Bloco de Esquerda vai à boleia da CGTP nos protestos?

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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
O Bloco de Esquerda quer ir à boleia?
Quer ir à pendura, se quisermos, nesta questão dos protestos sobre a habitação. O Bloco de Esquerda sabe que tem a sua influência e representatividade muito fragilizadas, ao nível mais baixo da sua história e o deputado único conseguido eleger é disso talvez o maior exemplo. Mas o Bloco quer protestar como os grandes. Então, como fazê-lo? No fundo, é chamar o irmão mais velho e mais encorpado para travar esta luta. O Bloco reuniu com a CGTP e fez um pedido. Apela, e citamos: "A um gesto público de grande alcance por parte da CGTP, que pode ser", continuamos a citar, "em forma de greve ou de outra natureza", porque o Bloco nestas coisas também não é caprichoso.
Nem está em condições de ser.
É preciso ser qualquer coisa em grande. Venha o que vier. O partido quer claramente ir à boleia, tentando aproveitar a influência sindical que a CGTP tem. Bom, vamos ver se este pedido, por outro lado, não vai criar uns ciúmes no PCP, que é o partido que tem uma ligação maior à central sindical, aquela que tutelará aqui a central sindical. Vamos ver.
E enquanto isso, o governo não gosta do Chega em cima do muro, Bruno.
Não gosta, Carla, mas já devia saber que é mesmo aí que o Chega se sente mais confortável. À partida, o partido de André Ventura estaria disponível para se entender com o governo sobre a Lei das Rendas, mas logo que sentiu um cheirinho a impopularidade pela manhã, André Ventura disse: "Calma, que isto não é bem assim". Então estabeleceu condições, apresentou um pacote de medidas de emergência pra habitação, pra pressionar o governo e deixar o governo na incerteza. Mas aqui, aquilo que se estranha, é a surpresa do governo com a hesitação do Chega ou com este a ficar em cima do muro, porque não era preciso este impasse na Lei do Arrendamento para se perceber que com o Chega, nada está garantido antes de ser aprovado na Assembleia da República. Esse é um dos grandes riscos, aliás, da estratégia do pisca-pisca que o governo tem seguido. Quando dá uma guinada pra direita, o governo pode de repente aperceber-se de que não está lá o parceiro em quem deveria confiar.
Eles olham pra esquerda e pisca, pisca, olham pra direita.
Pisca pisca pra direita e não está lá ninguém.
Os clássicos dizem tudo.
Está em cima do muro, não está nem à esquerda nem à direita.
O Brasil vota neste fim de semana, mas é uma fraca escolha.
No meu entender, de facto, o Brasil volta às urnas no domingo, desta vez para a escolha definitiva do próximo presidente da República. Próximo presidente, que pode ser também a continuação, o mesmo, de Lula da Silva. E a escolha vai ser a mesma, de facto, entre arroz com feijão ou feijão com arroz. Lula da Silva e Flávio Bolsonaro chegam à segunda volta separados por dois pontos. As últimas sondagens sugerem o empate técnico, aliás, falamos disso há pouco no jornal. A polarização da sociedade brasileira é extrema, não é de agora, mas continua. Lula tem 80 anos e perdeu milhões de votos desde 2022. Promete continuidade, não promete renovação e Flávio Bolsonaro venceu a primeira volta, mas é basicamente um candidato por herança. Foi o pai, condenado e preso, que o escolheu. Ideias próprias tem poucas e há 33 milhões de brasileiros que nem foram votar, isto num país onde voto é obrigatório. São números que dizem muito. Para muitos, votar no domingo, no fundo, vai ser votar contra o PT e o lulismo ou contra o bolsonarismo. Raramente é um voto a favor de um projeto, e isso não é entusiasmo, é resignação. O Brasil precisava de um futuro, de facto, volta a escolher entre dois passados, ainda por cima já testados. Parece que perde outra vez o eleitor.
Bruno, é agora que resolvemos o problema da obesidade?
É agora, Maria João. Vai ser o nosso problema da obesidade, sem dúvida. O SNS vai comparticipar os medicamentos para o tratamento da obesidade. Viva! Mas é só em 15%, que é o escalão mínimo da comparticipação. E atenção, pra se ter direito à comparticipação, o caminho não é fácil, porque nem os médicos de família, nem os médicos privados vão poder prescrever estes medicamentos.
Estes não podem, mas podem outros.
Nem os médicos de família.
Nem os privados.
Não, estes não podem, mas podem depois outros. Outros medicamentos.
Sim.
Outros.
Pra obesidade.
Pra obesidade, entre aspas. Ora, isto significa que um paciente, para ter acesso a esta comparticipação, à prescrição dos medicamentos, tem de estar a seguir um plano de tratamento e a ser acompanhado por uma equipa multidisciplinar nos hospitais. E que apenas os médicos especialistas em endocrinologia, medicina interna ou pediatria vão poder passar estas receitas. Isto só entra em vigor em fevereiro do próximo ano. Mas os médicos de família preveem que esta solução acabe por criar mais um problema, porque o que é que vai acontecer? Vai fazer disparar o número de consultas daquelas especialidades nos hospitais, quando poderiam ser os médicos de família, que supostamente até conhecem bem os seus utentes, a receitar, a fazer esta prescrição. Com tantos obstáculos, se calhar não, ainda não é desta que vamos resolver o problema da obesidade.
Ou então a corrida de obstáculos faz as pessoas emagrecerem.
Começa aí.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
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