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Saturday, October 10, 2026

PF e defesa de Vorcaro dizem desconhecer autenticidade de áudio sobre filme

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Integrantes da PF (Polícia Federal) e a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não confirmaram o conteúdo e a autenticidade do áudio divulgado pela revista Veja no qual o ex-controlador do Banco Master diz ter negociado o financiamento de um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

À CNN Brasil, a PF disse na manhã desta sexta-feira (9) que a corporação recusou a delação premiada de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que pudessem dar credibilidade ao que ele disse. Segundo o órgão, a PGR (Procuradoria-Geral da República) teve a mesma avaliação sobre o caso.

Ainda pela manhã, fontes próximas a Vorcaro ouvidas pela CNN haviam confirmado a autenticidade do áudio em que ele relata tratativas com governistas para financiar um filme sobre o presidente Lula. Segundo os relatos, porém, a gravação não chegou a integrar um depoimento formal às autoridades.

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As fontes levantaram a possibilidade até mesmo de se tratar de uma gravação clandestina porque há uma distorção no início do áudio que indicaria, para os aliados de Vorcaro, a presença de uma terceira pessoa no ambiente de conversa. Asseguram, entretanto, que o áudio é posterior à prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025.

Na tarde desta sexta, como também mostrou a CNN, a defesa do ex-banqueiro divulgou uma nota dizendo não confirmar a veracidade do áudio divulgado pela Veja.

"A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas", diz a nota assinada pelos advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz.

Ambos afirmam que "o material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade" e que "Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada".

No comunicado, também destacam que Vorcaro tem "informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades".

O advogado Daniel Bialski, que integra a defesa de Daniel Vorcaro, também afirmou à CNN que desconhece o relato atribuído ao ex-banqueiro pela revista.

Bialski disse que não atuava na defesa quando foram apresentadas as propostas de colaboração premiada e afirmou que Vorcaro não prestou novo depoimento sobre o assunto à PF ou a qualquer outro órgão.

Um integrante da PGR ouvido pela CNN chegou a dizer que o áudio não foi enviado à equipe que conduzia as tratativas de delação na instituição.

Entenda o caso

Mensagens e documentos obtidos pela Veja e divulgados na madrugada desta sexta voltaram a repercutir supostas negociações envolvendo Vorcaro e o extinto Banco Master.

O site afirmou que Vorcaro teria liberado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário do cineasta Oliver Stone sobre o atual presidente Lula. A intermediação teria sido feita entre o empresário e o ex-tesoureiro do PT (Partido dos Trabalhadores), João Vaccari Neto.

Segundo a revista, a aproximação de Vorcaro com o PT foi articulada pelo então CEO do Master, Augusto Lima. Além disso, o então líder do governo Lula no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), teria articulado o primeiro encontro com Vaccari.

Segundo a reportagem, o detalhamento do esquema teria sido enviado à PGR em forma de documentos e de um áudio atribuído ao ex-banqueiro na segunda tentativa de uma delação premiada. A PGR, no entanto, alegou falta de provas e não avançou no caso.

"Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele [Vaccari]. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara [Vaccari] pede para colocar dinheiro no filme do Lula", diz gravação divulgada pela Veja e cuja autenticidade não foi confirmada.

Segundo informações do analista de política da CNN Caio Junqueira, a leitura no governo e no PT é de que está em curso um "acórdão" para eleger o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e soltar Vorcaro. O combinado seria que o ex-banqueiro apresentaria denúncias contra o presidente Lula para ajudar na eleição do candidato do PL. O senador, uma vez eleito, ajudaria em uma composição para tirá-lo da prisão.

A avaliação é de que Vorcaro busca agora uma "bala de prata" contra Lula para encaminhar uma vitória de Flávio e viabilizar um ambiente institucional que acabaria levando à sua soltura. A defesa de Vorcaro, como mostrou a CNN, apresentou em setembro um pedido para que ele deixe a prisão e aguarde o julgamento em prisão domiciliar.

Há também o entendimento de que a denúncia busca desviar o foco das relações entre Flávio e Vorcaro. O candidato do PL admitiu ter pedido recursos ao ex-banqueiro para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dois negociaram um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Há um áudio de Flávio pedindo o dinheiro, além de mensagens cobrando os valores.

Mais cedo, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, que representam o Grupo Prerrogativas, chegaram a acionar a PF pedindo investigação sobre uma suposta articulação entre Vorcaro e a campanha de Flávio.

Eles mencionam a existência de negociações para uma entrevista televisionada com o ex-banqueiro. No pedido, citam que depoimentos de Vorcaro teriam sido entregues a terceiros e alegam que o conteúdo não teria respaldo em elementos de prova e teria sido concebido para produzir efeito político durante o período eleitoral.

Os advogados pediram que as autoridades priorizem a investigação e a identificação dos interlocutores que estariam negociando a entrevista com emissoras de televisão.

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