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Monday, August 17, 2026

Yabloko: 55 detidos à porta do Supremo russo

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Pelo menos 55 pessoas foram detidas esta segunda-feira em Moscovo diante do Supremo Tribunal da Rússia, que está a analisar o recurso do Yabloko contra a exclusão das legislativas de setembro, denunciou o líder deste partido antiguerra.

O líder do Yabloko, Nikolau Ribakov, denunciou as detenções durante a audiência judicial, na qual solicitou a libertação imediata dos detidos e o fim da campanha de intimidação contra os apoiantes do único partido na Rússia que se opõe à guerra na Ucrânia e que, há uma semana, foi impedido de concorrer às eleições agendadas para o próximo mês.

Supremo Tribunal russo proíbe único partido contra a guerra de participar em eleições

De acordo com responsáveis do Yabloko, a polícia procedeu às detenções em frente ao edifício do Supremo, no centro de Moscovo, e, tal como sucedeu há uma semana, quando cerca de 500 apoiantes se concentraram diante do tribunal, a maioria dos detidos são jovens, tendo também sido levado para uma esquadra o candidato a deputado Viktor Balabanov.

Ribakov já tinha denunciado no domingo que a polícia se tinha deslocado às residências dos participantes na audiência em que o Supremo rejeitou o registo das listas eleitorais do partido, a 10 de agosto.

Há precisamente uma semana, o Supremo proibiu o partido liderado por Ribakov de concorrer às eleições, privando os eleitores que se opõem ao conflito na Ucrânia — que dura há quatro anos e meio — da possibilidade de exigir o seu fim através do voto, ao deferir um pedido de uma formação política nacionalista próxima do Kremlin (Presidência russa), o Rodina, que tinha interposto um recurso contra a autorização inicial concedida ao Yabloko em julho pela Comissão Eleitoral Central.

O líder do Yabloko, formação partidária que é acusada de financiamento estrangeiro e violação dos direitos de autor, considera a acusação “absurda” e lembrou esta segunda-feira que o partido governamental Rússia Unida e outras formações leais ao Kremlin também receberam doações do estrangeiro.

O juiz que presidiu à audiência da passada semana em que foi determinada a exclusão do Yabloko das eleições parlamentares, Viatcheslav Kirillov, é o mesmo magistrado que ilegalizou a organização de direitos humanos Memorial, Nobel da Paz em 2022.

A maioria dos opositores ao Presidente russo, Vladimir Putin, encontra-se presa, no exílio ou morta, e o Yabloko é o único partido liberal ainda em atividade na Rússia.

Esta formação tinha recebido, na perspetiva das próximas eleições legislativas, marcadas para 20 de setembro, o apoio de várias figuras da oposição exiladas no estrangeiro, entre as quais Yulia Navalnaya, viúva do opositor Alexei Navalny, que morreu em 2024 na prisão.

Entre outras questões, o Yabloko exige a cessação imediata dos combates e o início célere de negociações de paz com a Ucrânia, além da libertação dos mais de 1.750 presos políticos.

O Yabloko é o único partido que, desde a queda da antiga União Soviética, se opôs a todas as guerras em que a Rússia esteve envolvida, na Chechénia (1994), na Síria (2015) ou na Ucrânia (2022).

Formação liberal ao estilo ocidental, o Yabloko, que significa maçã em russo, tem defendido a economia de mercado, os direitos humanos e o Estado de direito, o que o colocou em confronto com os governos liderados por Boris Yeltsin e Putin.

A formação política foi fundada em 1993, menos de dois anos após a desintegração da União Soviética, como uma aliança de democratas de diversas tendências, desde democratas-cristãos a social-democratas, verdes e feministas.

O Yabloko perdeu peso político a partir da chegada de Putin à Presidência, em 2000, deixou de ter um grupo parlamentar em 2003 e ficou sem assentos quatro anos mais tarde.

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