Janja e Edinho viram alvo de críticas, e Lula muda coordenação de campanha

Se a mudança na coordenação pode aplacar a guerra interna no comando da campanha, outra queixa será ignorada por Lula: o protagonismo de Janja nos palanques e nos bastidores. A insatisfação foi verbalizada pela ex-ministra Katia Abreu, mas tem apoio de grande parte dos dirigentes petistas. Segundo "O Globo", Janja afirmou à ex-ministra que sua participação na campanha ocorre a pedido de seu marido, o presidente.
"A fala de Janja sobre Nikolas (Ferreira) ser um 'piá de bosta' rendeu os votos de cinco deputados para o PL em Minas", queixou-se uma pessoa da direção à coluna, referindo-se aos mais de três milhões de votos do deputado no estado. Até o fato de a primeira-dama cantar um jingle de teor evangélico nos comícios tem incomodado os dirigentes, que acreditam que essa atuação piora o relacionamento de Lula com religiosos.
Mas o presidente está longe de declinar da participação de Janja. Ontem, pediu desculpas a ela por não ter aceitado antes a ideia de fazer vídeos em estilo selfie para a campanha. Esse tipo de conteúdo não era pedido apenas por ela, mas pelo QG de marketing. Mas o fato é que o presidente, agora com os apelos dos deputados mais jovens eleitos no domingo, começará a fazer esse tipo de vídeo, o que vai mudar um pouco a cara da campanha nas redes sociais.
Nesse tiroteio, não têm faltado críticas ao próprio presidente. A coluna ouviu reservadamente dirigentes que consideraram que o petista começou a campanha do primeiro turno de "salto alto" e subestimou o adversário. Além disso, impôs que a propaganda falasse mais de seu legado e não do futuro, contrariando a proposta do ministro Sidônio Palmeira e do marqueteiro Rui Rabelo.
Agora, Lula parece querer assumir as rédeas: desde segunda-feira tem se reunido com dirigentes, parlamentares, candidatos de todo o país derrotados ou vencedores, numa clara mudança de postura. Tem sido mais agressivo em relação a Flávio Bolsonaro e faz críticas mais incisivas aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Deixou o tema da soberania nacional e abraçou o da segurança pública. E está fazendo do fim da escala 6x1 um diferencial entre petistas e bolsonaristas.
Sobre segurança pública, arriscou um slogan nesta quarta-feira, dizendo que seu eventual quarto mandato protegeria os trabalhadores e mandaria os criminosos para a cadeia. Ainda neste tema, tanto o presidente quanto os líderes lulistas têm afirmado que Flávio não teria condições de combater o crime organizado e teria ligação com as milícias.
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