resultado de transformar a aprovação da medida em voto vai depender da capacidade da campanha petista em divulgar nas redes e outras plataformas que a gestão Lula foi fiadora da proposta.
O analista afirmou que o avanço da proposta ocorre em um contexto de reorganização do PT e de reposicionamento de integrantes do Congresso diante do resultado do primeiro turno.
"Eu acredito que é um pouco de cada coisa e a junção dessas duas coisas, que são os elementos que você falou, que é o PT se reorganizando a partir da urgência [...] e a necessidade de atores legislativos e atores do mundo político como um todo de se reposicionarem numa mudança profunda da configuração do parlamento", afirmou.
Segundo Creomar, essa combinação de fatores abriu espaço para a aprovação de uma proposta defendida pelo governo na reta final da disputa.
"Essa é uma pauta boa para o governo. E aí o governo pode dizer nessa penúltima semana que aprova 6x1", disse.
O analista citou o grupo de WhatsApp chamado Exército do Lula, iniciativa ligada ao deputado federal André Janones, como um dos canais previstos para ampliar a circulação de conteúdos sobre a medida.
Segundo ele, a suspensão do canal, após decisão do ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, pode dificultar a estratégia de comunicação planejada pela campanha.
"O que me parecia que era o desenho da campanha do presidente Lula é: vamos aprovar 6x1 e vamos bater com 6x1 dentro desse grupo de WhatsApp para a mensagem propagar", afirmou.
Creomar acrescentou que a campanha precisaria buscar alternativas para ampliar a divulgação da medida.
"Esse timing talvez esteja perdido; eles precisam de outras alternativas para costurar esse movimento", disse.
Como a votação colocou o PL diante de um dilema
Creomar também avaliou que a articulação política em torno da proposta criou dificuldades para o Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro.
Segundo o analista, a discussão colocou o partido diante de duas alternativas: votar contra uma proposta com apoio popular ou votar a favor de uma medida associada à campanha do presidente Lula.
"Na PEC 6x1, na discussão sobre a PEC da jornada de trabalho 6x1, efetivamente o presidente Lula e o presidente Davi Alcolumbre colocaram o PL numa posição inescapável", afirmou.
"Era ou você paga o preço e vota contra, ou você assume o risco de ser visto como não autêntico na sua posição e vota a favor", acrescentou.
O especialista explicou que uma das respostas apresentadas por integrantes do partido foi defender uma mudança posterior nas regras de jornada de trabalho.
Ele citou manifestações do deputado federal Sóstenes Cavalcante sobre a possibilidade de discutir um modelo baseado em remuneração por hora trabalhada e maior flexibilização das relações de trabalho.
"O que a campanha do Flávio tentou fazer, e alguns interlocutores do Flávio fizeram isso, como o deputado Sóstenes, é dizer: olha, vai aprovar agora, mas se o Flávio for presidente, a gente vai tentar alterar no ano que vem", afirmou.
Essa alternativa envolveria maior espaço para negociações entre empregadores e empregados, defendida por Flávio antes de declarar voto favorável à PEC.
"Para trazer algo que é melhor, que é a ideia deles, no argumento deles, que é a ideia da jornada por hora, maior flexibilização, negociação direta entre patrão e empregado. Isso era o que eles podiam fazer", disse Creomar.
O que muda com o fim da escala 6x1?
A proposta aprovada pelo Congresso estabelece a substituição da escala de seis dias de trabalho para um de descanso por um modelo com dois dias de repouso semanal remunerado.
O texto também prevê uma redução gradual da jornada máxima de trabalho.
A primeira etapa estabelece o limite de 42 horas semanais dois meses após a publicação da emenda constitucional. Posteriormente, um ano e dois meses depois da publicação, o limite será reduzido para 40 horas semanais.
A proposta mantém a remuneração dos trabalhadores e prevê regras específicas de aplicação.
Embora a votação tenha concluído a etapa de aprovação no Congresso, a implementação das novas regras ocorrerá de forma gradual, conforme os prazos previstos na emenda constitucional.
Perguntas frequentes sobre o fim da escala 6x1
O fim da escala 6x1 já foi aprovado?
Sim. A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Após a votação no Senado, em 14 de outubro de 2026, o texto seguiu para promulgação pelo Congresso Nacional. A proposta não precisa de sanção presidencial.
Quando começa a valer o fim da escala 6x1?
Segundo o texto aprovado, a jornada máxima será reduzida para 42 horas semanais dois meses após a publicação da emenda constitucional. Um ano depois dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas semanais.
O salário será reduzido com o fim da escala 6x1?
Não. A PEC prevê a redução gradual da jornada de trabalho sem diminuição salarial. Também estabelece dois dias de descanso remunerado por semana.
Como Flávio Bolsonaro votou sobre o fim da escala 6x1?
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou a favor da PEC nos dois turnos realizados em 14 de outubro. A participação ocorreu de forma remota, enquanto o candidato cumpria agenda no Rio Grande do Sul.
A aprovação do fim da escala 6x1 pode beneficiar Lula eleitoralmente?
O analista político Creomar de Souza avalia que a repercussão eleitoral da medida depende da capacidade da campanha de comunicar a aprovação da proposta. Não é possível determinar, apenas com a votação no Congresso, se haverá transferência de votos para o presidente.
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