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Wednesday, November 4, 2026

Nas contas para o futuro da TIM, comprador em dupla e um cheque de R$ 40 bilhões

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Loja da operadora TIM (Alessia Pierdomenico/Bloomberg)
Loja da operadora TIM (Alessia Pierdomenico/Bloomberg)

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 07:00.

Última atualização em 4 de novembro de 2026 às 07:06.

RESUMO +

Bancos de investimento avaliam que uma eventual venda da operadora TIM Brasil exigiria a associação de um investidor estratégico com um fundo para viabilizar uma operação estimada em R$ 40 bilhões. A empresa de infraestrutura de fibra V.tal é uma combinação considerada pelo mercado, mas não há negociação estruturada; a controladora Poste Italiane deve apresentar seus planos no primeiro trimestre de 2027.

Uma eventual venda da TIM Brasil deve exigir a associação de um investidor estratégico com um fundo para acomodar uma operação estimada em cerca de R$ 40 bilhões, o que a colocaria entre as maiores operações de M&A do Brasil. Essa é a avaliação de bancos de investimento ouvidos com exclusividade pelo EXAME Insight, que já fazem contas sobre o futuro da operadora após a mudança de controle de sua matriz italiana.

O tamanho do cheque é um dos principais desafios. Na avaliação desses interlocutores, seria uma aquisição “muito grande” para um único comprador, o que favorece uma composição entre um sócio do setor e um investidor financeiro. A estimativa ainda é preliminar: não há uma transação estruturada nem preço acertado.

A movimentação dos bancos em torno de uma possível venda foi noticiada pelo Valor Econômico nesta terça-feira, 3. A TIM, porém, não foi formalmente colocada no mercado. O debate ganhou força depois que a Poste Italiane, nova controladora da Telecom Italia, sinalizou que a operação brasileira não está no centro de sua estratégia.

Entre as combinações consideradas pelo mercado está uma união com a V.tal, controlada por fundos geridos pelo BTG Pactual (mesmo grupo controlador da EXAME). Segundo pessoas próximas ao negócio, não há nada concreto envolvendo a companhia, mas a operação faz “muito sentido”.

A lógica está na complementaridade. A V.tal reúne uma extensa infraestrutura de fibra óptica e é dona da Nio, que herdou a operação de banda larga da Oi. Uma combinação com a TIM acrescentaria uma rede móvel nacional e permitiria ampliar a oferta conjunta de celular e internet residencial. 

Esse encontro entre fibra e telefonia móvel já vinha sendo estudado pelo mercado, embora no sentido inverso. Em setembro, a XP analisou uma eventual compra da V.tal pela TIM e estimou que a operação poderia multiplicar por cinco a base de fibra da operadora. O exercício não indicava uma negociação em andamento, mas mostrava o potencial comercial de reunir os dois negócios.

Ligação Itália-Brasil

A discussão sobre o destino da TIM brasileira decorre de uma mudança na Itália. A Poste Italiane passou a deter aproximadamente 87% da Telecom Italia após uma oferta pública e compras adicionais de ações. Com isso, tornou-se também a controladora indireta da operação brasileira.

Na semana passada, Matteo Del Fante, presidente-executivo da Poste, afirmou que a TIM Brasil é lucrativa e gera caixa, mas não é estratégica para o projeto do grupo. Também disse que a empresa não está à venda e que será utilizada de maneira “tática” nos próximos meses. A prioridade da nova controladora é ampliar a atuação em serviços digitais na Itália.

Abrir mão da subsidiária brasileira, de qualquer forma, teria peso relevante nas contas da matriz. A Telecom Italia possui cerca de 68% da TIM Brasil, que responde por quase metade do resultado operacional do grupo. O negócio é avaliado em R$ 31,8 bilhões, considerando enterprise value. Soma-se a isso eventual prêmio pela operação e chega-se no valor estimado pelo mercado.

O perfil dos potenciais compradores também importa. Uma aquisição por Vivo ou Claro esbarraria na concentração do mercado móvel: a soma da TIM a qualquer uma das duas reuniria mais da metade dos acessos do país. Na leitura de mercado, esse obstáculo favorece uma composição que preserve a operadora como concorrente independente.

O próximo sinal mais claro deve vir no primeiro trimestre de 2027, quando a Poste pretende apresentar o plano de negócios do grupo combinado. Até lá, os bancos trabalham com possibilidades. A venda é uma delas; a decisão dos italianos ainda está em aberto.

'Perguntas frequentes'

Quanto pode valer uma eventual venda da TIM Brasil? +

Uma eventual venda da TIM Brasil pode movimentar cerca de R$ 40 bilhões, segundo estimativa preliminar de bancos de investimento ouvidos pelo EXAME Insight. O cálculo considera o enterprise value de R$ 31,8 bilhões e um possível prêmio pela operação.

Quem poderia comprar a TIM Brasil? +

Bancos de investimento avaliam que o tamanho da operação favorece uma associação entre um investidor estratégico e um fundo. Não há comprador definido, transação estruturada ou preço acertado.

Por que uma união entre TIM Brasil e V.tal é considerada pelo mercado? +

A união combinaria a infraestrutura de fibra óptica da V.tal com a rede móvel nacional da TIM Brasil, o que permitiria ampliar a oferta conjunta de telefonia celular e internet residencial. Segundo pessoas próximas ao negócio, não há nada concreto envolvendo a V.tal.

A Poste Italiane pretende vender a TIM Brasil? +

A Poste Italiane afirma que a TIM Brasil não está à venda, embora a operação brasileira não seja estratégica para o projeto do grupo. Matteo Del Fante, presidente-executivo da Poste Italiane, disse que a subsidiária é lucrativa, gera caixa e será utilizada de forma “tática” nos próximos meses.

Por que Vivo e Claro enfrentariam obstáculos para comprar a TIM Brasil? +

Uma aquisição da TIM Brasil pela Vivo ou pela Claro esbarraria na concentração do mercado móvel, pois a combinação reuniria mais da metade dos acessos do país. Na avaliação do mercado, esse obstáculo favorece uma estrutura que mantenha a TIM Brasil como concorrente independente.

Quando deve haver uma definição sobre o futuro da TIM Brasil? +

O próximo sinal deve surgir no primeiro trimestre de 2027, quando a Poste Italiane pretende apresentar o plano de negócios do grupo combinado. Até lá, a venda permanece apenas como uma das possibilidades avaliadas pelos bancos.

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Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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