10h. Protestos Habitação. PS e CHEGA questionam acampadas
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Muito bom dia, está com a Rádio Observador, são 10h02. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Luís Montenegro e António José Seguro continuam em silêncio sobre as manifestações pelo direito à habitação, mas esta manhã reagiram ao resultado das eleições no Brasil para felicitar Lula da Silva.
Começamos com Luís Montenegro, que saúda Lula pela reeleição como presidente do Brasil nas eleições de ontem, numa mensagem divulgada na rede social X esta manhã. O chefe do governo português destaca a união entre os dois países na procura da paz e do diálogo internacional. O primeiro-ministro fala numa parceria que quer manter e aprofundar. Na mesma linha, António José Seguro felicita Lula da Silva pela vitória, através de uma publicação no site da presidência. O chefe de Estado lembra a relação entre Portugal e Brasil e demonstra a vontade de continuar a aprofundar esta ligação com o chefe de Estado brasileiro.
Lula da Silva foi assim reeleito presidente do Brasil na segunda volta das presidenciais e promete fazer o melhor mandato de sempre. Já Flávio Bolsonaro, candidato derrotado, alega irregularidades na votação e por isso vai pedir a anulação das eleições à Justiça brasileira.
Lula parte para um quarto mandato como presidente do Brasil aos 80 anos. Fez história, tornou-se o candidato mais votado de sempre, mais de 64 milhões de votos, ou seja, 52%, sendo que nunca no Brasil um candidato venceu a segunda volta de umas presidenciais, tendo perdido na primeira. No discurso de vitória, Lula da Silva deixou uma promessa ambiciosa ao povo brasileiro para os próximos quatro anos.
Eu quero assumir um compromisso na frente da imprensa e na frente de vocês. Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país. Pode ficar certo. Vou dedicar 24 horas por dia pra fazer desse país o país que todo mundo sonha.
Lula da Silva, no discurso de vitória esta madrugada. O presidente reeleito fez, entretanto, uma publicação na rede social X para reforçar que foi feita história nestas eleições.
Já Flávio Bolsonaro anuncia que vai pedir a anulação das eleições. O candidato apoiado pelo Partido Liberal alega que houve irregularidades na votação.
Foi permitido que as urnas permanecessem abertas por mais duas horas, devido a dificuldades no transporte de eleitores. Uma decisão que gerou alguma polêmica, porque algumas mesas de voto já tinham encerrado quando foi comunicada esta decisão. Flávio Bolsonaro critica o momento e anuncia que vai recorrer à Justiça.
O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui na brincadeira.
Flávio Bolsonaro no discurso de derrota. O enviado especial do Observador ao Brasil, José Carlos Duarte, explica que esta intenção não será, no entanto, fácil de concretizar.
Flávio Bolsonaro vai tentar por todos os meios anular a vitória, mas será bastante difícil. Por quê? Porque o Tribunal Superior Eleitoral já declarou que a vitória está validada, portanto, é impossível voltar atrás com a palavra e o Supremo Tribunal Federal também deu o aval para que houvesse o adiamento duas horas. Portanto, ele, em termos judiciais, não terá uma vida muito fácil, mas vai conturbar, provavelmente, os próximos meses. Flávio Bolsonaro tem aqui metade do país com ele e é uma metade de um país que está convicta com ele. É um país, como já foi dito, muito polarizado e que também pode não aceitar o resultado eleitoral.
José Carlos Duarte é o enviado especial do Observador ao Brasil, aqui na história do dia. Flávio Bolsonaro teve quase 60 milhões de votos, o que se traduz em 48,2%. Já aqui vimos neste jornal como o primeiro-ministro português e o presidente da República já felicitaram Lula da Silva. Noutras reações, destaque para o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que divulgou uma fotografia com Lula. Diz que já falou ao telefone com o presidente brasileiro para o felicitar. Líderes de outros países da América Latina, Chile, Uruguai ou México, também felicitam esta reeleição. Donald Trump ainda não fez qualquer comentário, qualquer reação, enquanto que por cá o Partido Socialista foi um dos primeiros a reagir. Numa nota enviada à Agência Lusa, José Luís Carneiro fala numa importante vitória para a democracia brasileira.
E do Brasil passamos para Israel, que também vai a eleições, é já amanhã. O adversário de Benjamin Netanyahu, Gadi Eizenkot, continua a liderar as intenções de voto nas sondagens. O Observador acompanhou o último comício de campanha em Tel Aviv, que teve várias promessas.
As sondagens não dão maioria nem à coligação de Netanyahu, nem ao bloco da oposição, mas Eizenkot segue com uma ligeira vantagem. São precisos 61 deputados para a maioria no Parlamento. A última sondagem feita pelo Canal 13 diz que o Bloco da Mudança deve conseguir alcançar 54 deputados, contra 50 do partido de Netanyahu. A partir de Tel Aviv, o enviado especial do Observador, Pedro Jorge Castro, descreve a tranquilidade de Eizenkot a horas da decisão
Benjamin Netanyahu tem radicalizado estes últimos dias de campanha numa dramatização para ver se consegue inverter as intenções de voto que vão em segundo lugar. E Gadi Eizenkot respondeu com serenidade. Não é uma pessoa muito carismática a falar, mas passa, de facto, esta imagem de tranquilidade. Basicamente recordou a forma como lutou na primeira linha na guerra, os preços muito pesados que pagou, isto numa alusão à morte do seu filho e de dois sobrinhos. Prometeu instaurar logo no primeiro dia de governo, assim que tomar posse, caso vença, uma comissão de inquérito independente ao 7 de outubro. Prometeu também acabar com o Hamas no prazo de 18 meses. Ele garantiu que todas as crianças em Israel vão aprender disciplinas fundamentais, portanto, matemática, inglês e ciências, o que não acontece no ensino ultraortodoxo. Prevê-se aqui grandes mudanças e também o serviço militar obrigatório para todos.
Pedro Jorge Castro, partido de Israel, onde está juntamente com o fotojornalista do Observador, João Porfírio. Eles vão acompanhar as eleições que decorrem amanhã.
E nós também aqui na Rádio Observador, numa emissão especial que começa às 22h. Seguimos com os protestos pela habitação. Chega e PS questionam a representatividade das acampadas e das assembleias populares. Já o PC diz que o silêncio do primeiro-ministro é normal.
As manifestações deste movimento e a intervenção policial do fim de semana estiveram em análise no Explicador desta manhã. O eurodeputado do PSD, Hélder Sousa e Silva, é da opinião que o recato do primeiro-ministro e do presidente da República é normal e que cabe aos partidos manter o tema na agenda política.
Aquilo que tenho visto também, por via dos partidos políticos, de quererem o envolvimento ao mais alto nível dos nossos dirigentes políticos, quer primeiro-ministro, quer presidente da República, eu considero que é um excesso. Aliás, cumpre-lhes a eles ter grande vocalidade sobre o tema, porque querem colocá-lo e tê-lo sempre na agenda, deixando primeiro que as manifestações aconteçam. A que aconteçam dentro da lei e da ordem. Penso que cumpre aos partidos também levantar esta questão, cumpre aos jovens manifestarem-se, mas cumpre também aos nossos decisores manterem algum recato, deixarem as instituições funcionar.
Já Francisco Assis, eurodeputado do PS, acredita que o chefe de Estado e o líder do governo irão pronunciar-se nos próximos dias. Quanto às acampadas, o eurodeputado socialista afirma que prestam um mau serviço à democracia.
As acampadas não são propriamente uma manifestação extraordinária de democracia. E quando são apresentadas como um contraponto aos modelos da democracia representativa, prestam até um mau serviço à democracia. Não há formas de democracia espontânea que se possam contrapor aos mecanismos institucionais democráticos que estão preestabelecidos.
Tiago Moreira de Sá, eurodeputado do Chega, reconhece que as pessoas estão a passar dificuldades, mas defende que as assembleias populares põem em risco a democracia representativa.
Numa democracia representativa, não há lugares pra assembleias populares. Nós não vivemos num período revolucionário. Aqui, sim, está verdadeiramente em causa o funcionamento da democracia e das instituições e do Estado de Direito. Mas como é à esquerda e na extrema-esquerda, parece que a comunicação social trata quase como se fosse uma coisa romântica, de umas acampadas e de umas assembleias populares. Não, o que está a acontecer é grave. É grave e é perigoso, e põe em causa o funcionamento da democracia representativa.
Tiago Moreira de Sá, eurodeputado do Chega, um dos convidados do Explicador desta manhã. Os manifestantes prometem voltar já hoje aos protestos, depois de uma noite calma, sem incidentes. Em Lisboa foi marcada uma vigília junto ao Campus de Justiça, onde pela 13h vão começar a ser ouvidos os manifestantes que foram detidos durante o fim de semana. Depois, os manifestantes prometem voltar ao Rossio. No Porto, também houve uma desmobilização ontem à noite, mas com a promessa do regresso aos protestos.
São 10h12. Já a seguir o Contracorrente sobre as eleições no Brasil. Primeiro, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
A Galp e a Movel já não vão avançar para a junção dos negócios. As negociações entre as duas empresas terminaram. O anúncio é feito num comunicado divulgado esta manhã pela Galp. As razões para este volte face não são especificadas. A empresa diz apenas que as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo. A Galp garante também que o fim das negociações com a Movel não teve impacto nas operações atuais da Galp. Vários drones atingiram a cidade russa de Voronezh. Pelo menos duas pessoas morreram e 17 ficaram feridas. Na Ucrânia, ataques russos provocaram cortes de energia e danos em edifícios, em infraestruturas energéticas. Fizeram pelo menos quatro feridos em Zaporizhzhia. Já na Arábia Saudita, os rebeldes houthis reivindicaram um ataque com míssil ao aeroporto de Riad, depois das defesas sauditas anunciarem a interceção de um projétil dirigido à capital. Vamos falar de desertificação de território. Sabem aqueles locais onde parece que não vive ninguém? Uma pequena cidade nos Estados Unidos está tão desesperada que está a oferecer dinheiro a quem quiser ir para lá viver.
Xina, bem.
E muito. Sabe qual é?
Sim.
Mas onde? Primeiro, onde?
Já diz o... Queres ver no mapa, não é? Topeka, no estado do Kansas. Topeka, será? Topeka? Quanto, Paulo, pra ti? €15 mil.
Não dá pra me dar.
Mas só uma vez ou todos os meses?
Três.
Há condições. O dinheiro não pode ser gasto de qualquer forma. Não se pode gastar logo em guloseimas.
Ou em livros.
Ou em livros, não. Tem que ser para comprar ou para arrendar casa.
Que é pra garantir que ficam lá.
Pra garantir que depois não se vão embora. A ideia é atrair jovens, trabalhadores qualificados.
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